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CBA tem lucro recorde de R$ 616 milhões no 3T26, com ganho em renegociação

CBA registra lucro recorde de R$ 616 milhões no 3T26. Entenda o peso da renegociação de obrigações, das vendas de alumínio e da queda da alavancagem.

CBA tem lucro recorde de R$ 616 milhões no 3T26, com ganho em renegociação

A Companhia Brasileira de Alumínio (CBAV3), a CBA, registrou lucro líquido recorde de R$ 616 milhões no terceiro trimestre de 2026, alta de 367% sobre o mesmo período de 2025 e de 50% frente ao trimestre anterior. O resultado teve contribuição de um ganho líquido de R$ 315 milhões com a renegociação de obrigações de Uso do Bem Público (UBP), ligadas à geração de energia.

Última cotação de CBAV3 na B3: R$ 11,28 (+0,71% no dia) em 04/11/2026 (fonte: Brapi).

Resumo rápido

A CBA alcançou receita líquida trimestral recorde de R$ 2,654 bilhões, com vendas de alumínio estáveis na comparação anual. O resultado operacional ajustado cresceu em relação ao terceiro trimestre de 2025, mas caiu diante do trimestre anterior. Já o lucro líquido avançou nas duas comparações, principalmente pelo efeito financeiro da renegociação de UBP.

Principais pontos

  • O lucro líquido chegou a R$ 616 milhões, ante R$ 132 milhões no terceiro trimestre de 2025.
  • A receita líquida consolidada cresceu 18% em um ano e 3% frente ao segundo trimestre de 2026.
  • O volume vendido de alumínio foi de 132 mil toneladas, estável na comparação anual.
  • O EBITDA ajustado somou R$ 565 milhões, alta anual de 142% e queda trimestral de 20%.
  • A renegociação de UBP gerou desembolso líquido de R$ 262 milhões e ganho líquido de R$ 315 milhões.
  • A relação entre dívida líquida e resultado operacional ajustado caiu para 1,38 vez, ante 1,68 vez em junho.

Renegociação de obrigações explica o salto do lucro

A CBA concluiu no trimestre a liquidação financeira da renegociação das obrigações de UBP, nos termos da Lei nº 15.235/2025. A operação reduziu compromissos futuros de caixa e permitiu reconhecer desconto de R$ 526 milhões no resultado financeiro. Depois dos efeitos tributários, o ganho líquido foi de R$ 315 milhões.

Esse desconto ajuda a explicar por que o lucro cresceu mesmo com a queda do resultado operacional frente ao segundo trimestre. O resultado financeiro líquido, que reúne receitas e despesas financeiras, ficou positivo em R$ 426 milhões. No trimestre anterior, havia sido positivo em R$ 41 milhões; um ano antes, representava despesa líquida de R$ 51 milhões.

O ganho contábil não foi uma entrada equivalente de dinheiro. A renegociação exigiu pagamento líquido de R$ 262 milhões, com impacto no caixa. São efeitos diferentes da mesma operação: a companhia desembolsou recursos para liquidar obrigações e reconheceu no lucro o benefício obtido com o desconto.

Receita recorde veio com volume de vendas estável

A receita líquida consolidada de R$ 2,654 bilhões foi a maior da história da CBA em um trimestre, segundo a companhia. O negócio de alumínio respondeu por R$ 2,533 bilhões, crescimento anual de 19%. Como o volume total vendido permaneceu em 132 mil toneladas, o avanço da receita não dependeu de vender mais metal na comparação anual.

A empresa atribuiu o crescimento principalmente aos maiores preços obtidos nas vendas e à composição dos produtos comercializados. Os itens de maior valor agregado representaram 80% das vendas de alumínio primário. São produtos com características que permitem capturar valor além da referência básica do metal.

As vendas de primários somaram 73 mil toneladas. As de transformados ficaram em 31 mil toneladas, recuo anual de 9%, enquanto a reciclagem alcançou 28 mil toneladas, alta de 8%. O mercado brasileiro recebeu 85% do volume total; as exportações ficaram com 15%, ante 12% um ano antes.

A referência internacional também influenciou as receitas. O alumínio teve preço médio de US$ 3.226 por tonelada na London Metal Exchange (LME), bolsa usada como referência para o metal: alta anual de 23,2%, mas queda de 9,7% frente ao trimestre anterior.

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Resultado operacional cresceu em um ano, mas recuou no trimestre

O EBITDA ajustado, medida do resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização, com ajustes definidos pela companhia, atingiu R$ 565 milhões. Esse indicador ajuda a observar a operação sem misturar todos os efeitos financeiros e tributários que entram no lucro líquido.

O valor cresceu 142% sobre o terceiro trimestre de 2025, mas caiu 20% diante dos R$ 705 milhões do segundo trimestre de 2026. A margem EBITDA ajustada, parcela da receita convertida nesse resultado, ficou em 21%. Isso representa avanço de 11 pontos percentuais em um ano e recuo de 6 pontos percentuais no trimestre.

