A Aura Minerals registrou lucro líquido de US$ 135 milhões no terceiro trimestre de 2026 e atingiu a maior produção trimestral de sua história. O lucro ficou 38% abaixo do trimestre anterior, principalmente pela redução de um ganho contábil com contratos de proteção do ouro, enquanto a receita e o resultado operacional cresceram.
Resumo rápido
A Aura produziu 95.557 onças equivalentes de ouro, medida que reúne diferentes metais em uma unidade comum, e teve receita líquida de US$ 386 milhões no terceiro trimestre. Borborema bateu recorde e MSG avançou em sua reestruturação operacional. O lucro ajustado, que retira determinados efeitos contábeis, subiu 24% sobre o trimestre anterior, apesar da queda do lucro líquido.
Principais pontos
- A produção cresceu 27% frente ao segundo trimestre e 29% sobre o terceiro trimestre de 2025.
- A receita líquida aumentou 56% na comparação anual, para US$ 386 milhões.
- O lucro líquido ajustado chegou a US$ 121,2 milhões, alta anual de 77%.
- A geração de caixa das operações somou US$ 167,9 milhões, avanço de 50% no trimestre.
- A dívida líquida encerrou o período em US$ 178,8 milhões, praticamente estável frente ao trimestre anterior.
- A companhia manteve a previsão de produzir entre 340 mil e 390 mil onças equivalentes de ouro em 2026.
Borborema e MSG puxam o recorde de produção
A produção da Aura combina ouro e outros metais na medida chamada GEO, sigla em inglês para onças equivalentes de ouro. Como essa conversão usa preços dos metais, uma mudança na relação entre eles pode alterar o indicador mesmo sem uma variação correspondente no volume físico extraído.
Por isso, o relatório também apresenta a comparação a preços constantes. Nesse recorte, a produção cresceu 26% sobre o trimestre anterior e 25% em relação ao terceiro trimestre de 2025. Segundo a companhia, esses números confirmam que a melhora veio do desempenho operacional, e não apenas dos preços usados na conversão.
Borborema produziu 22.842 GEO, alta trimestral de 60%, e respondeu por cerca de 24% do total da Aura. A operação processou mais minério e alcançou áreas de maior teor — isto é, com mais ouro por quantidade de rocha. A melhora na filtragem também ajudou.
MSG produziu 13.321 GEO, avanço de 85% no trimestre, com maior volume processado, teor mais alto e melhora na recuperação, a parcela do metal contido no minério que a operação consegue extrair. Aranzazu também cresceu. Já Almas e Minosa produziram menos que no trimestre anterior, limitando parte do avanço consolidado.
Por que o lucro caiu enquanto a operação cresceu
A receita líquida aumentou 15% sobre o segundo trimestre, principalmente pelo maior volume vendido. As vendas chegaram a 93.794 GEO, alta de 20% nessa comparação. Na comparação anual, tanto o volume quanto os preços realizados dos metais contribuíram para a expansão da receita.
O EBITDA ajustado, indicador do resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização, com ajustes adotados pela companhia, alcançou US$ 236,9 milhões. Foi um crescimento de 20% no trimestre e de 56% em um ano. A margem desse indicador, sua proporção em relação à receita, ficou em 61%.
A queda do lucro líquido teve outra origem. O ganho não realizado com derivativos de ouro, contratos usados para proteção de preço, recuou de US$ 126 milhões no segundo trimestre para US$ 12,7 milhões. Esse ganho decorre da marcação a mercado: a atualização contábil do valor dos contratos ainda em aberto, sem representar entrada de dinheiro naquele momento.
O efeito menor mais do que anulou o crescimento do lucro operacional. Na comparação anual, ocorreu o contrário: o terceiro trimestre de 2025 havia registrado perda não realizada de US$ 75,3 milhões com essas posições, e o lucro líquido daquele período foi de US$ 5,6 milhões.
O lucro ajustado retira o ganho não-caixa com a proteção do ouro, o efeito cambial e os impostos diferidos sobre itens não monetários indicados no relatório. Por esse critério, o resultado cresceu tanto no trimestre quanto em um ano. É uma leitura diferente da contábil, não uma substituição dela.
