A Ânima Holding (ANIM3) registrou lucro líquido atribuível aos acionistas controladores de R$ 88,7 milhões no terceiro trimestre de 2026, crescimento de 142,7% sobre o mesmo período de 2025. A receita líquida consolidada chegou a R$ 1.085,8 milhões, alta de 7,9%, com avanço do Ânima Core e da Inspirali, enquanto o Ensino Digital encolheu.
Última cotação de ANIM3 na B3: R$ 2,39 (+3,02% no dia) em 05/11/2026 (fonte: Brapi).
Resumo rápido
A Ânima ampliou o lucro com crescimento da operação, menor amortização de ativos de aquisições e mudanças na participação de sócios das controladas. O aumento da receita veio acompanhado de mensalidades médias maiores nos segmentos acadêmicos, mas não de expansão generalizada do número de alunos. A alavancagem, relação entre a dívida líquida ajustada e uma medida do resultado operacional, caiu para 2,18 vezes, ante 2,41 vezes no trimestre anterior.
Principais pontos
- O lucro atribuível aos controladores acumulou R$ 224,0 milhões nos nove primeiros meses de 2026, alta de 58,0%.
- A receita líquida do Ânima Core cresceu 11,7% no trimestre, para R$ 617,2 milhões.
- O Ensino Digital teve receita de R$ 64,6 milhões, queda de 14,2% na comparação anual.
- A Inspirali, dedicada à educação médica, faturou R$ 404,0 milhões, avanço de 6,9%.
- A geração de caixa da empresa somou R$ 396,3 milhões, recuo de 4,0% sobre o terceiro trimestre de 2025.
- A dívida líquida ajustada encerrou o período em R$ 2.831,8 milhões, redução de 6,3% frente ao trimestre anterior.
Por que o lucro cresceu mais que a receita
O salto do lucro não veio apenas do aumento das receitas. Segundo a administração, contribuíram também o crescimento das despesas financeiras abaixo do avanço operacional, a redução da amortização de intangíveis de aquisições e as compras de participações de sócios minoritários das controladas. A amortização é o reconhecimento gradual, como despesa, do valor de ativos sem forma física adquiridos nessas operações.
O EBITDA ajustado ex-IFRS 16, medida do resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização, com ajustes da empresa e desconto das despesas de aluguel, atingiu R$ 347,3 milhões. O avanço foi de 14,6%. Sua margem, parcela da receita representada pelo indicador, passou de 30,1% para 32,0%. Essa medida não equivale ao lucro nem ao dinheiro que entrou no caixa.
O resultado financeiro, saldo entre receitas e despesas financeiras, continuou negativo em R$ 185,3 milhões, contra R$ 182,6 milhões um ano antes. Já as despesas gerais e administrativas caíram 1,4%, para R$ 123,9 milhões.
O lucro consolidado, antes de descontar a parcela dos sócios não controladores das subsidiárias, foi de R$ 123,0 milhões. Após essa dedução, chegou aos R$ 88,7 milhões destacados pela companhia. Excluídos os ajustes apresentados no release, o lucro ajustado atribuível aos controladores somou R$ 97,5 milhões, alta de 93,9%.
Core cresce com mensalidade média maior
No Ânima Core, que reúne principalmente a graduação presencial e semipresencial fora de medicina, a receita avançou mesmo com menos alunos. A base do Ensino Acadêmico terminou o trimestre em 191.852 estudantes, queda de 2,3% na comparação anual.
O tíquete líquido médio, receita mensal média por aluno, subiu 14,8%, para R$ 1.033. A empresa atribuiu parte desse aumento à redução de bolsas comerciais na parcela de rematrícula dos veteranos. Sem esse efeito, concentrado na primeira parcela do semestre, o crescimento seria de aproximadamente 10,0%, segundo a companhia.
A atração, número de novos alunos que ingressaram na graduação, aumentou 4,7%. A evasão, proporção de estudantes que deixaram os cursos, ficou em 12,7%, patamar que a administração considerou normalizado após as dificuldades operacionais do primeiro semestre. Mais ingressantes não significam automaticamente uma base maior: saídas e formaturas também entram nessa conta.
O resultado operacional ajustado do Core, indicador gerencial que exclui despesas corporativas e determinados efeitos contábeis e não recorrentes, cresceu 24,9%, para R$ 257,7 milhões. Sua margem passou de 37,4% para 41,8%.
Ensino Digital perde alunos e receita
O Ensino Digital seguiu na direção oposta. A base acadêmica caiu 18,5%, para 85.819 alunos, e a entrada de estudantes recuou 15,2%. Segundo a Ânima, pesaram as restrições do novo marco regulatório à oferta de determinados cursos e uma mudança no processo de matrícula.
