A Dexco (DXCO3) registrou prejuízo líquido de R$ 142,2 milhões no terceiro trimestre de 2026, ante lucro de R$ 14,2 milhões no mesmo período de 2025. Ao mesmo tempo, a companhia ampliou a geração de caixa e reduziu a dívida líquida para R$ 4,78 bilhões.
Última cotação de DXCO3 na B3: R$ 4,86 (+7,05% no dia) em 04/11/2026 (fonte: Brapi).
Resumo rápido
O resultado da Dexco combinou crescimento das vendas em reais com despesas extraordinárias ligadas principalmente à reorganização industrial de Metais e Louças. A receita líquida subiu 9,8% na comparação anual, para R$ 2,34 bilhões, puxada por Madeira. Sem os eventos classificados pela empresa como não recorrentes, o prejuízo foi de R$ 5,5 milhões. O fluxo de caixa livre total chegou a R$ 635,5 milhões, com contribuição da redução de estoques e da venda da planta de Urussanga.
Principais pontos
- O prejuízo líquido incluiu R$ 136,7 milhões em efeitos negativos líquidos não recorrentes, majoritariamente sem efeito caixa.
- A receita líquida cresceu 9,8% frente ao terceiro trimestre de 2025 e 4,7% sobre o segundo trimestre de 2026.
- O EBITDA ajustado e recorrente, medida operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, somou R$ 585,4 milhões.
- Madeira respondeu por R$ 535,2 milhões desse indicador; Revestimentos teve resultado negativo de R$ 6,8 milhões.
- A dívida líquida caiu R$ 352,5 milhões no trimestre, e a relação entre dívida líquida e EBITDA passou de 2,72 para 2,36 vezes.
Reorganização industrial pesa no prejuízo
A principal distância entre o prejuízo contábil e o recorrente está nos R$ 136,7 milhões de efeitos extraordinários líquidos negativos. Segundo a companhia, esses efeitos vieram principalmente da revisão da estrutura industrial de Metais e Louças, incluindo o encerramento das atividades da unidade de Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco.
O balanço reconheceu baixas de ativos imobilizados e estoques, ou seja, a retirada de valores registrados para instalações, equipamentos e produtos. Também houve provisões para remediação ambiental: despesas reconhecidas contabilmente para cobrir essas obrigações. A maior parte dos efeitos extraordinários não representou saída de dinheiro no momento do registro.
A conta incluiu ainda perdas na atualização do valor dos investimentos da DX Ventures e efeitos remanescentes do encerramento de Urussanga, em Santa Catarina. Excluídos os eventos não recorrentes, o prejuízo de R$ 5,5 milhões ficou abaixo dos R$ 42,8 milhões registrados um ano antes, mas reverteu o lucro recorrente de R$ 33,8 milhões do trimestre anterior.
O resultado operacional depende da medida usada
O EBITDA calculado conforme a regra da CVM foi de R$ 420,7 milhões, queda de 11,4% na comparação anual. Já o EBITDA ajustado e recorrente, que retira determinados efeitos contábeis sem caixa e eventos extraordinários, cresceu 31,6%, para R$ 585,4 milhões. Sua margem, a proporção do indicador sobre a receita, atingiu 25,1%, ante 20,9% um ano antes.
O relatório também destaca R$ 783,6 milhões de EBITDA ajustado e recorrente pro forma. Nesse cálculo, a empresa acrescenta proporcionalmente sua participação de 49% na LD Celulose. O valor avançou 38,3% sobre o terceiro trimestre de 2025 e 9,8% sobre o segundo trimestre de 2026.
São retratos diferentes do mesmo período, não valores intercambiáveis. O primeiro segue a apuração regulatória; o segundo aplica as exclusões descritas pela empresa; o terceiro amplia o perímetro para incluir sua parcela no desempenho operacional da LD Celulose. Nenhum deles equivale ao lucro líquido ou ao dinheiro que entrou no caixa.
Madeira cresce com preço e negócios florestais
Madeira continuou como a principal geradora de resultado operacional. A divisão registrou EBITDA ajustado e recorrente de R$ 535,2 milhões, alta anual de 35,8%, com margem de 32,6%. Desse total, R$ 450 milhões vieram de painéis, incluindo a operação na Colômbia, e R$ 85,2 milhões de negócios florestais.
A expedição caiu 2,2%, para 775,3 mil metros cúbicos, mas a receita líquida avançou 16,2%. Segundo a Dexco, os reajustes de preços, a composição das vendas e a contribuição florestal compensaram o menor volume. Essa composição, chamada de mix, muda conforme o peso de produtos e operações com diferentes valores de venda.
A divisão também reconheceu R$ 20,5 milhões em provisão para perdas de crédito relacionada a um cliente da indústria moveleira em recuperação judicial. Trata-se do reconhecimento de uma possível perda no recebimento. Mesmo absorvendo esse efeito, o negócio ampliou o indicador ajustado, com contribuição da Colômbia e de operações que aproximam as florestas das fábricas.
