A primeira decisão da visita de Xi Jinping aos Estados Unidos saiu antes mesmo da reunião na Casa Branca: na noite de quarta-feira (23), o secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou que a trégua comercial com a China, que venceria em 10 de novembro, foi estendida até 10 de janeiro de 2027. A cúpula entre Trump e Xi acontece nesta quinta (24); até a manhã de hoje, nenhum novo acordo tarifário havia sido anunciado.
Estados Unidos e China estenderam por dois meses, até 10 de janeiro de 2027, a trégua comercial acertada em Busan em outubro de 2025, segundo o secretário do Tesouro Scott Bessent, na noite de 23 de setembro de 2026. A decisão preserva tarifas reduzidas e o fluxo de terras raras. A reunião entre Trump e Xi ocorre em 24 de setembro, sem resultado anunciado até a manhã.
Principais pontos
- A trégua de Busan, que venceria em 10 de novembro, foi estendida até 10 de janeiro de 2027.
- O anúncio foi de Scott Bessent, após reunião fora da agenda com o vice-premiê He Lifeng, em Washington.
- Bessent disse que um acordo maior pode sair até janeiro, ou a trégua pode ser renovada de novo.
- Os dois países já haviam acertado, em 20 de setembro, criar um diálogo sobre inteligência artificial.
- Tarifas novas, volumes de soja e regras de terras raras ainda não tinham sido anunciados até a manhã de 24/09.
O que foi decidido, e por quem
Xi Jinping pousou na base de Andrews às 17h39 (horário de Washington) de quarta, recebido pessoalmente por Trump na pista. Horas depois, Bessent anunciou a extensão da trégua. Segundo ele, a decisão saiu de uma reunião não programada com o vice-premiê chinês He Lifeng, principal negociador comercial de Pequim.
Segundo Bloomberg, CNBC e NBC, Bessent disse que os EUA vão estender o “Acordo de Busan” até 10 de janeiro. A imprensa estatal chinesa não havia repercutido o anúncio nas primeiras horas — relevante, porque em rodadas anteriores os dois lados descreveram os mesmos acordos de forma diferente.
O que a trégua de Busan mantém de pé
A trégua nasceu do encontro de Trump e Xi em Busan, na Coreia do Sul, em 30 de outubro de 2025. Estendê-la congela o arranjo por mais dois meses.
| Item | O que foi acertado em Busan | Situação em 24/09/2026 |
|---|---|---|
| Tarifa ligada ao fentanil | Cortada de 20% para 10% | Mantida até 10/01/2027 |
| Tarifa “recíproca” adicional de 24% | Suspensa por um ano | Suspensão preservada pela extensão |
| Controles chineses sobre terras raras | Suspensos por um ano | Fluxo mantido, segundo Bessent |
| Soja americana | Compromisso de 25 milhões de toneladas por ano até 2028 | Sem novo volume anunciado |
| Taxas portuárias e investigações de navegação | Suspensas por um ano | Sem mudança anunciada |
A coluna da direita reflete só o confirmado até a manhã de quinta e pode mudar com os anúncios da cúpula.
Por que só dois meses
A extensão curta é um sinal. Bessent disse que os dois lados ficaram com “trabalho inacabado” e se reuniram para ver se chegavam a um acordo maior em vez de uma série de medidas pequenas. Segundo ele, é possível fechar um pacote econômico mais amplo até janeiro, mas também é possível apenas “rolar” o acordo atual de novo.
Na prática, o novo prazo fica depois da cúpula da Apec em Shenzhen, marcada para 18 e 19 de novembro, com presença prevista de Trump — mais uma rodada antes de qualquer decisão definitiva.
O que mais já está confirmado
Em 20 de setembro, em Nova York, He Lifeng, Bessent e o representante comercial Jamieson Greer concordaram em criar um diálogo sobre inteligência artificial. Os EUA propuseram trocar alertas sobre incidentes de IA que afetem a segurança nacional.
Greer disse que a China avança no compromisso, de maio, de comprar 200 aviões da Boeing. Sobre Taiwan, um funcionário afirmou que Trump decidirá “em pouco tempo” sobre um novo pacote de armas. Nada disso é resultado da cúpula: são declarações da véspera.
O que ainda não se sabe
Até a manhã desta quinta, não havia anúncio sobre novas reduções de tarifas, regras permanentes para terras raras ou volumes de soja, nem comunicado conjunto. A agenda previa reunião na Casa Branca pela manhã e jantar de Estado à noite.
As fontes também divergem sobre as compras de soja: parte relata que a China cumpriu o volume do ano, parte fala em cerca de metade. Sem dado oficial citado, este texto não assume nenhum dos dois.
Por que isso importa para o Brasil
A trégua estendida afasta até janeiro o risco de uma escalada tarifária que derrubaria commodities e moedas emergentes. Para a Vale e as siderúrgicas, é melhor notícia do que o contrário.
O outro lado é a soja: cada tonelada que a China compra dos EUA por compromisso político é demanda a menos pelo grão brasileiro. Esse efeito, detalhado em o que a cúpula Trump–Xi pode mudar para o Brasil, depende de números que ainda não foram anunciados. O contexto da visita está em o que está em jogo na cúpula.
O que isso significa para quem investe
Para o investidor brasileiro, a extensão é mais ausência de notícia ruim do que notícia boa, e o mercado desta semana está mais atento ao juro americano acima de 5,1% do que à diplomacia.
O que pode mudar o quadro é um anúncio concreto da cúpula — tarifas menores, cotas de compra ou regras de chips. Até lá, o que existe é um prazo novo, 10 de janeiro de 2027, e a promessa de que a negociação continua.
Informações confirmadas até a manhã de 24 de setembro de 2026, antes do fim da reunião na Casa Branca. Conteúdo informativo, sem recomendação de investimento.
Perguntas frequentes
Até quando vai a trégua comercial entre EUA e China?
A trégua foi estendida até 10 de janeiro de 2027, segundo o secretário do Tesouro Scott Bessent. Antes, ela venceria em 10 de novembro de 2026.
O que é o Acordo de Busan?
É a trégua comercial acertada por Trump e Xi em Busan, na Coreia do Sul, em 30 de outubro de 2025. Reduziu tarifas americanas e suspendeu controles chineses sobre terras raras por um ano.
Trump e Xi anunciaram novas tarifas na cúpula?
Até a manhã de 24 de setembro de 2026, não. A única decisão confirmada era a extensão da trégua, anunciada na véspera, antes da reunião na Casa Branca.
A extensão da trégua afeta as terras raras?
Sim. Segundo Bessent, a extensão preserva as tarifas reduzidas e o fluxo de terras raras da China, cujos controles de exportação estavam suspensos desde o acordo de outubro de 2025.
O que a trégua EUA-China muda para o Brasil?
Reduz o risco de escalada tarifária até janeiro, o que é positivo para commodities. Mas compras chinesas de soja americana podem tirar demanda do grão brasileiro, a depender de volumes ainda não anunciados.



