A Home Depot divulgou vendas de US$ 47,9 bilhões no trimestre, alta de 5,7%, com lucro de US$ 4,8 bilhões e projeção anual reafirmada. No mesmo dia em que a maior rede americana de material de construção bateu expectativas, o varejo brasileiro de duráveis assistia a uma recuperação judicial de R$ 17,3 bilhões.
A Home Depot reportou em 18 de agosto de 2026 vendas de US$ 47,9 bilhões no segundo trimestre fiscal, alta de 5,7%, com lucro líquido de US$ 4,8 bilhões e lucro ajustado por ação de US$ 4,92. As vendas comparáveis subiram 1,7% e a projeção para o ano foi mantida. O contraste com o varejo brasileiro de bens duráveis se explica principalmente pela diferença de juros.
Principais pontos
- Vendas de US$ 47,9 bilhões, alta de 5,7% ou US$ 2,6 bilhões sobre o ano anterior.
- Lucro líquido de US$ 4,8 bilhões, ou US$ 4,79 por ação, contra US$ 4,6 bilhões um ano antes.
- Lucro ajustado por ação de US$ 4,92, acima dos US$ 4,68 do mesmo período de 2025.
- Vendas comparáveis subiram 1,7%, e nos Estados Unidos, 1,3%.
- A projeção para o ano fiscal de 2026 foi reafirmada; a ação subia cerca de 1,7% no pré-mercado.
Os números do trimestre
| Indicador | 2º tri fiscal 2026 | Ano anterior |
|---|---|---|
| Vendas | US$ 47,9 bilhões | +5,7% (US$ 2,6 bi a mais) |
| Lucro líquido | US$ 4,8 bilhões | US$ 4,6 bilhões |
| Lucro por ação | US$ 4,79 | US$ 4,58 |
| Lucro ajustado por ação | US$ 4,92 | US$ 4,68 |
| Vendas comparáveis | +1,7% | — |
O resultado superou as expectativas de analistas tanto em receita quanto em lucro, e a companhia manteve inalterada a projeção para o ano fiscal. A ação subia cerca de 1,7% nas negociações que antecedem a abertura do mercado.
A métrica que separa crescimento real de crescimento contábil
O número mais importante da tabela não é o de 5,7%, e sim o de 1,7% em vendas comparáveis. Essa métrica mede só as lojas abertas há mais de um ano, eliminando o efeito de inaugurações e aquisições.
A diferença entre os dois indicadores mostra a composição do crescimento: parte vem de mais lojas e parte de mais venda por loja. Um varejista que cresce só abrindo pontos pode estar comprando receita com capital; um que cresce em vendas comparáveis está realmente vendendo mais no mesmo espaço. Aqui há os dois, com o segundo mais modesto.
Por que o contraste com o Brasil importa
Home Depot e Casas Bahia não são idênticas — uma vende material de construção e reforma, a outra eletrodoméstico e móvel — mas compartilham a característica decisiva: venda de ticket alto, adiável e frequentemente financiada.
É exatamente o segmento mais sensível a juros. E aí está a diferença que explica os dois destinos: a taxa básica americana está na faixa de 3,50% a 3,75%, enquanto a Selic brasileira está em 14% ao ano. Não é uma diferença de grau — é de natureza.
A conta do consumidor nos dois países
Considere uma reforma de US$ 5.000 financiada em 24 meses nos Estados Unidos, a uma taxa ao consumidor de 8% ao ano. A parcela sai por cerca de US$ 226, e o total pago fica perto de US$ 5.430 — algo em torno de 8,6% de juros sobre o valor.
No Brasil, uma compra de R$ 3.000 em 12 vezes no crediário a 3% ao mês resulta em parcela de cerca de R$ 301 e total próximo de R$ 3.615 — mais de 20% do valor do produto em juros, em prazo bem menor. O consumidor brasileiro não é menos disposto a comprar: ele enfrenta um preço final muito maior. Detalhamos essa mecânica em varejo com Selic a 14%.
O que não pode ser atribuído ao juro
Seria simplificação atribuir tudo à taxa básica, e vale ser justo com os fatos. A Casas Bahia acumulava problemas próprios: patrimônio líquido negativo de R$ 8,2 bilhões, uma recuperação extrajudicial dois anos antes e prejuízo operacional crescente.
A Home Depot, por sua vez, opera em um mercado com renda per capita muito maior, crédito imobiliário barato que sustenta a demanda por reforma e escala que dilui custo fixo. Juro explica a diferença de ambiente; não explica a diferença de execução. As duas coisas contribuíram.
A lição para quem investe em varejo
O par de resultados no mesmo dia ilustra por que setor não é destino. Varejo de bem durável pode ser excelente negócio em um ambiente de juro civilizado e péssimo em outro. Analisar a empresa sem analisar o custo de crédito do país em que ela opera é análise pela metade.
Na prática, isso significa incluir a taxa básica e o cronograma de dívida na avaliação de qualquer varejista. Uma companhia com dívida baixa atravessa juro alto; uma alavancada não. É a checagem que separa quem sobreviveu de quem pediu recuperação — vale praticar em como ler o balanço de uma empresa.
Como acessar esse tipo de empresa daqui
Para quem quer exposição a varejo americano, os caminhos são três: BDRs negociados na B3, conta em corretora no exterior, ou ETFs que replicam índices americanos.
Duas ressalvas antes de qualquer decisão. A tributação de dividendos de ações americanas tem retenção na fonte, e há risco cambial: o real se valorizou 3,93% em 2026, o que reduz o retorno medido em reais. Diversificação internacional é proteção estrutural, não aposta de curto prazo — o tema está em por que investir fora.
Conteúdo informativo, sem recomendação de compra ou venda. Resultados conforme divulgados pela companhia em 18 de agosto de 2026. Exemplos de financiamento são ilustrativos; taxas variam por instituição.
Perguntas frequentes
Quanto a Home Depot faturou no trimestre?
As vendas somaram US$ 47,9 bilhões, alta de 5,7% ou US$ 2,6 bilhões sobre o mesmo período do ano anterior. O lucro líquido foi de US$ 4,8 bilhões, ou US$ 4,79 por ação.
O que são vendas comparáveis e por que importam?
São as vendas apenas de lojas abertas há mais de um ano, o que elimina o efeito de inaugurações e aquisições. Subiram 1,7% no trimestre, e 1,3% nos Estados Unidos.
Por que o varejo americano cresce e o brasileiro quebra?
A diferença central é o custo do crédito. A taxa básica americana está entre 3,50% e 3,75%, enquanto a Selic brasileira está em 14% ao ano — e os dois setores vendem produtos de ticket alto e financiados.
Foi só o juro que derrubou a Casas Bahia?
Não. A empresa tinha problemas próprios: patrimônio líquido negativo de R$ 8,2 bilhões, uma recuperação extrajudicial dois anos antes e prejuízo operacional crescente. O juro explica o ambiente, não a execução.
Como investir em ações americanas a partir do Brasil?
Por BDRs negociados na B3, conta em corretora no exterior ou ETFs que replicam índices americanos. Atenção à retenção na fonte sobre dividendos e ao risco cambial.



