O Fiagro é o fundo que leva o dinheiro do investidor comum para o agronegócio. Os rendimentos mensais podem ser isentos de Imposto de Renda para pessoa física, mas só se o fundo cumprir quatro condições que a Lei 14.754/2023 endureceu. Na venda das cotas com lucro, a mordida é de 20%.
Fiagro é o fundo de investimento das cadeias agroindustriais, criado pela Lei 14.130/2021. Ele rende com juros de CRA, recebíveis e aluguel de terras. Para a pessoa física, os rendimentos são isentos se as cotas forem negociadas só em bolsa, o fundo tiver ao menos 100 cotistas e o investidor tiver menos de 10% das cotas.
Principais pontos
- O Fiagro pode ter estrutura de fundo imobiliário, de direitos creditórios (FIDC) ou de participações (FIP).
- A maior parte do rendimento dos Fiagros listados vem de juros de CRA, títulos de dívida do agronegócio.
- Rendimento mensal é isento para pessoa física com cotas negociadas em bolsa, 100 cotistas ou mais e fatia menor que 10%.
- Lucro na venda das cotas paga 20% de IR, sem a isenção de R$ 20 mil mensais das ações.
- O principal risco é o crédito: inadimplência de produtores derruba a distribuição e o preço da cota.
O que é um Fiagro e por que ele foi criado
Fiagro é a sigla de Fundo de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais. Criado pela Lei 14.130, de 2021, ele abriu uma porta para o mercado de capitais financiar o agronegócio, que dependia de crédito rural subsidiado e de bancos públicos. O investidor compra cotas, e o gestor aplica o dinheiro em ativos ligados ao campo.
Na prática, funciona como um fundo imobiliário: a maioria dos fundos da B3 compra títulos de crédito do agro e repassa os juros ao cotista todo mês, com cotas negociadas em bolsa. Quem conhece os fundos imobiliários reconhece a lógica: renda mensal, cota listada e nenhum vencimento.
Os três tipos de Fiagro: FII, FIDC e FIP
A lei permite estruturas diferentes, e cada uma define de onde vem o dinheiro:
| Tipo | Em que investe | De onde vem o retorno | Perfil |
|---|---|---|---|
| Fiagro-FII | CRA, terras, armazéns | Juros dos títulos e aluguel de terras | Maioria dos fundos listados na B3 |
| Fiagro-FIDC | Recebíveis do agro | Pagamento de dívidas de produtores e revendas | Crédito estruturado |
| Fiagro-FIP | Participação em empresas | Valorização e lucros das empresas | Longo prazo, em geral para investidor qualificado |
De onde vem o rendimento na prática
O coração da maioria dos Fiagros é o CRA, o Certificado de Recebíveis do Agronegócio: um título de dívida lastreado em empréstimos a produtores, cooperativas e empresas do setor, corrigido pelo CDI ou pelo IPCA mais uma taxa. Quando o devedor paga, o CRA paga o fundo, que distribui ao cotista. Por isso muitos Fiagros acompanham o CDI, elevado com a Selic a 13,75% em setembro de 2026. O título é explicado no guia sobre CRI e CRA.
Os fundos de terras compram fazendas e as arrendam, com aluguel fixo ou atrelado a uma commodity, como sacas de soja. Nos dois modelos, a distribuição não é garantida: depende do que a carteira recebe no mês.
A isenção de IR depois da Lei 14.754/2023
O grande atrativo do Fiagro para a pessoa física é a isenção de Imposto de Renda sobre os rendimentos distribuídos, prevista na Lei 11.033/2004. A Lei 14.754, de dezembro de 2023, manteve o benefício, mas apertou as condições. Hoje, para o rendimento ser isento, é preciso cumprir tudo ao mesmo tempo: as cotas devem ser negociadas exclusivamente em bolsa ou balcão organizado; o fundo deve ter no mínimo 100 cotistas; o investidor não pode ter 10% ou mais das cotas (nem direito a mais de 10% dos rendimentos); e um grupo de cotistas ligados, como familiares, não pode somar 30% ou mais.