Metais preserva margem, mas Revestimentos fica negativo
Metais e Louças entregou EBITDA ajustado e recorrente de R$ 57,1 milhões, avanço de 9,6% na comparação anual, com margem de 11,5%. O volume expedido caiu 12,5%, para 3,725 milhões de peças. Segundo a companhia, reajustes e maior participação de categorias de maior valor agregado compensaram a retração de volume, ineficiências em Louças e maiores despesas comerciais.
Em Revestimentos Cerâmicos, vender mais não bastou para compensar preços menores. A expedição cresceu 6,3% sobre um ano antes, mas a receita recuou 5,2%. O EBITDA ajustado e recorrente ficou negativo em R$ 6,8 milhões, ante resultado positivo de R$ 6,7 milhões no trimestre anterior.
Na LD Celulose, considerando toda a operação, o EBITDA ajustado e recorrente pro forma chegou a R$ 403,8 milhões, com margem de 49,5%. A Dexco atribuiu a evolução à recuperação dos preços e à ausência de parada programada de manutenção no trimestre. A manutenção ocorreu em outubro.
Caixa inclui estoques menores e venda de fábrica
O fluxo de caixa livre total, saldo de geração de caixa apresentado após investimentos e fluxo financeiro, atingiu R$ 635,5 milhões. O número teve contribuição da operação, mas também de recursos não recorrentes. Entre eles estão R$ 153 milhões recebidos pela venda da planta de Urussanga.
O capital de giro, dinheiro empregado no funcionamento cotidiano do negócio, liberou R$ 215 milhões no trimestre. A companhia destacou a redução de estoques nas três divisões. Quando produtos deixam o estoque e as vendas se transformam em recebimentos, recursos antes presos na operação podem voltar ao caixa.
Os investimentos somaram R$ 319,8 milhões. Desse montante, R$ 267 milhões foram destinados à manutenção das operações. Outros R$ 52,8 milhões foram classificados como projetos, majoritariamente pelo reconhecimento contábil de uma permuta de ativos florestais, sem desembolso de caixa.
A dívida líquida, que desconta o caixa da dívida financeira, caiu 6,9% frente a junho. A dívida bruta, porém, aumentou para R$ 8,07 bilhões, enquanto as disponibilidades chegaram a R$ 3,29 bilhões. Portanto, a queda da dívida líquida não significou redução do total bruto devido.
O que muda para o acionista
O trimestre mostra por que prejuízo, desempenho operacional e caixa precisam ser lidos separadamente. A Dexco encerrou o período com perda contábil, crescimento do indicador operacional ajustado e geração de caixa que ajudou a reduzir o endividamento líquido. Parte dessa geração veio de venda de ativo, e não apenas das atividades habituais.
A alavancagem, relação entre dívida líquida e EBITDA ajustado e recorrente dos últimos doze meses, caiu para 2,36 vezes, ante 3,48 vezes um ano antes. Esse índice compara o tamanho da dívida com a geração operacional, mas não representa um prazo garantido de pagamento.
Para os próximos períodos, a companhia informou que mantém o foco em rentabilidade, eficiência operacional, geração de caixa e redução do endividamento. A teleconferência sobre os resultados está marcada para 5 de novembro de 2026, às 9h, no horário de Brasília.
Perguntas frequentes
A Dexco teve lucro ou prejuízo no trimestre?
A Dexco teve prejuízo líquido de R$ 142,2 milhões no terceiro trimestre de 2026. Retirando os eventos classificados como não recorrentes pela companhia, a perda foi de R$ 5,5 milhões.
Como a empresa gerou caixa mesmo com prejuízo?
O caixa recebeu contribuição da operação, da liberação de R$ 215 milhões em capital de giro e do recebimento de R$ 153 milhões pela venda de Urussanga. Além disso, parte das despesas que afetaram o prejuízo não exigiu saída imediata de dinheiro.
Por que aparecem dois valores de EBITDA ajustado?
O valor de R$ 585,4 milhões corresponde ao EBITDA ajustado e recorrente consolidado. Já os R$ 783,6 milhões incluem proporcionalmente a participação de 49% da Dexco na LD Celulose, na apresentação pro forma.
A dívida da Dexco diminuiu?
A dívida líquida caiu para R$ 4,78 bilhões, redução de R$ 352,5 milhões em relação a junho. A dívida bruta aumentou, mas o crescimento do caixa permitiu diminuir o saldo líquido.
Quando será a apresentação dos resultados?
A teleconferência está marcada para 5 de novembro de 2026, às 9h, no horário de Brasília. O encontro trata dos resultados do terceiro trimestre.
Ativos citados nesta matéria
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