Segundo a CBA, a queda trimestral refletiu menor contribuição operacional dos negócios de alumínio e energia. Também houve redução de R$ 21 milhões nos dividendos recebidos de empresas não consolidadas do segmento de energia, considerados no ajuste do indicador. Além disso, o trimestre anterior havia contado com um efeito positivo de R$ 45 milhões, sem equivalente no período atual.

Energia própria reduziu o custo de produzir alumínio

A produção de alumínio líquido foi de 94 mil toneladas, estável frente ao trimestre anterior e 1% maior que um ano antes. O custo médio de produção caiu para R$ 11.845 por tonelada, redução de 0,4% no trimestre e de 2,3% em um ano. Segundo a companhia, foi o menor nível desde o primeiro trimestre de 2025.

A geração própria de energia cresceu 9% em relação ao segundo trimestre e 15% na comparação anual. Ela atendeu a 100% das necessidades energéticas da operação de alumínio no período, contribuindo para a redução do custo de produção.

Mesmo assim, o custo dos produtos vendidos, que registra o gasto associado aos itens efetivamente comercializados, subiu 6% no trimestre, para R$ 2,127 bilhões. Não há contradição automática entre essas duas medidas: parte do estoque vendido havia sido produzida quando os custos eram maiores. Segundo a CBA, a redução do custo de fabricação chega gradualmente ao resultado, conforme esses estoques são vendidos.

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Dívida líquida recuou e investimentos foram para manutenção

A dívida líquida encerrou setembro em R$ 2,755 bilhões, ante R$ 2,801 bilhões em junho. A medida considera a dívida e os ajustes apresentados pela companhia, descontando caixa e aplicações. As disponibilidades e aplicações financeiras somaram R$ 1,821 bilhão.

A alavancagem, relação entre dívida líquida e EBITDA ajustado dos últimos doze meses, caiu de 1,68 vez para 1,38 vez. Segundo a CBA, a redução refletiu principalmente o crescimento do resultado operacional acumulado e a melhora na avaliação a preços de mercado dos instrumentos financeiros derivativos, contratos usados pela empresa para proteção financeira.

Os investimentos totalizaram R$ 175 milhões, alta de 29% frente ao segundo trimestre e queda de 15% em um ano. A manutenção dos ativos recebeu 76% do total, e a reforma de fornos, 18%. A companhia informou ainda que seu perfil de dívida não apresenta concentração relevante de vencimentos até 2031.

O que muda para o acionista

O balanço mostra duas trajetórias distintas: o lucro líquido atingiu recorde com contribuição da renegociação de UBP, enquanto o EBITDA ajustado recuou frente ao trimestre anterior. O ganho financeiro não equivale a crescimento da operação na mesma proporção. Separar esses efeitos permite identificar de onde veio o resultado.

Em paralelo, segue em andamento a venda da participação da Votorantim na CBA ao consórcio formado por Chalco e Rio Tinto. Até a emissão do relatório, a transação não havia sido concluída e permanecia sujeita às condições previstas e às aprovações regulatórias aplicáveis.

Segundo o documento, o fechamento implicará transferência do controle e obrigação de realizar uma oferta pública de aquisição de ações, proposta de compra dirigida aos demais acionistas. A companhia informou que comunicará eventuais desdobramentos ao mercado.

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Perguntas frequentes

Quanto a CBA lucrou no terceiro trimestre?

A CBA teve lucro líquido consolidado de R$ 616 milhões no terceiro trimestre de 2026, recorde segundo a companhia. O valor cresceu 367% em relação ao mesmo período de 2025 e 50% diante do segundo trimestre de 2026.

Por que o lucro aumentou se o resultado operacional caiu?

O lucro recebeu a contribuição de um ganho líquido de R$ 315 milhões na renegociação de obrigações de Uso do Bem Público. Esse efeito financeiro ajudou o resultado final, enquanto o EBITDA ajustado caiu 20% frente ao trimestre anterior.

O desconto na renegociação entrou no caixa da empresa?

Não como uma entrada de dinheiro equivalente ao ganho reconhecido. A CBA desembolsou R$ 262 milhões líquidos para liquidar a renegociação e registrou o benefício do desconto no resultado financeiro.

A CBA vendeu mais alumínio?

As vendas totalizaram 132 mil toneladas, volume estável em relação ao terceiro trimestre de 2025 e 1% superior ao trimestre anterior. A companhia relacionou o aumento anual da receita principalmente aos preços obtidos e à composição dos produtos vendidos.

A venda do controle da CBA já terminou?

Não, a operação ainda não havia sido concluída na data de emissão do relatório. A venda da participação da Votorantim para o consórcio de Chalco e Rio Tinto continuava sujeita às condições previstas e às aprovações regulatórias.

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RD

Redação Arena do Dinheiro

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