O Grupo Casas Bahia protocolou pedido de recuperação judicial no domingo (16) na Justiça de São Paulo, com R$ 17,3 bilhões em passivos. O pedido envolve a controladora e outras nove empresas do grupo. É a maior recuperação judicial do varejo brasileiro desde a da Americanas, em 2023.
O Grupo Casas Bahia (BHIA3) pediu recuperação judicial em 16 de agosto de 2026, declarando R$ 17,3 bilhões em passivos. Do total, R$ 16,4 bilhões são de credores quirografários, R$ 754 milhões trabalhistas e R$ 154 milhões de micro e pequenas empresas. O pedido inclui nove subsidiárias e a companhia negocia cerca de R$ 1 bilhão em financiamento novo para recompor estoque.
Principais pontos
- Pedido protocolado em 16 de agosto de 2026 na Justiça de São Paulo, envolvendo o grupo e nove empresas.
- Passivo declarado de R$ 17,3 bilhões, sendo R$ 16,4 bilhões de credores sem garantia.
- Dívidas trabalhistas somam R$ 754 milhões e débitos com micro e pequenas empresas, R$ 154 milhões.
- A companhia alegou juros altos, restrição de crédito e pressão sobre consumo e capital de giro.
- A empresa negocia cerca de R$ 1 bilhão em financiamento novo, metade para recompor estoque.
O que foi protocolado
O pedido chegou à Justiça de São Paulo no fim do domingo, 16 de agosto, e abrange o Grupo Casas Bahia mais nove empresas do conglomerado — entre elas a Cnova, a Bartira, a Casas Bahia Tecnologia e companhias ligadas à operação logística. Incluir as subsidiárias é decisão estratégica: protege a cadeia inteira, não só a holding.
Na justificativa apresentada ao juízo, a companhia citou ambiente macroeconômico desafiador, juros altos, restrição de crédito e pressão sobre o consumo e o capital de giro. É a primeira vez que a empresa recorre à via judicial — antes havia tentado uma recuperação extrajudicial, que é negociada com credores fora do tribunal.
Como se divide a dívida de R$ 17,3 bilhões
| Classe de credor | Valor | O que significa |
|---|---|---|
| Quirografários | R$ 16,4 bilhões | Sem garantia real — bancos, fornecedores, debenturistas |
| Trabalhistas | R$ 754 milhões | Prioridade de pagamento; limite de 150 salários mínimos por credor |
| Micro e pequenas empresas | R$ 154 milhões | Classe própria com regras específicas |
| Total | R$ 17,3 bilhões | — |
A concentração em quirografários — 95% do passivo — é o dado que define o caso. Essa é a classe que recebe por último e que costuma sofrer o maior desconto no plano de recuperação. Quem está nela, de banco a fornecedor pequeno, disputa o mesmo bolo.
A comparação com a Americanas
A referência inevitável é a Americanas, que pediu recuperação judicial em janeiro de 2023 com dívida declarada de cerca de R$ 43 bilhões. Em valor absoluto, a Casas Bahia é bem menor — pouco mais de um terço.
Mas há uma diferença de natureza que importa mais que o tamanho. O caso da Americanas envolveu inconsistências contábeis de bilhões que apareceram de surpresa. Aqui não há alegação desse tipo: o endividamento e a compressão de margem eram públicos e acompanhados havia anos. A crise era anunciada, o que muda a discussão sobre responsabilidade e sobre a confiança dos credores no plano.
O financiamento novo que a empresa busca
Paralelamente ao pedido, a companhia negocia cerca de R$ 1 bilhão em financiamento novo na modalidade conhecida como DIP — sigla em inglês para “devedor em posse”. Segundo o que se apurou, os principais interessados são o Banco do Brasil, o Bradesco e fundos de investimento, e nada estava formalizado até esta terça-feira.
Cerca de metade do valor iria para recomposição de estoque, que é o problema operacional mais urgente de um varejista em crise: fornecedor que suspende entrega deixa a loja vazia e a receita cai justamente quando ela é mais necessária. A empresa também busca liberar R$ 2 bilhões em depósitos judiciais e negociar dívidas tributárias com desconto. Explicamos a lógica desse tipo de empréstimo em como funciona o DIP financing.
O que muda a partir de agora
O pedido, por si só, não produz efeitos. É preciso que o juiz analise a documentação e profira o deferimento do processamento. Só a partir daí começa o prazo de suspensão das execuções e correm os prazos do plano. Detalhamos o rito em o que acontece depois do pedido de recuperação judicial.
Uma informação prática que vale repetir, porque circula muita desinformação: as lojas continuam abertas e a empresa segue obrigada a cumprir garantias, entregas e trocas. Recuperação judicial não é falência. Reunimos os direitos de quem tem compra pendente em o que muda para o consumidor.
O efeito na bolsa foi imediato
Na segunda-feira (17), BHIA3 desabou 33,33%, fechando a R$ 0,44. Os bancos caíram em bloco — o índice financeiro da B3 recuou 1,49% — e o Ibovespa emendou a décima sessão consecutiva de baixa.
Do outro lado, o Magazine Luiza subiu 8,18% e a Americanas avançou 1,60%: o mercado passou a apostar que as duas capturam vendas da concorrente enfraquecida. É a leitura clássica de um setor em consolidação forçada.
O que ainda não se sabe
Três pontos permanecem abertos e determinam o desfecho. Primeiro, se o juiz defere o processamento e em que condições. Segundo, se o financiamento de R$ 1 bilhão sai — sem caixa novo, estoque não volta e a receita continua caindo. Terceiro, qual desconto o plano proporá aos quirografários, informação que só existirá depois de apresentado.
Vale ser explícito sobre o limite desta reportagem: a lista completa de credores e os termos do plano ainda não são públicos. Qualquer estimativa de quanto cada credor vai recuperar, neste momento, é especulação. Para acompanhar os desdobramentos, veja as últimas notícias.
Conteúdo informativo, sem recomendação de compra ou venda. Dados conforme divulgados até 18 de agosto de 2026; o processo está em curso e os números podem ser alterados na habilitação de créditos.
Perguntas frequentes
Quando a Casas Bahia pediu recuperação judicial?
O pedido foi protocolado em 16 de agosto de 2026, um domingo, na Justiça de São Paulo, envolvendo o Grupo Casas Bahia e outras nove empresas do conglomerado.
Qual o valor da dívida da Casas Bahia?
R$ 17,3 bilhões em passivos declarados. Desse total, R$ 16,4 bilhões são de credores quirografários, R$ 754 milhões de dívidas trabalhistas e R$ 154 milhões de micro e pequenas empresas.
As lojas da Casas Bahia vão fechar?
Recuperação judicial não é falência. O objetivo é justamente manter a operação funcionando para gerar caixa e pagar credores. As lojas seguem abertas e as obrigações com consumidores continuam válidas.
A dívida da Casas Bahia é maior que a da Americanas?
Não. A Americanas pediu recuperação judicial em janeiro de 2023 com dívida declarada de cerca de R$ 43 bilhões, quase o triplo. A diferença de natureza também importa: naquele caso houve inconsistências contábeis, o que não é alegado aqui.
O que é um credor quirografário?
É o credor sem garantia real associada à dívida, como bancos sem colateral, fornecedores e debenturistas. Recebe depois das classes trabalhista e com garantia real, e normalmente sofre o maior desconto no plano.
Ativos citados nesta matéria
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