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Investimentos

Conta digital que rende 100% do CDI: como funciona

Rende bem mais que a poupança, mas o anúncio tem letra miúda: percentual real, faixas de saldo e o produto que dá lastro à conta.

Conta digital que rende 100% do CDI: como funciona
Foto: DΛVΞ GΛRCIΛ / Pexels

Contas digitais que rendem 100% do CDI com liquidez diária entregam R$ 1.146,75 líquidos em um ano sobre R$ 10 mil — contra R$ 835 da poupança. Mas o rendimento anunciado tem letras miúdas: nem sempre é 100%, nem sempre vale para todo o saldo, e resgatar antes de 30 dias custa IOF.

Resumo rápido

Contas digitais remuneradas aplicam automaticamente o saldo em produtos atrelados ao CDI, com liquidez diária. Com o CDI em 13,90%, R$ 10 mil rendem R$ 1.390 brutos e R$ 1.146,75 líquidos em doze meses, contra R$ 835 da poupança. O rendimento sofre imposto de renda regressivo e IOF em resgates feitos antes de 30 dias, e a proteção do FGC depende do produto que lastreia a conta.

Principais pontos
  • Com o CDI a 13,90%, R$ 10 mil rendem R$ 1.146,75 líquidos em um ano, contra R$ 835 na poupança.
  • O rendimento sofre imposto de renda regressivo, de 22,5% a 15% conforme o prazo.
  • Resgates antes de 30 dias sofrem IOF, que começa em 96% do rendimento no primeiro dia.
  • A garantia do FGC depende do produto que lastreia a conta, e não da conta em si.
  • Muitas ofertas rendem menos de 100% do CDI ou limitam o percentual a uma faixa de saldo.

Como a conta remunerada funciona

Uma conta corrente comum não rende nada. As contas digitais chamadas de remuneradas resolvem isso aplicando automaticamente o saldo em algum produto — normalmente um CDB do próprio banco, uma operação compromissada ou um fundo DI —, com resgate automático quando você gasta.

Na prática, você vê apenas um saldo que cresce todo dia útil. Por baixo, existe um produto financeiro com regras próprias de tributação, garantia e liquidez — e é nessas regras que estão as diferenças que importam.

Quanto rende de verdade

Com o CDI em 13,90% ao ano, R$ 10 mil aplicados a 100% do indexador rendem R$ 1.390 brutos em doze meses. Descontado o imposto de renda de 17,5%, alíquota válida para o prazo de um ano, sobram R$ 1.146,75.

A poupança, no mesmo período, entrega R$ 835 — isentos, mas ainda assim R$ 311 a menos. A vantagem da conta remunerada aparece já no primeiro ano e cresce com o valor aplicado.

R$ 10 mil por 12 meses Bruto Imposto Líquido
Conta a 100% do CDI R$ 1.390,00 R$ 243,25 R$ 1.146,75
Poupança R$ 835,00 Isento R$ 835,00

O IOF dos primeiros 30 dias

Esta é a regra que mais surpreende quem usa a conta como se fosse conta corrente. Resgates feitos antes de 30 dias sofrem IOF sobre o rendimento, em tabela regressiva que começa em 96% no primeiro dia e chega a zero no trigésimo.

O imposto incide apenas sobre o rendimento, não sobre o principal — você nunca perde dinheiro aplicado. Mas significa que dinheiro que entra e sai em poucos dias praticamente não rende. Em R$ 1.000, o rendimento de cinco dias seria de R$ 1,82, e o IOF de 83% levaria R$ 1,51.

A conclusão prática: a conta remunerada é excelente para o dinheiro que fica, mesmo que por poucas semanas, e indiferente para o dinheiro que apenas passa.

A letra miúda do “100% do CDI”

Nem toda oferta entrega o que anuncia, e vale conferir três pontos antes de migrar.

O primeiro é o percentual real: muitas contas rendem 80%, 90% ou 95% do CDI, não 100%. Sobre R$ 50 mil, a diferença entre 90% e 100% é de cerca de R$ 570 brutos por ano.

