A Vibra Energia (VBBR3) registrou lucro líquido de R$ 2,460 bilhões no terceiro trimestre de 2026, alta de 504% sobre o mesmo período de 2025. A distribuidora também aumentou o volume vendido e reduziu a dívida líquida em R$ 1,7 bilhão na comparação com o trimestre anterior.
Última cotação de VBBR3 na B3: R$ 29,25 (+0,45% no dia) em 04/11/2026 (fonte: Brapi).
Resumo rápido
O lucro líquido ajustado da Vibra, que retira determinados efeitos para facilitar a comparação dos resultados, somou R$ 2,433 bilhões, avanço anual de 345%. O Ebitda ajustado, medida de desempenho antes de juros, impostos, depreciação e amortização, com ajustes feitos pela companhia, atingiu R$ 4,288 bilhões. As vendas cresceram 4% em um ano, enquanto a dívida líquida terminou o período em R$ 14,389 bilhões.
Principais pontos
- O lucro líquido contábil chegou a R$ 2,460 bilhões, contra R$ 407 milhões no terceiro trimestre de 2025.
- A receita líquida ajustada somou R$ 56,932 bilhões, crescimento anual de 17%.
- O volume comercializado alcançou 9,612 milhões de metros cúbicos, alta de 4% em um ano.
- A companhia adicionou 210 postos e assinou 99 contratos com clientes empresariais no trimestre.
- A dívida líquida caiu 10% frente ao trimestre anterior, e a relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado ficou em 1,0 vez.
- Os R$ 499 milhões em juros sobre capital próprio anunciados no trimestre têm pagamento previsto para novembro de 2027.
Lucro cresce, mas desempenho operacional recua frente ao trimestre anterior
O avanço do lucro aparece tanto na comparação anual quanto na trimestral. O resultado contábil aumentou 5% frente ao segundo trimestre de 2026. Já o lucro ajustado subiu 6% nessa mesma comparação, além do crescimento de 345% sobre o terceiro trimestre de 2025.
Esses indicadores não são sinônimos. O lucro contábil é o resultado registrado nas demonstrações financeiras. A versão ajustada retira efeitos selecionados pela empresa, incluindo variações de valor de contratos de energia e instrumentos financeiros. Por isso, os R$ 2,460 bilhões de lucro contábil e os R$ 2,433 bilhões de lucro ajustado representam leituras diferentes do mesmo período.
No desempenho operacional, a comparação muda conforme a referência. O Ebitda ajustado cresceu 137% em um ano, mas caiu 5% diante do trimestre anterior. A receita líquida ajustada também recuou 1% nessa comparação mais recente, apesar da alta anual de 17%.
O resultado financeiro, saldo entre receitas e despesas financeiras, ficou negativo em R$ 359 milhões. Essa despesa líquida foi 45% menor que a registrada um ano antes e 43% inferior à do segundo trimestre, contribuindo para o resultado final.
Rede recebe 210 postos, com crescimento líquido de 130 unidades
A rede de postos vendeu 6,087 milhões de metros cúbicos, avanço anual de 6%, puxado principalmente por etanol e gasolina. As vendas de etanol cresceram 21%, enquanto as de gasolina aumentaram 5%.
O embandeiramento, processo em que um posto passa a integrar a rede e usar sua bandeira, acrescentou 210 unidades no trimestre. Isso não equivale ao aumento líquido da rede: considerando todas as movimentações, o total cresceu 130 postos frente ao trimestre anterior, encerrando setembro com 7.686 unidades. Na comparação anual, esse total ainda ficou 3% menor.
Segundo a Vibra, a menor disponibilidade de combustíveis e os avanços no combate às irregularidades do setor reforçaram a procura por segurança de abastecimento. A companhia afirma que reorganizou seus fluxos de suprimento e cumpriu os compromissos com clientes, mesmo diante da volatilidade internacional.
O Ebitda ajustado da rede somou R$ 2,912 bilhões, alta anual de 157%. Sem os itens classificados como não recorrentes, como recuperações tributárias e vendas de imóveis, ficou em R$ 2,506 bilhões: crescimento de 152% em um ano, mas queda de 1% frente ao trimestre anterior.
Clientes empresariais ampliam vendas e Comerc reverte prejuízo
No B2B, segmento de fornecimento a outras empresas, a Vibra comercializou 3,525 milhões de metros cúbicos. O volume cresceu 1% em um ano e 8% frente ao segundo trimestre. A receita líquida ajustada atingiu R$ 23,354 bilhões, alta anual de 30%.
A companhia atribui parte da evolução da rentabilidade à composição dos produtos vendidos. Os combustíveis aditivados, que segundo ela têm margens superiores, ampliaram sua participação no volume de diesel em 9 pontos percentuais sobre o mesmo período de 2025. Essa medida expressa a diferença entre participações, e não uma taxa de crescimento das vendas.
