Insalubridade paga R$ 162,10, R$ 324,20 ou R$ 648,40 por mês, conforme o grau — sempre sobre o salário mínimo. Periculosidade paga 30% do salário base, o que em R$ 3.000 dá R$ 900. E os dois não se acumulam: o trabalhador escolhe um.
O adicional de insalubridade é de 10%, 20% ou 40% sobre o salário mínimo, conforme o grau de exposição, o que resulta em R$ 162,10, R$ 324,20 ou R$ 648,40 em 2026. O de periculosidade é de 30% sobre o salário base, sem adicionais. O adicional noturno é de 20% sobre a hora, com hora reduzida de 52 minutos e 30 segundos. Insalubridade e periculosidade não podem ser acumuladas.
Principais pontos
- A insalubridade é de 10%, 20% ou 40% sobre o salário mínimo, conforme o grau.
- Em 2026, os valores são R$ 162,10, R$ 324,20 e R$ 648,40 por mês.
- A periculosidade é de 30% sobre o salário base, o que dá R$ 900 em um salário de R$ 3.000.
- Os dois adicionais não se acumulam: o trabalhador opta pelo mais vantajoso.
- O adicional noturno é de 20% e a hora noturna vale 52 minutos e 30 segundos.
Insalubridade: três graus, uma base
O adicional de insalubridade remunera a exposição a agentes nocivos à saúde — ruído, calor, agentes químicos, biológicos, radiação — acima dos limites de tolerância definidos em norma regulamentadora.
São três graus, e o percentual incide sobre o salário mínimo, não sobre o salário do trabalhador: 10% para grau mínimo, 20% para médio e 40% para máximo.
| Grau | Percentual | Valor em 2026 |
|---|---|---|
| Mínimo | 10% | R$ 162,10 |
| Médio | 20% | R$ 324,20 |
| Máximo | 40% | R$ 648,40 |
Uma observação relevante: como a base é o mínimo, o valor é igual para todos os trabalhadores no mesmo grau, independentemente do salário. Um trabalhador que ganha R$ 2.000 e outro que ganha R$ 10.000, ambos em grau médio, recebem os mesmos R$ 324,20.
Existe discussão jurídica antiga sobre essa base de cálculo, com decisões divergentes ao longo do tempo, e convenções coletivas podem estabelecer base mais favorável. Vale conferir o acordo da categoria.
Periculosidade: percentual único, base maior
O adicional de periculosidade remunera atividades com risco à vida, não à saúde: contato com inflamáveis, explosivos, energia elétrica, radiação ionizante, além de atividades de segurança pessoal ou patrimonial e uso de motocicleta no trabalho.
O percentual é único — 30% —, mas a base é diferente: incide sobre o salário base, sem acréscimo de gratificações, prêmios ou participação nos lucros. Em um salário de R$ 3.000, são R$ 900 mensais.
Por isso, para quem ganha acima do mínimo, a periculosidade costuma ser bem mais vantajosa que a insalubridade — R$ 900 contra R$ 648,40 no grau máximo, no exemplo acima.
Por que não acumulam
A CLT determina que, quando o trabalhador tem direito aos dois adicionais, ele deve optar por um. Não é possível receber ambos simultaneamente, ainda que a exposição a agentes insalubres e a condições perigosas seja real e comprovada.
Há discussão jurídica sobre essa vedação, com posições divergentes nos tribunais, mas a regra que se aplica na prática segue sendo a da opção. Financeiramente, a escolha é aritmética: compara-se 30% do salário base com o valor do grau de insalubridade e escolhe-se o maior.
Para quem ganha o mínimo em grau máximo, a insalubridade daria R$ 648,40 e a periculosidade, R$ 486,30 — a insalubridade venceria. Para salários acima de aproximadamente R$ 2.161, a periculosidade passa a ser mais vantajosa.
Adicional noturno: dois benefícios em um
O trabalho noturno urbano — realizado entre 22h e 5h — dá direito a acréscimo de 20% sobre o valor da hora. Em um salário de R$ 3.000, com hora de R$ 13,64, o adicional é de R$ 2,73 por hora noturna.
Mas há um segundo benefício que muita gente desconhece: a hora noturna é reduzida, valendo 52 minutos e 30 segundos em vez de 60. Na prática, quem trabalha das 22h às 5h cumpre sete horas de relógio, mas recebe por oito horas noturnas.
Os dois efeitos se somam, o que torna o trabalho noturno bem mais remunerado do que o percentual de 20% sugere isoladamente. Para o trabalhador rural, os horários e percentuais seguem regras próprias.
Como o direito é reconhecido
Insalubridade e periculosidade não dependem da percepção do trabalhador nem da vontade da empresa: exigem laudo técnico elaborado por médico do trabalho ou engenheiro de segurança, que avalia a exposição real e o enquadramento na norma regulamentadora.
O fornecimento de equipamento de proteção individual eficaz pode eliminar ou reduzir o grau de insalubridade — e, com ele, o adicional. Isso é legal e é a finalidade da norma: o objetivo é proteger a saúde, não remunerar o risco.
No caso da periculosidade, o EPI não elimina o adicional, porque o risco à vida permanece mesmo com proteção.
O impacto nas demais verbas
Os três adicionais integram a remuneração para vários efeitos, o que amplia o valor real recebido. Eles compõem a base do 13º salário, das férias com o terço, do FGTS e do aviso prévio.
Também entram no cálculo das horas extras: quem recebe periculosidade tem a hora extra calculada sobre o salário acrescido do adicional, o que eleva o valor de cada hora. O cálculo está em como calcular horas extras.
Se o adicional deixa de ser devido — por mudança de função ou eliminação do risco —, ele pode ser suprimido, já que remunera uma condição, não constitui direito adquirido permanente. Vale conferir tudo no holerite e comparar com o cálculo do salário líquido.
Conteúdo informativo e educacional, sem aconselhamento trabalhista. Valores calculados sobre o salário mínimo de R$ 1.621 vigente em 2026; convenções coletivas e decisões judiciais podem estabelecer condições e bases de cálculo diferentes.
Perguntas frequentes
Qual o valor do adicional de insalubridade em 2026?
R$ 162,10 no grau mínimo, R$ 324,20 no médio e R$ 648,40 no máximo, correspondentes a 10%, 20% e 40% do salário mínimo de R$ 1.621.
Como se calcula a periculosidade?
É um adicional de 30% sobre o salário base, sem gratificações ou prêmios. Em um salário de R$ 3.000, corresponde a R$ 900 mensais.
Dá para receber insalubridade e periculosidade juntas?
Não. A CLT determina que o trabalhador opte por um dos dois. Financeiramente, compara-se 30% do salário base com o valor do grau de insalubridade e escolhe-se o maior.
Como funciona o adicional noturno?
É de 20% sobre a hora, para trabalho entre 22h e 5h no meio urbano. Além disso, a hora noturna é reduzida e vale 52 minutos e 30 segundos, o que aumenta o total de horas pagas.
O EPI elimina o adicional?
Pode eliminar ou reduzir o de insalubridade, se for eficaz em neutralizar o agente nocivo. No caso da periculosidade, o equipamento não elimina o adicional, porque o risco à vida permanece.