Custos recuam no trimestre, mas continuam acima de 2025
O custo caixa, medida dos gastos operacionais por unidade produzida ou vendida conforme o indicador, ficou em US$ 1.395 por GEO. Houve queda de 8% sobre o segundo trimestre, mas alta de 26% em relação ao mesmo período de 2025.
Já o AISC, indicador mais amplo que inclui gastos necessários para sustentar a operação, como investimentos de manutenção, chegou a US$ 1.953 por GEO. O valor caiu 2% no trimestre e subiu 40% em um ano.
A entrada de MSG na consolidação explica parte da diferença anual: a aquisição foi concluída em dezembro de 2025. Sem essa unidade, o AISC teria sido de US$ 1.673 por GEO, ainda 20% acima do terceiro trimestre do ano anterior.
Os custos também variaram entre minas. Em Apoena, os investimentos no desenvolvimento da Cava Nosde elevaram o AISC, apesar da melhora de produção. Em Borborema, houve maior retirada de estéril, material sem aproveitamento econômico que precisa ser removido para acessar o minério. A Aura espera custos menores no quarto trimestre com o aumento previsto de produção.
Caixa financia expansão, dividendos e recompras
O fluxo de caixa livre recorrente, medida usada pela Aura para mostrar a sobra recorrente de caixa após os desembolsos considerados em seu cálculo, foi de US$ 123,5 milhões. O resultado cresceu 54% frente ao segundo trimestre e 66% na comparação anual.
Segundo o relatório, o aumento do resultado operacional e os menores pagamentos de imposto de renda e de contratos de proteção compensaram investimentos maiores e mais recursos presos em estoques de minério e impostos a recuperar.
A companhia pagou US$ 71 milhões em dividendos e recompras de ações e destinou US$ 55 milhões a investimentos de expansão. Essas saídas foram quase integralmente cobertas pelo fluxo de caixa livre recorrente. A alavancagem, relação entre dívida líquida e EBITDA ajustado dos últimos doze meses, ficou em 0,20 vez.
Os investimentos totais em ativos e projetos somaram US$ 96,6 milhões no trimestre. Era Dorada alcançou 13,1% de avanço físico e, segundo a Aura, permanece dentro do prazo e do orçamento. A empresa também contratou um empréstimo sindicalizado, concedido por um grupo de credores, de US$ 200 milhões para apoiar sua expansão.
O que muda para o acionista
O resultado mostra uma operação maior, mas também evidencia como os contratos de proteção do ouro podem fazer o lucro contábil seguir uma direção diferente da produção e do caixa. Nos nove meses, a Aura acumulou lucro líquido de US$ 447,8 milhões e produção de 253.131 GEO.
A companhia afirma seguir alinhada à previsão anual de produção. Para o quarto trimestre, espera acesso a áreas de maior teor em Almas e Apoena e redução dos custos consolidados.
Outra mudança prevista é a operação direta da frota hoje terceirizada em Apoena, Almas e Borborema. A transição está programada para janeiro de 2027. Pelas estimativas internas da Aura, a medida deve reduzir o AISC dessas operações, mas o fechamento ainda depende de condições contratuais e da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o Cade.
Perguntas frequentes
Quanto a Aura Minerals lucrou no terceiro trimestre?
A Aura teve lucro líquido de US$ 135 milhões no terceiro trimestre de 2026. O valor caiu 38% sobre o segundo trimestre, mas superou os US$ 5,6 milhões registrados um ano antes.
Por que o lucro caiu se a empresa produziu mais?
A principal razão foi a redução do ganho contábil com contratos de proteção do ouro, de US$ 126 milhões para US$ 12,7 milhões. Essa mudança superou o aumento do lucro operacional na comparação trimestral.
O que são essas onças equivalentes de ouro?
São uma unidade que permite reunir a produção de diferentes metais em uma medida comum, chamada GEO. Como a conversão depende dos preços relativos dos metais, a Aura também apresenta comparações a preços constantes.
A Aura manteve sua previsão de produção para 2026?
Sim, a companhia manteve a faixa de 340 mil a 390 mil GEO para o ano. Até o fim dos nove meses, havia produzido 253.131 GEO.
A mudança na frota das minas já foi concluída?
Não: o relatório prevê a transição para janeiro de 2027. A conclusão depende de condições precedentes, incluindo a aprovação do Cade, e abrange as frotas de Apoena, Almas e Borborema.