O Ebitda ajustado do B2B alcançou R$ 1,307 bilhão, avanço anual de 132%, mas recuo trimestral de 24%. Os 99 novos contratos de fornecimento elevaram a 261 o total assinado nos primeiros nove meses do ano.
Em renováveis, a Comerc registrou lucro líquido ajustado de R$ 76 milhões, revertendo prejuízo de R$ 9 milhões um ano antes. O Ebitda ajustado foi de R$ 184 milhões, alta anual de 8%. Ainda assim, o curtailment, corte imposto à geração disponível, atingiu 36,4% nas usinas solares de geração centralizada.
Caixa operacional cai e capital de giro consome recursos
A geração de caixa não acompanhou o crescimento anual do lucro. O fluxo de caixa operacional, dinheiro gerado pelas atividades do negócio, somou R$ 2,701 bilhões, queda de 29% sobre o terceiro trimestre de 2025 e de 28% frente ao trimestre anterior.
Uma das explicações está no capital de giro, os recursos envolvidos no intervalo entre pagar fornecedores e receber dos clientes. Essa movimentação consumiu R$ 1,002 bilhão no trimestre. Segundo a Vibra, pesaram a composição de produtos e fornecedores e a maior utilização do prazo de pagamento por um cliente de aviação.
O fluxo de caixa livre, saldo após as atividades de investimento na reconciliação apresentada pela empresa, atingiu R$ 2,548 bilhões, queda anual de 27%. Separadamente, o total de investimentos apresentado como Capex consolidado foi de R$ 424 milhões, incluindo bonificações antecipadas a clientes, distribuição e renováveis.
Dívida cai e prazo médio dos compromissos aumenta
A dívida líquida, que desconta as disponibilidades financeiras das obrigações ajustadas, terminou o trimestre em R$ 14,389 bilhões. O valor ficou 10% abaixo do trimestre anterior e 23% menor que um ano antes.
A alavancagem, relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado dos últimos 12 meses, recuou de 1,3 vez para 1,0 vez. Essa queda combina redução da dívida com aumento do resultado operacional acumulado; não significa que toda a dívida vence nesse intervalo.
A gestão dos compromissos incluiu a emissão de debêntures da Vibra, títulos pelos quais a empresa toma dinheiro emprestado de investidores. O balanço informa uma emissão de R$ 1,4 bilhão, com vencimento em setembro de 2033 e troca parcial de dívidas anteriores. O prazo médio consolidado da dívida avançou de 5,1 para 5,5 anos.
O que muda para o acionista
O trimestre reúne crescimento anual do lucro, expansão comercial e redução do endividamento, mas também queda trimestral do Ebitda ajustado e menor geração de caixa operacional. Essas diferenças mostram por que lucro, desempenho operacional e dinheiro disponível precisam ser lidos separadamente.
Na remuneração ao acionista, a Vibra informou ter anunciado R$ 499 milhões em juros sobre capital próprio, uma forma de distribuir recursos aos acionistas que a empresa pode deduzir do imposto. O pagamento está previsto para novembro de 2027. No acumulado do ano, os proventos anunciados somam aproximadamente R$ 1,5 bilhão.
A próxima etapa prevista é o webcast de resultados em 5 de novembro de 2026, às 10h de Brasília. A companhia informou que disponibilizará a apresentação antes do encontro e a transcrição e o áudio após a realização.
Perguntas frequentes
Quanto a Vibra lucrou no terceiro trimestre?
A Vibra teve lucro líquido contábil de R$ 2,460 bilhões no terceiro trimestre de 2026, aumento de 504% em um ano. O lucro líquido ajustado foi de R$ 2,433 bilhões, com crescimento anual de 345%.
Por que o lucro ajustado é diferente do lucro contábil?
O lucro ajustado exclui determinados efeitos selecionados pela companhia para facilitar a comparação entre períodos. Na Vibra, os ajustes incluem variações de valor de contratos de energia e instrumentos financeiros.
A dívida da Vibra diminuiu?
Sim, a dívida líquida encerrou o trimestre em R$ 14,389 bilhões, queda de 10% frente ao segundo trimestre e de 23% em um ano. A relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado dos últimos 12 meses passou de 1,3 vez para 1,0 vez.
Quando serão pagos os juros sobre capital próprio anunciados no trimestre?
O pagamento dos R$ 499 milhões anunciados no terceiro trimestre está previsto para novembro de 2027. Esse valor integra os aproximadamente R$ 1,5 bilhão em proventos anunciados no acumulado de 2026.
A rede ganhou mesmo 210 postos?
A Vibra adicionou 210 novos postos no trimestre, mas o crescimento líquido foi de 130 unidades diante do trimestre anterior. A diferença existe porque as adições não representam, sozinhas, todas as movimentações da rede, que encerrou setembro com 7.686 postos.
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