A Dimed S.A. Distribuidora de Medicamentos (PNVL3), do Grupo Panvel, registrou lucro líquido ajustado de R$ 46,4 milhões no terceiro trimestre de 2026, alta de 35,4% sobre o mesmo período de 2025. Essa medida exclui efeitos como baixas de ativos e outros ajustes identificados pela companhia. A receita bruta consolidada alcançou R$ 1,705 bilhão, crescimento de 15,3%.
Última cotação de PNVL3 na B3: R$ 10,70 (+2,10% no dia) em 05/11/2026 (fonte: Brapi).
Resumo rápido
A Dimed ampliou as vendas e fez as despesas comerciais crescerem em ritmo menor que o faturamento, o que ajudou a elevar o resultado. A Panvel encerrou o trimestre com 677 farmácias, enquanto os canais digitais responderam por 46,6% da receita bruta do varejo. O caixa livre aumentou no trimestre, mas caiu no acumulado dos nove primeiros meses de 2026.
Principais pontos
- O lucro líquido ajustado atingiu R$ 46,4 milhões, com crescimento anual de 35,4%.
- O EBITDA ajustado, indicador de resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização, com ajustes da companhia, somou R$ 96,8 milhões, alta de 21,2%.
- As vendas em mesmas lojas, comparação entre unidades presentes nas duas bases analisadas, cresceram 13,3%.
- Os canais digitais movimentaram R$ 792,4 milhões, avanço de 103,6% sobre o terceiro trimestre de 2025.
- A rede inaugurou 14 farmácias e terminou o período com 677 unidades.
- O fluxo de caixa livre, saldo da geração operacional após investimentos na apresentação gerencial, foi de R$ 19,9 milhões.
Despesas menores em proporção às vendas sustentam o lucro
O resultado cresceu mesmo com uma redução na margem bruta do varejo, parcela das vendas que sobra após custos das mercadorias e deduções consideradas pela empresa. Ela passou de 29,9% para 29,7%. Ainda assim, o lucro bruto do varejo aumentou 14,5%, para R$ 504,5 milhões.
A compensação veio das despesas com vendas. Elas somaram R$ 370,8 milhões, alta de 12,0%, abaixo do avanço das receitas. Seu peso no faturamento bruto do grupo caiu de 22,4% para 21,7%. Segundo a companhia, houve diluição de gastos nas lojas e na logística, principalmente com pessoal, aluguel e perdas de estoques.
Com isso, a margem EBITDA ajustada chegou a 5,7%, aumento de 0,3 ponto percentual — a diferença direta entre os percentuais. A margem líquida ajustada, parcela da receita bruta convertida nesse lucro, subiu para 2,7%.
A tributação também contribuiu. A alíquota efetiva dos tributos sobre o lucro caiu de 25,4% para 17,2%. A administração atribuiu a redução à maior deliberação de juros sobre capital próprio, remuneração ao acionista que pode ser deduzida pela empresa no cálculo tributário.
Os indicadores destacados seguem a IAS 17, metodologia contábil anterior de aluguéis usada para preservar a comparação histórica. Pela regra atual, IFRS 16, que altera o registro de contratos de aluguel, o lucro líquido sem ajustes foi de R$ 42,1 milhões, alta de 34,6%. São bases diferentes, não resultados intercambiáveis.
Medicamentos e produtividade puxam a receita
O varejo respondeu por R$ 1,699 bilhão da receita bruta, com crescimento de 15,3%. Foi o quarto trimestre consecutivo de expansão acima de 15% nessa operação. Nos nove primeiros meses, o faturamento bruto do varejo chegou a R$ 4,886 bilhões, avanço de 15,4%.
O desempenho não dependeu apenas de inaugurações. As vendas em mesmas lojas cresceram 13,3%, enquanto as unidades classificadas pela companhia como maduras avançaram 11,5%. A venda média mensal por loja alcançou R$ 837 mil, aumento de 10,9%. O valor médio por compra foi de R$ 101,15, alta de 7,7%.
Os medicamentos lideraram a expansão, com crescimento de 17,4% e participação de 65,2% nas vendas. Dentro dos medicamentos de marca, os produtos GLP-1 avançaram 68,8% e passaram a representar 11,8% das vendas efetivas do varejo. Excluindo esses produtos, a venda de medicamentos de marca cresceu 10,1%. Higiene e beleza avançou 12,4%.
Digital inclui também a compra feita dentro da farmácia
As vendas digitais de R$ 792,4 milhões representaram 46,6% da receita bruta do varejo, contra 26,4% um ano antes. O aplicativo concentrou 78,5% do faturamento digital e registrou crescimento de 271,0% nas vendas.
Esse avanço precisa ser lido junto com a mudança na jornada de atendimento. Segundo o relatório, o trimestre foi o primeiro completo sob efeito pleno do projeto de digitalização do cliente em loja, iniciado em abril. O aplicativo passou a fazer parte também da compra presencial, e não apenas dos pedidos feitos à distância.