O segundo são as condições e faixas. Algumas instituições pagam 100% do CDI apenas até certo saldo, ou apenas para quem cumpre requisitos como movimentação mínima, uso do cartão ou adesão a um pacote de serviços. Acima da faixa ou fora das condições, o percentual cai.

O terceiro é o prazo de carência para o rendimento começar, presente em alguns produtos. Ler a descrição do produto que lastreia a conta resolve as três dúvidas.

A garantia depende do que está por baixo

Aqui está o ponto mais negligenciado. A proteção do FGC — R$ 250 mil por CPF e por instituição, com teto de R$ 1 milhão a cada quatro anos — cobre depósitos e títulos bancários como CDB, LCI e LCA.

Se a conta é lastreada em CDB, está coberta. Se é lastreada em fundo DI, não está — fundos não têm FGC, ainda que o risco de um fundo que investe em títulos públicos seja considerado baixíssimo. Se é uma conta de instituição de pagamento que não é banco, as regras podem ser outras.

Para saldos relevantes, essa distinção importa mais que a diferença de alguns pontos percentuais do CDI. O funcionamento está em como funciona o FGC e em o que acontece se a instituição quebrar.

Onde essa conta se encaixa

O uso ideal é a reserva de emergência e o dinheiro de curto prazo: aquilo que precisa estar disponível hoje, sem aviso prévio, e que não deveria ficar parado perdendo para a inflação.

Para prazos mais longos, existem alternativas melhores. Uma LCI de 90% do CDI, isenta de imposto, rende 12,51% líquidos ao ano — mais que os 11,47% de um produto tributado a 100% do CDI —, em troca de carência de nove meses. O Tesouro Selic tem risco soberano e não depende de FGC. A comparação completa está em renda fixa isenta e em quanto rende o CDI hoje.

Um aviso sobre o ciclo de juros

O rendimento dessas contas acompanha o CDI, que segue a Selic — e a Selic está caindo. Em agosto de 2026 o CDI recuou de 14,15% para 13,90%, e o boletim Focus projeta a taxa básica em 12,00% em 2027.

Isso significa que o rendimento anunciado hoje não é o de amanhã. Não é motivo para evitar o produto, que continuará superando a poupança — é motivo para não planejar orçamento contando com o rendimento atual como se fosse permanente. Para organizar a reserva, vale quanto guardar e onde deixar.

Conteúdo informativo, sem recomendação de investimento. Cálculos com CDI de 13,90% ao ano e poupança de 0,6698% ao mês, referências de agosto de 2026; condições, percentuais e garantias variam por instituição e produto.

Perguntas frequentes


Quanto rende uma conta que paga 100% do CDI?

Com o CDI em 13,90%, R$ 10 mil rendem R$ 1.390 brutos e R$ 1.146,75 líquidos em doze meses, considerando imposto de 17,5%. A poupança, no mesmo período, entrega R$ 835.


Tem imposto na conta digital remunerada?

Sim. Incide imposto de renda regressivo, de 22,5% a 15% conforme o prazo, e IOF sobre o rendimento em resgates feitos antes de 30 dias, começando em 96% no primeiro dia e zerando no trigésimo.


Conta digital remunerada tem garantia do FGC?

Depende do produto que lastreia a conta. Se for CDB, sim, até R$ 250 mil por CPF e instituição. Se for fundo DI, não há cobertura do FGC, embora o risco seja considerado baixo.


Vale a pena deixar todo o dinheiro nessa conta?

Para reserva de emergência e curto prazo, sim. Para prazos maiores, uma LCI isenta de 90% do CDI rende 12,51% líquidos ao ano, acima dos 11,47% de um produto tributado a 100% do CDI.


O rendimento pode cair?

Sim, porque acompanha o CDI, que segue a Selic. O CDI já recuou de 14,15% para 13,90% em agosto de 2026, e o mercado projeta a taxa básica em 12,00% em 2027.


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RD

Redação Arena do Dinheiro

A Redação da Arena do Dinheiro reúne jornalistas e especialistas em finanças, investimentos e economia, responsáveis pela produção e revisão do conteúdo do portal.

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As informações desta matéria têm caráter informativo e educacional e não constituem recomendação ou oferta de investimento. Rentabilidade passada não é garantia de resultados futuros. Investimentos envolvem riscos.


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