A inflação americana desacelerou mais do que o mercado esperava em julho: o CPI subiu 0,07% no mês e 3,30% em doze meses, contra 3,46% em junho e projeção de 3,4%. O núcleo caiu para 2,47%. Somado ao payroll negativo, o dado reforça o caso para o Fed cortar juros em setembro.
O índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos subiu 0,07% em julho de 2026 na série com ajuste sazonal e acumula 3,30% em doze meses, ante 3,46% em junho. O mercado projetava 3,4%. O núcleo, que exclui alimentos e energia, avançou 0,22% no mês e desacelerou de 2,57% para 2,47% no acumulado anual. Os dados são do Bureau of Labor Statistics.
Principais pontos
- O CPI cheio subiu 0,07% em julho e acumula 3,30% em doze meses, contra 3,46% em junho.
- A projeção de mercado era de 3,4% no acumulado anual, então o dado veio abaixo do esperado.
- O núcleo do CPI avançou 0,22% no mês e recuou de 2,57% para 2,47% em doze meses.
- Julho também trouxe a perda de 23 mil vagas no mercado de trabalho americano.
- A próxima decisão de juros do Fed sai em 16 de setembro, com projeções e gráfico de pontos.
Os números da divulgação
O Bureau of Labor Statistics divulgou nesta quarta-feira (12) o índice de preços ao consumidor referente a julho. Na série com ajuste sazonal, que é a usada para leitura mensal, o CPI cheio subiu 0,07%. No acumulado de doze meses, a taxa recuou de 3,46% para 3,30%.
O núcleo — medida que exclui alimentos e energia, itens voláteis que distorcem a tendência — avançou 0,22% no mês e desacelerou de 2,57% para 2,47% em doze meses. As projeções apontavam 3,4% no cheio e 2,5% no núcleo, de modo que ambos vieram iguais ou abaixo do esperado.
| Indicador | Junho | Julho | Projeção |
|---|---|---|---|
| CPI cheio (12 meses) | 3,46% | 3,30% | 3,4% |
| CPI cheio (mês) | — | 0,07% | 0,1% |
| Núcleo (12 meses) | 2,57% | 2,47% | 2,5% |
| Núcleo (mês) | — | 0,22% | 0,2% |
Por que o núcleo importa mais
Bancos centrais olham o núcleo com mais atenção do que o índice cheio, e a razão é prática: alimentos e energia oscilam por motivos que a política monetária não controla — clima, safra, conflito geopolítico, decisão de cartel de petróleo.
Subir os juros não faz chover nem acalma o Oriente Médio. O que os juros afetam é a demanda interna, e é ela que aparece no núcleo. Uma inflação cheia baixa com núcleo alto significa alívio temporário; núcleo em queda, como agora, indica que a pressão de fundo está cedendo. A desaceleração de 2,57% para 2,47% é modesta, mas na direção certa.
O contexto que amplifica o dado
O CPI não chega isolado. Em 7 de agosto, o relatório de emprego mostrou que os Estados Unidos fecharam 23 mil vagas em julho, contra expectativa de criação de 80 mil, e junho foi revisado de +57 mil para −20 mil. O salário médio por hora subiu apenas 0,05% no mês.
A combinação é a que um banco central usa para justificar corte: emprego enfraquecendo, salário parado e inflação convergindo. Na reunião de 29 de julho, o Fed manteve a taxa em 3,50% a 3,75%, com três dirigentes votando por alta. Aquele argumento ficou bem mais difícil de sustentar com os dados de agosto na mesa. Os detalhes estão em o payroll de julho.
O que ainda incomoda
Vale registrar o que o dado não resolve. Uma inflação de 3,30% continua acima da meta de 2% perseguida pelo Fed, e o núcleo em 2,47% também. Não se trata de missão cumprida, e sim de trajetória favorável.
Há ainda um fator de risco que não aparece neste número: o efeito das tarifas comerciais sobre os preços ao consumidor tende a se manifestar com defasagem, conforme os estoques importados a custo antigo se esgotam. Um ou dois meses bons não eliminam essa possibilidade, e é exatamente por isso que o comitê insiste em decidir reunião a reunião.
O que muda para o investidor brasileiro
O canal mais imediato é o câmbio. Expectativa de juros menores nos Estados Unidos reduz a atratividade relativa do dólar e tende a favorecer moedas de países que pagam juros altos — caso do real, com Selic em 14,00%. Esse efeito, porém, disputa espaço com o risco local: o dólar fechou a terça-feira em R$ 5,1606, em alta de 0,98%, puxado por preocupações domésticas.
O segundo canal são os títulos americanos: juros futuros menores derrubam os rendimentos das Treasuries e tornam ativos de risco relativamente mais atraentes no mundo todo. O terceiro é a bolsa brasileira, que historicamente se beneficia de dólar fraco e apetite global por risco — ainda que ontem tenha caído 2,50%, ao pior nível desde janeiro, por razões locais. Vale ler o que são as Treasuries e o que muda quando o Fed corta juros.
O calendário até setembro
A próxima decisão do Fed sai em 16 de setembro, ao fim da reunião de dois dias iniciada em 15 — mesma semana do Copom, que se reúne nas mesmas datas. A divulgação virá acompanhada das projeções econômicas e do gráfico de pontos, que mostra onde cada dirigente enxerga os juros à frente.
Entre agora e lá, dois dados pesam mais: o relatório de emprego de agosto e o próximo CPI. Se confirmarem a tendência, a discussão deixa de ser se o Fed corta e passa a ser de quanto. Se um deles surpreender na direção oposta, o cenário se reabre — motivo pelo qual apostar em trajetória de juros é sempre mais arriscado do que parece.
Conteúdo informativo, sem recomendação de investimento. Dados do índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos referentes a julho de 2026, conforme séries do Bureau of Labor Statistics; variações calculadas sobre as séries com ajuste sazonal e sujeitas a revisão.
Perguntas frequentes
Qual foi a inflação dos EUA em julho de 2026?
O CPI subiu 0,07% no mês e acumula 3,30% em doze meses, ante 3,46% em junho. O mercado projetava 3,4% no acumulado anual, então o dado veio abaixo do esperado.
O que é o núcleo do CPI e quanto ficou?
É a medida que exclui alimentos e energia, itens voláteis que a política monetária não controla. Em julho avançou 0,22% no mês e desacelerou de 2,57% para 2,47% em doze meses.
O Fed vai cortar os juros em setembro?
O dado reforça esse cenário, somado à perda de 23 mil vagas em julho, mas nada está definido. A decisão sai em 16 de setembro, e dois indicadores relevantes ainda serão divulgados até lá.
Como a inflação americana afeta o Brasil?
Principalmente pelo câmbio: expectativa de juros menores nos Estados Unidos reduz a atratividade do dólar e tende a favorecer o real. Também derruba os rendimentos das Treasuries e melhora o apetite global por risco.
A inflação americana já está na meta?
Não. A meta do Fed é de 2%, e o índice cheio está em 3,30% com núcleo em 2,47%. A trajetória é favorável, mas a convergência ainda não ocorreu.