Por isso, participação digital não significa participação exclusiva de entregas em casa. Dos pedidos digitais do trimestre, 67,1% corresponderam a compras realizadas em loja e 32,9% a pedidos com entrega em casa.
A integração apareceu na base de consumidores: os clientes que compram tanto nos canais físicos quanto nos digitais chegaram a 1,8 milhão, alta de 64,2%. Segundo a companhia, esse público apresenta frequência de compra e gasto médio superiores aos demais.
Rede retoma expansão e chega a 677 farmácias
A Panvel inaugurou 14 lojas no trimestre: cinco no Rio Grande do Sul, duas em Santa Catarina, cinco no Paraná e duas em São Paulo. Houve um encerramento, e o saldo foi de 13 unidades adicionais. A rede passou de 664 farmácias em junho para 677 em setembro.
Nos nove primeiros meses de 2026, foram 26 aberturas e oito encerramentos, dos quais quatro corresponderam a transferências para novos pontos. Ao final do trimestre, 79,3% das lojas eram maduras e 20,7% estavam em processo de maturação.
Essa divisão ajuda a separar expansão física de produtividade. Uma loja recém-aberta ainda está construindo sua base de clientes; uma unidade madura já permite observar uma operação mais estabelecida. O desempenho de cada grupo mostra como as novas aberturas e a rede existente contribuem para as vendas.
Caixa cresce no trimestre, mas recua nos nove meses
O fluxo de caixa livre de R$ 19,9 milhões cresceu 24,2% e marcou o sétimo trimestre consecutivo de geração positiva. Isso ocorreu apesar de o caixa operacional cair 11,3%, para R$ 65,0 milhões. Na tabela de fluxo de caixa, os investimentos também diminuíram, de R$ 57,3 milhões para R$ 45,1 milhões, permitindo o aumento do saldo livre.
No acumulado de nove meses, a direção foi diferente: o caixa livre caiu 46,8%, para R$ 34,2 milhões. O caixa operacional recuou 25,9%. Essa diferença mostra por que o crescimento do lucro não se traduz automaticamente em igual crescimento do dinheiro disponível: estoques, recebimentos e pagamentos também afetam o caixa.
A dívida líquida, que desconta caixa e aplicações das obrigações financeiras, encerrou setembro em R$ 320,2 milhões, praticamente estável frente a junho. A relação entre dívida líquida e EBITDA ajustado dos últimos doze meses caiu de 0,9 para 0,8 vez. Segundo a empresa, a redução refletiu o crescimento do resultado, não uma queda relevante da dívida líquida.
O que muda para o acionista
O balanço mostra uma combinação de aumento de vendas, menor peso das despesas comerciais e redução da alíquota efetiva sobre o lucro. Ao mesmo tempo, o caixa acumulado teve trajetória distinta do resultado. Para interpretar o trimestre, essas medidas respondem a perguntas diferentes: rentabilidade, geração de dinheiro e endividamento.
O relatório também reúne remunerações já deliberadas. Nos nove primeiros meses de 2026, o conselho aprovou R$ 49 milhões em juros sobre capital próprio. Desse total, R$ 18 milhões correspondem ao terceiro trimestre, divididos em parcelas de R$ 6 milhões com pagamentos previstos para março, abril e maio de 2028. O calendário de pagamento é separado do período em que a remuneração foi aprovada.
Perguntas frequentes
Quanto a Dimed lucrou no terceiro trimestre?
O lucro ajustado foi de R$ 46,4 milhões, crescimento de 35,4% na comparação anual, na metodologia histórica apresentada pela empresa. Pelas normas atuais de contabilização de aluguéis, o lucro líquido sem ajustes somou R$ 42,1 milhões.
Quase metade das vendas da Panvel já é pela internet?
Os canais digitais representaram 46,6% da receita bruta do varejo, mas esse indicador também inclui compras realizadas dentro das farmácias com integração ao aplicativo. Do total de pedidos digitais, 67,1% foram compras em loja.
Por que o lucro cresceu mais que as vendas?
As despesas comerciais aumentaram menos que o faturamento e passaram a consumir uma parcela menor da receita. Além disso, a alíquota efetiva dos tributos sobre o lucro caiu, contribuindo para o resultado.
A empresa gerou mais dinheiro no período?
No trimestre, o caixa livre aumentou 24,2% e chegou a R$ 19,9 milhões. Já no acumulado de nove meses, ficou em R$ 34,2 milhões, queda de 46,8% em relação ao mesmo intervalo de 2025.
Quando serão pagos os juros sobre capital próprio do 3T26?
O relatório prevê pagamentos em março, abril e maio de 2028. Cada parcela tem montante de R$ 6 milhões, somando R$ 18 milhões referentes ao terceiro trimestre.
Ativos citados nesta matéria
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