Antes, bastavam 50 cotistas e não havia trava para grupos familiares, o que permitia fundos quase privados com benefício fiscal. A Medida Provisória 1.303/2025 chegou a propor 5% de IR sobre cotas novas, mas perdeu a validade sem virar lei. E a Lei 15.270/2025, do imposto mínimo para altas rendas, deixou de fora da base esses rendimentos isentos.
| Situação | Tributação para pessoa física |
|---|---|
| Rendimento mensal, fundo cumpre todos os requisitos | Isento |
| Rendimento mensal, cotista com 10% ou mais das cotas | Tributado (IR na fonte de 20%) |
| Lucro na venda das cotas em bolsa | 20%, recolhido pelo próprio investidor via DARF |
Exemplo: quanto rende R$ 10 mil em um Fiagro
Suponha, de forma puramente ilustrativa, um Fiagro com dividend yield de 12% ao ano, cerca de 1% ao mês. Com R$ 10.000, seriam cerca de R$ 100 por mês, ou R$ 1.200 em um ano, isentos se o fundo cumprir os requisitos. Não é projeção de nenhum fundo real.
Um CDB a 100% do CDI (perto de 13,65% ao ano com a Selic a 13,75%) renderia R$ 1.365 brutos em um ano; com IR de 17,5%, sobram R$ 1.126,12. Um rendimento isento de 12% equivale a um bruto de cerca de 14,55% em aplicação com essa alíquota (12 ÷ 0,825). Agora, se a cota cair 8% no período, a perda de R$ 800 no preço come dois terços da renda do ano. E, se o investidor vender com lucro, digamos por R$ 10.800, paga 20% sobre os R$ 800 de ganho: R$ 160.
Os riscos: crédito do agro e preço da cota
O risco mais importante é o de crédito. Se produtores deixam de pagar, o CRA deixa de pagar e a distribuição do fundo cai. Não é hipótese teórica: a inadimplência do agro no Banco do Brasil chegou a 8,97%.
Há ainda o risco de mercado (a cota oscila mesmo sem calote), o de liquidez (fundos pequenos têm pouco volume) e o de concentração em poucos devedores grandes. Diferentemente do CDB, o Fiagro não tem cobertura do FGC.
O que isso significa para o investidor
O Fiagro pode fazer sentido para quem busca renda mensal isenta e aceita oscilação de preço. Antes de comprar, leia o relatório gerencial: principais devedores, parcela em atraso, garantias e indexador dos CRAs. Se a ideia é crédito do agro sem oscilação diária, compare com a renda fixa isenta, como LCA e CRA direto.
O que não se sabe é quanto cada fundo vai distribuir nos próximos meses. Dividend yield muito acima dos pares costuma sinalizar risco maior, não oportunidade. O guia sobre FIDC explica a proteção por subordinação usada em parte desses fundos.
Conteúdo informativo, sem recomendação de investimento. O exemplo de dividend yield é hipotético. Regras tributárias verificadas em setembro de 2026 e sujeitas a mudança por lei.
Perguntas frequentes
Fiagro é isento de imposto de renda?
Os rendimentos mensais são isentos para pessoa física se o fundo tiver cotas negociadas só em bolsa, pelo menos 100 cotistas e o investidor tiver menos de 10% das cotas. O lucro na venda das cotas paga 20% de IR.
Qual a diferença entre Fiagro e fundo imobiliário?
A estrutura é parecida, com cotas em bolsa e renda mensal, mas o Fiagro investe no agronegócio, principalmente em CRA e terras. O fundo imobiliário investe em imóveis urbanos, CRI e galpões.
Quanto rende R$ 10 mil em Fiagro?
Com um dividend yield hipotético de 12% ao ano, seriam cerca de R$ 100 por mês ou R$ 1.200 no ano, isentos de IR. O valor real varia mês a mês conforme o que a carteira recebe.
Fiagro tem garantia do FGC?
Não. O Fiagro é um fundo de investimento e não tem cobertura do FGC. Se os devedores da carteira não pagarem, o investidor pode perder rendimento e valor da cota.
Qual o maior risco do Fiagro?
O risco de crédito: inadimplência de produtores e empresas do agro reduz a distribuição e derruba o preço da cota. A oscilação do preço em bolsa e a baixa liquidez de fundos pequenos também pesam.



