No mesmo dia em que Lula defendeu regras para as big techs, Trump subiu ao púlpito da 81ª Assembleia Geral da ONU e fez o oposto: classificou os alertas sobre riscos da inteligência artificial como farsa e sugeriu trocar o nome da tecnologia para “superinteligência”. Também reafirmou a doutrina de força americana na América Latina, citando a prisão de Maduro.
No discurso à 81ª Assembleia Geral da ONU, em 22 de setembro de 2026, Donald Trump recusou qualquer limitação à inteligência artificial, chamou os alertas sobre seus riscos de farsa e propôs renomeá-la como superinteligência. Reafirmou a doutrina de força dos Estados Unidos na América Latina, citando a prisão de Nicolás Maduro. A posição contrasta diretamente com a defesa de regulação feita por Lula horas antes.
Principais pontos
- Trump discursou na 81ª Assembleia Geral da ONU em 22 de setembro de 2026.
- Classificou os alertas sobre riscos da inteligência artificial como farsa e sugeriu chamá-la de superinteligência.
- Recusou qualquer proposta de restrição ou moratória ao desenvolvimento de IA.
- Reafirmou a doutrina de força americana na América Latina, citando a prisão de Nicolás Maduro.
- A posição sobre IA é o oposto da defesa de regulação feita por Lula no mesmo dia.
A recusa explícita a regular inteligência artificial
O trecho mais marcante do discurso foi a rejeição frontal a qualquer freio no desenvolvimento de inteligência artificial. Trump tratou os alertas sobre riscos da tecnologia como farsa e chegou a sugerir que o próprio nome deveria mudar — de inteligência artificial para “superinteligência” —, argumentando que não há nada de artificial no que está sendo construído.
A posição é coerente com o que ele já havia sinalizado. Em setembro, o presidente americano já havia chamado de conspiração o pedido de freio na IA feito por pesquisadores e executivos do setor. O discurso na ONU consolida isso como política externa, não apenas opinião.
Por que isso importa para além do discurso
Regulação de inteligência artificial é hoje uma das principais frentes de atrito regulatório entre blocos. A União Europeia aprovou um marco próprio, o Brasil discute o seu no Congresso, e os Estados Unidos — sede das maiores empresas do setor — acabam de declarar publicamente que não pretendem participar de nenhum arranjo restritivo.
Na prática, isso significa que o custo regulatório de operar IA seguirá muito desigual entre jurisdições. Para investidores expostos a tecnologia americana, é um sinal de menos fricção no curto prazo. Para quem investe em empresas europeias ou brasileiras do setor, significa competir com rivais que operam sob regras mais frouxas — uma assimetria que tende a aparecer em margem e velocidade de lançamento.
A doutrina de força na América Latina
A segunda frente do discurso foi regional. Trump reafirmou a disposição americana de agir com força na América Latina e citou a prisão de Nicolás Maduro como demonstração do que essa postura produz.
Para o Brasil, a sinalização tem peso. O país compartilha mais de dois mil quilômetros de fronteira com a Venezuela e tem interesses diretos em estabilidade regional, fluxo migratório e integração energética. Uma política externa americana mais intervencionista na vizinhança eleva o prêmio de risco percebido para a região como um todo — inclusive para ativos brasileiros, que costumam ser negociados no mesmo balde de “emergentes latino-americanos”.
O contraste com o discurso de Lula
Os dois presidentes falaram em sequência, e a distância entre eles em matéria de tecnologia ficou explícita. Lula alertou contra o que chamou de “tecno-oligarcas” e defendeu regras e transparência; Trump disse que as regras propostas são baseadas numa farsa.
É o mesmo tipo de divergência que aparece no comércio. Enquanto o americano sustenta tarifas unilaterais, o brasileiro defende multilateralismo — posição detalhada em o discurso de Lula na ONU. Ainda assim, os dois trocaram um cumprimento nos bastidores, que Trump descreveu como de excelente química.
O pano de fundo geopolítico mais amplo
O discurso não acontece no vácuo. Os Estados Unidos vêm de uma sequência de movimentos que redesenham alianças comerciais, e a relação com a China é o eixo central dessa reorganização — assunto que tratamos em o que a cúpula Trump-Xi pode mudar para o Brasil.
Há também o componente monetário. O Federal Reserve voltou a subir juros em setembro, o que fortalece o dólar e drena capital de mercados emergentes. Discurso duro na ONU somado a juro americano em alta é uma combinação que historicamente aperta moedas como o real.
O que o investidor brasileiro deve observar
Discurso não é política aplicada, e convém separar os dois. O que efetivamente move preço é tarifa publicada, sanção aplicada e decisão de banco central — não retórica de assembleia. O mercado brasileiro reagiu pouco: o Ibovespa fechou a terça em alta de 0,44%, com o dólar praticamente estável.
O que merece acompanhamento são três coisas concretas: sinais de revisão das sobretaxas sobre produtos brasileiros, qualquer escalada na Venezuela que afete fluxo migratório e energia, e o ritmo do Fed. Os três têm efeito mensurável em câmbio e em setores específicos da bolsa. O resto é contexto. Acompanhe a cotação em nossa página do dólar.
Declarações conforme cobertura da 81ª Assembleia Geral da ONU em 22 de setembro de 2026. Conteúdo informativo, sem recomendação de investimento.
Perguntas frequentes
O que Trump disse na ONU sobre inteligência artificial?
Classificou os alertas sobre os riscos da IA como farsa, recusou qualquer restrição ao desenvolvimento da tecnologia e sugeriu que ela passasse a ser chamada de superinteligência, em vez de inteligência artificial.
Trump falou sobre a América Latina no discurso?
Sim. Reafirmou a doutrina de força dos Estados Unidos na região e citou a prisão de Nicolás Maduro como demonstração dessa postura.
Qual a diferença entre o discurso de Trump e o de Lula?
Em tecnologia, são opostos: Lula defendeu regras e criticou a concentração de poder das big techs, enquanto Trump recusou qualquer limitação à IA. Em comércio, Lula defendeu multilateralismo e Trump sustentou as tarifas unilaterais.
O discurso de Trump afeta o câmbio no Brasil?
Indiretamente e com efeito limitado. O que pesa mais no real é a política de juros do Federal Reserve e decisões comerciais concretas. Retórica de assembleia costuma ter efeito passageiro sobre a cotação.
Que Assembleia Geral da ONU foi essa?
A 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, cuja abertura ocorreu em 22 de setembro de 2026, com discursos de Lula e Trump em sequência.