A companhia passou a considerar matriculados apenas os alunos que pagaram o primeiro boleto. Por isso, a comparação da entrada de estudantes também reflete uma mudança de critério, além das limitações de oferta. Quando considera somente os cursos oferecidos nos dois períodos, a empresa informa crescimento de 16,4% na atração.
A mensalidade média acadêmica aumentou 5,2%, para R$ 242, mas não compensou a redução da base. A receita acadêmica caiu 14,3%, para R$ 62,4 milhões. A evasão diminuiu de 22,0% para 19,8%, e o compartilhamento de estruturas com o Core ajudou a conter despesas.
Inspirali amplia receita, mas tem margem menor
A Inspirali encerrou o trimestre com 12.267 alunos de graduação médica, crescimento de 0,4%. O tíquete médio desses cursos avançou 6,2%, para R$ 10.268 mensais, e a receita da graduação aumentou 6,6%, para R$ 377,9 milhões.
Na educação médica continuada, que abrange pós-graduação em medicina, a receita cresceu 11,3%, para R$ 26,1 milhões. A expansão do número de estudantes compensou a queda do tíquete médio, que a companhia relacionou à maior participação de cursos de menor valor na oferta.
O resultado operacional da Inspirali avançou 3,0%, para R$ 206,6 milhões, mas sua margem caiu de 53,1% para 51,1%. A empresa citou investimentos em convênios e preceptorias, atividades de supervisão prática do ensino médico, além do aumento das perdas estimadas com créditos de liquidação duvidosa, provisões para valores que podem não ser recebidos.
Em outubro, após o trimestre, a companhia anunciou o acordo entre Inspirali e Einstein para consultoria e assessoramento acadêmico, também mencionado no release.
Caixa operacional sobe, mas recebimentos limitam o avanço
A geração de caixa operacional aumentou 16,6%, para R$ 445,1 milhões. Depois das movimentações do capital de giro, recursos ligados ao funcionamento cotidiano do negócio, e dos investimentos, a geração de caixa da empresa ficou em R$ 396,3 milhões, abaixo dos R$ 412,8 milhões de um ano antes.
A diferença passa pelas contas a receber. A Ânima informou aumento dos financiamentos estudantis e optou por não antecipar recebíveis de financiamento privado no trimestre, ao contrário do período comparável. Antecipar recebíveis significa receber antes valores previstos para o futuro.
O prazo médio de recebimento subiu de 82 para 91 dias na comparação anual. Ainda assim, a geração de caixa contribuiu para reduzir a dívida líquida ajustada frente ao trimestre anterior. A queda da alavancagem combinou essa redução com o crescimento do EBITDA dos últimos 12 meses, conforme a companhia.
O que muda para o acionista
O balanço mostra lucro maior com comportamentos diferentes dentro do grupo: Core e Inspirali ampliaram receitas, enquanto o Digital perdeu volume. Também separa duas questões que não caminharam juntas no trimestre: a rentabilidade aumentou, mas a geração de caixa da empresa recuou na comparação anual.
A aquisição da FMU permanece em análise pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o Cade. A administração estima concluir a transação nos próximos meses; trata-se de uma expectativa, não de um fechamento confirmado. O próximo evento previsto no release é o webinar de resultados de 6 de novembro de 2026, às 10h, no horário de Brasília.
Perguntas frequentes
Quanto a Ânima lucrou no terceiro trimestre?
A Ânima registrou R$ 88,7 milhões de lucro líquido atribuível aos acionistas controladores no terceiro trimestre de 2026. O valor cresceu 142,7% em relação ao mesmo trimestre de 2025.
Como a receita cresceu se alguns segmentos perderam alunos?
A receita também depende do valor médio recebido por estudante, não apenas da quantidade de matrículas. No Ensino Acadêmico do Core, o tíquete médio aumentou 14,8%, enquanto a base de alunos caiu 2,3%.
A dívida da Ânima diminuiu?
A dívida líquida ajustada caiu 6,3% em relação ao segundo trimestre de 2026, para R$ 2.831,8 milhões. A relação dessa dívida com o EBITDA ajustado ex-IFRS 16 dos últimos 12 meses passou de 2,41 para 2,18 vezes.
A compra da FMU já foi concluída?
Não: o release informa que a operação está em análise pelo Cade. A companhia estima o fechamento nos próximos meses, sem apresentar uma data definitiva.
Quando será a apresentação dos resultados?
O webinar está marcado para 6 de novembro de 2026, às 10h, no horário de Brasília. O release prevê acesso em português e em inglês.
Ativos citados nesta matéria
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