A semana concentra quatro dados que mexem com juros e câmbio, mais o evento mais observado do calendário monetário. IPCA-15 na quarta, desemprego na quinta, IGP-M, Caged e PCE americano na sexta — e, no mesmo dia, o discurso do presidente do Federal Reserve em Jackson Hole.
A agenda de 24 a 28 de agosto de 2026 traz o Boletim Focus e a balança comercial semanal na segunda, a Sondagem do Consumidor e leilão de títulos na terça, o IPCA-15 de agosto na quarta, a taxa de desemprego na quinta, e IGP-M, Caged, dados fiscais e o índice PCE americano na sexta — mesmo dia do discurso do presidente do Federal Reserve em Jackson Hole.
Principais pontos
- Segunda (24): Boletim Focus, IPC-S da terceira quadrissemana e balança comercial semanal.
- Terça (25): Sondagem do Consumidor e leilão de LFT e NTN-B do Tesouro.
- Quarta (26): IPCA-15 de agosto, às 12h, com expectativa de deflação de 0,31%.
- Quinta (27): taxa de desemprego de julho pela PNAD Contínua.
- Sexta (28): IGP-M, Caged, dados fiscais, PCE americano e discurso em Jackson Hole.
Segunda-feira: o retrato das expectativas
A semana abriu com o Boletim Focus, que trouxe leve recuo na projeção de IPCA para 2026, a 5,0164%, e manteve a Selic estimada em 13,75% no fim do ano. Com a taxa hoje em 14%, o mercado embute apenas um corte de 0,25 ponto no restante de 2026.
Saem também o IPC-S da terceira quadrissemana, indicador de inflação de frequência semanal, e a balança comercial semanal do MDIC. Este último ganhou relevância extra: com as negociações tarifárias com os Estados Unidos retomadas, o fluxo de exportação passa a ser lido também como termômetro do efeito da tarifa de 37,5%.
Terça-feira: consumidor e leilão
A Sondagem do Consumidor é uma pesquisa de expectativa, não de dado realizado — ela mede como as famílias avaliam a situação atual e o futuro. Serve como indicador antecedente do consumo, e num momento de crise no varejo é mais relevante que o habitual.
Há também o leilão de LFT e NTN-B do Tesouro Nacional. Parece técnico, mas informa muito: é ali que o governo descobre quanto o mercado exige para financiá-lo. Demanda fraca ou taxa alta em leilão de NTN-B, o título atrelado à inflação, sinaliza desconfiança com a trajetória fiscal — sinal que costuma aparecer no câmbio dias depois. O funcionamento está em como funciona o leilão de títulos públicos.
Quarta-feira: o dado da semana
O IPCA-15 de agosto sai às 12h e é o evento doméstico mais importante do calendário. A expectativa de mercado é de deflação de 0,31% no mês, com o acumulado em 12 meses recuando para cerca de 4,34% — puxado pelo bônus de Itaipu de R$ 872,1 milhões creditado nas contas de luz.
O alerta de leitura é importante: se a deflação se confirmar, ela é temporária, e o próprio IBGE já disse isso. Um crédito tarifário pontual derruba o índice num mês e o eleva no seguinte, por efeito de base. O que vale acompanhar é a abertura por grupo — sobretudo serviços e alimentos, como detalha o texto sobre o IPCA-15 desta semana.
| Dia | Indicador |
|---|---|
| Segunda 24 | Focus, IPC-S, balança comercial semanal |
| Terça 25 | Sondagem do Consumidor, leilão de LFT e NTN-B |
| Quarta 26 | IPCA-15 de agosto (12h) |
| Quinta 27 | PNAD Contínua — desemprego de julho (12h) |
| Sexta 28 | IGP-M, IPP, Caged, dados fiscais, PCE (EUA), Jackson Hole |
Quinta-feira: o emprego brasileiro
A PNAD Contínua traz a taxa de desemprego de julho. É o indicador que informa se a economia está gerando ocupação, e ele importa por dois canais opostos.
