Com o Fed decidido e a prévia da inflação divulgada, o mercado brasileiro entra na semana mais carregada do trimestre. Copom em 4 e 5 de agosto, Itaú em 4 de agosto, Petrobras em 6 de agosto — e, antes de tudo isso, Vale e Bradesco nesta quinta-feira, 30 de julho. Veja o que está em jogo em cada evento.
Quinta-feira, 30 de julho: Vale e Bradesco
O dia mais cheio da temporada chega antes da virada do mês. A Vale divulga o resultado do segundo trimestre já tendo reportado produção operacional forte no minério de ferro — o balanço vai mostrar como esse volume se converteu em preço realizado, custo caixa, geração de caixa e, principalmente, dividendos.
O Bradesco ganhou relevância extra depois do balanço do Santander. O banco vinha de nove trimestres consecutivos de melhora gradual, com lucro recorrente de R$ 6,811 bilhões e ROAE de 15,8% no primeiro trimestre. Analistas esperam desempenho mais forte que o do concorrente — e essa comparação vai definir se o problema do setor é geral ou específico. Detalhamos o que observar em nossa prévia dos dois balanços.
Segunda-feira, 3 de agosto: Focus
A semana começa com o Boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com projeções de mercado. Depois do IPCA-15 a 0,06%, o número a observar é a mediana de inflação para 2026 — que já vinha em queda, para 5,15% — e a de Selic para o fim do ano.
É a última leitura antes da decisão do Copom, e serve de referência para saber se as apostas de corte se consolidaram ou se o petróleo em alta começou a mudar as projeções.
Terça-feira, 4 de agosto: Itaú e início do Copom
Dois eventos no mesmo dia. O Itaú Unibanco, maior banco privado do país, divulga o resultado do segundo trimestre. Sendo o benchmark de rentabilidade do setor, seus números dizem muito sobre a saúde do crédito no Brasil: margem financeira, inadimplência, custo do crédito e ritmo da carteira.
No mesmo dia começa a reunião de dois dias do Comitê de Política Monetária. Não há divulgação nesta data — a decisão sai na quarta —, mas o mercado costuma ajustar posições na véspera.
Quarta-feira, 5 de agosto: a decisão da Selic
O evento central da semana. Cerca de 80% do mercado aposta em corte de 0,25 ponto percentual, levando a Selic de 14,25% para 14,00% ao ano. As medianas do Focus indicam que a taxa encerra 2026 nesse nível — um corte seguido de manutenção.
Mais importante que o número é o comunicado. O que o comitê disser sobre inflação, cenário externo e, sobretudo, sobre o choque de petróleo vai definir a expectativa para setembro. Vale observar também o placar e eventuais votos divergentes.
Quinta-feira, 6 de agosto: Petrobras
A estatal fecha a sequência dos pesos-pesados, e o timing é particularmente interessante. Com o barril pressionado pela escalada entre Estados Unidos e Irã, o resultado do trimestre e os comentários sobre a política de preços e de dividendos ganham peso adicional.
Os pontos a observar: geração de caixa, endividamento, investimentos previstos e a política de distribuição — a companhia é uma das maiores pagadoras de proventos da bolsa, e o anúncio de dividendos costuma ser o item mais aguardado. Você pode acompanhar os pagamentos anunciados na agenda de dividendos.
No radar internacional
A temporada de balanços de tecnologia continua depois de Microsoft e Meta, com o tema do capex de inteligência artificial dominando as reações. E, sem sinalização prévia do Fed, cada dado de inflação e de emprego nos Estados Unidos passa a mexer com a curva de juros global.
O petróleo segue como a variável mais imprevisível. Qualquer novidade no conflito no Oriente Médio tem potencial de redefinir o humor dos mercados em uma única sessão — como já aconteceu várias vezes em julho.
Como usar uma agenda como esta
Não como roteiro de operação. Semana cheia de eventos aumenta a volatilidade, e tentar antecipar reações a balanços e decisões de banco central é o tipo de atividade em que o investidor individual tem a pior desvantagem informacional.
O uso produtivo é outro: saber o que está vindo evita ser surpreendido, ajuda a não confundir volatilidade de evento com mudança de fundamento e permite planejar aportes com tranquilidade. Se você tem posições em bancos, na Vale ou na Petrobras, vale reservar tempo para ler os balanços com calma — depois da teleconferência, não nos primeiros minutos. Nossos guias de como ler um balanço e como lidar com volatilidade ajudam nesse processo.
Datas conforme calendários divulgados pelas companhias e pelo Banco Central, sujeitas a alteração. Conteúdo informativo, sem recomendação de investimento.
Perguntas frequentes
Quais os principais eventos do mercado nesta semana?
Vale e Bradesco divulgam balanços em 30 de julho; o Boletim Focus sai em 3 de agosto; Itaú reporta e o Copom inicia a reunião em 4 de agosto; a decisão da Selic sai em 5 de agosto; e a Petrobras divulga resultados em 6 de agosto.
O que o Copom deve decidir?
Cerca de 80% do mercado aposta em corte de 0,25 ponto percentual, levando a Selic de 14,25% para 14,00% ao ano. As medianas do Focus indicam a taxa encerrando 2026 nesse nível.
Por que o balanço do Bradesco ganhou importância?
Porque vem depois do resultado fraco do Santander Brasil, que teve queda de 17,6% no lucro e ROAE de 12,5%. A comparação vai indicar se a pressão sobre margens e custo de crédito é geral no setor ou específica de um banco.
O que observar no balanço da Petrobras?
Geração de caixa, endividamento, investimentos previstos e a política de dividendos. O contexto de barril pressionado pelo conflito entre EUA e Irã dá peso extra aos comentários sobre política de preços.
Devo operar com base na agenda de eventos?
Não é recomendável. Semanas cheias aumentam a volatilidade e antecipar reações a balanços e decisões de banco central é onde o investidor individual tem maior desvantagem informacional. A agenda serve para não ser surpreendido e para planejar aportes com calma.