Desemprego baixo é bom para o consumo e para a inadimplência — tema sensível depois da crise no varejo e do alerta público do Banco Central sobre crédito. Mas mercado de trabalho apertado pressiona salário, e salário pressiona a inflação de serviços, que é a que o Copom mais teme. Um dado muito forte pode ser lido como notícia ruim para juros. A metodologia está em como o IBGE mede o desemprego.
Sexta-feira: o dia cheio
O último dia útil concentra o maior número de eventos. No Brasil, saem o IGP-M de agosto pela FGV — índice que reajusta a maioria dos contratos de aluguel —, o IPP do IBGE, os dados fiscais e o Caged, com o saldo de empregos formais.
Nos Estados Unidos, sai o índice PCE de julho — o indicador de inflação que o Federal Reserve efetivamente usa para perseguir sua meta de 2%. E no mesmo dia, o presidente do Fed, Kevin Warsh, faz seu primeiro discurso em Jackson Hole. Dado de inflação e sinalização de política monetária na mesma sexta-feira é combinação que costuma produzir volatilidade.
O que liga tudo
Existe um fio condutor. A semana anterior trouxe três surpresas positivas de atividade nos Estados Unidos — PMI composto a 56,0, índice da Filadélfia a 47,4 e pedidos de auxílio-desemprego em 206 mil —, com projeção de crescimento anualizado perto de 3,0%.
Se o PCE de sexta confirmar inflação resistente, o cenário de juro americano alto por mais tempo se consolida, o dólar ganha piso e o espaço do Banco Central para cortar a Selic encolhe. Se vier fraco, abre-se espaço para o mercado voltar a apostar em corte. Os dados brasileiros da semana são importantes, mas quem define o tom do câmbio e da Bolsa é o que sair de Washington e do Wyoming.
O que isso significa para o investidor
Semana de agenda cheia é semana de volatilidade, não de decisão. A tentação de reposicionar carteira antes de cada divulgação é justamente o comportamento que corrói retorno com corretagem e imposto, sem melhorar resultado.
O aproveitamento útil da agenda é outro: use-a para entender, não para operar. Se você tem título atrelado à inflação, o IPCA-15 diz como será a correção do período. Se tem contrato de aluguel, o IGP-M de sexta define reajuste. Se tem ação de exportadora, a balança comercial e as negociações tarifárias importam mais que o índice do dia. Com a Selic em 14% e o próximo Copom em 15 e 16 de setembro, quem está em pós-fixado atravessa a semana sem sobressalto. Acompanhe em indicadores.
Conteúdo informativo, sem recomendação de investimento. Datas e horários conforme calendários oficiais de divulgação, sujeitos a alteração pelos órgãos responsáveis.
Perguntas frequentes
Quais os principais indicadores da semana de 24 a 28 de agosto de 2026?
Boletim Focus e balança comercial semanal na segunda, Sondagem do Consumidor e leilão de LFT e NTN-B na terça, IPCA-15 na quarta, taxa de desemprego na quinta, e IGP-M, Caged, dados fiscais e o PCE americano na sexta, junto com o discurso em Jackson Hole.
Quando sai o IPCA-15 de agosto?
Na quarta-feira, 26 de agosto de 2026, às 12h. A expectativa de mercado é de deflação de 0,31% no mês, puxada pelo bônus de Itaipu creditado nas contas de luz, com o acumulado de 12 meses recuando para cerca de 4,34%.
Por que o discurso de Jackson Hole importa tanto?
Porque é o palco em que presidentes de bancos centrais tradicionalmente sinalizam mudanças de rumo, com espaço para apresentar um raciocínio completo. Neste ano, o discurso de Kevin Warsh ocorre no mesmo dia da divulgação do PCE de julho.
O que o leilão de títulos do Tesouro revela?
Quanto o mercado exige para financiar o governo. Demanda fraca ou taxa alta em leilão de NTN-B, o título atrelado à inflação, sinaliza desconfiança com a trajetória fiscal — sinal que costuma aparecer no câmbio nos dias seguintes.
O investidor deve mudar a carteira por causa da agenda?
Semana de agenda cheia é semana de volatilidade, não de decisão. Reposicionar carteira antes de cada divulgação corrói retorno com corretagem e imposto. O uso útil da agenda é entender o que cada dado afeta na sua posição específica.



