O Ibovespa chegou a subir e voltar aos 168 mil pontos na terça-feira (18) — e fechou em queda de 0,27%, aos 166.334,86. Foi a 11ª sessão negativa consecutiva e nova mínima de 52 semanas. Uma reversão de mais de 1,5 mil pontos dentro do próprio dia diz mais que o número final.
O Ibovespa fechou 18 de agosto de 2026 aos 166.334,86 pontos, em queda de 0,27%, na 11ª sessão consecutiva de baixa e em nova mínima de 52 semanas. O índice chegou a recuperar os 168 mil pontos durante a sessão antes de devolver todo o ganho. O gatilho da virada foi a declaração de Trump de que não há conversas com o Irã e a alta dos juros longos americanos.
Principais pontos
- Fechamento de 18 de agosto: 166.334,86 pontos, queda de 0,27% e 11ª baixa seguida.
- O índice chegou a voltar aos 168 mil pontos durante a sessão antes de perder tudo.
- Nova mínima de 52 semanas; a máxima do período segue em 199.355 pontos.
- Maiores baixas: C&A com 6,25%, Lojas Renner com 3,27% e Braskem com 3,08%.
- Dólar à vista fechou a R$ 5,2189, em alta de 0,34%, com PTAX de R$ 5,2043.
A reversão que definiu o dia
Depois de dez sessões seguidas de queda, o mercado abriu comprador. O índice recuperou terreno e voltou a operar acima dos 168 mil pontos — algo em torno de 1% de alta. Para quem acompanhava, parecia o fim da sequência.
Não foi. Ao longo da tarde o movimento se desfez por completo, e o Ibovespa fechou 0,27% abaixo do dia anterior. Uma virada dessa magnitude é mais informativa que uma queda linear: mostra que apareceu comprador, mas que ele não sustentou a posição quando o cenário externo piorou.
O que virou a sessão
| Fator | O que aconteceu |
|---|---|
| Geopolítica | Trump afirmou que não há conversas em andamento com o Irã |
| Juros longos nos EUA | Rendimento do Treasury de 30 anos em alta |
| Inflação | Preocupação persistente com preços nos Estados Unidos |
| Tecnologia | Dúvidas sobre o volume de investimento em inteligência artificial |
Os quatro fatores são externos, e é isso que diferencia esta sessão das anteriores. Nas dez quedas precedentes, o motor era doméstico — crédito, fiscal, eleição. Nesta, o gatilho da virada vestiu roupa internacional.
O componente mais relevante é o dos juros longos: o rendimento do Treasury de 30 anos atingiu 5,31%, o maior nível desde 2007. Juro longo americano subindo encarece o capital no mundo e reduz o apetite por bolsa de emergente.
Quem caiu mais
As maiores baixas contam uma história setorial nítida: C&A Modas com 6,25%, Lojas Renner com 3,27% e Braskem com 3,08%. Itaú recuou 0,70% e Axia, 0,72%. A Casas Bahia caiu mais 6,82%, fechando a R$ 0,41.
Duas varejistas de vestuário no topo das perdas, num dia sem notícia própria delas, é contágio. O mercado está reprecificando o setor inteiro depois da recuperação judicial da Casas Bahia — assunto que tratamos em o contágio no varejo de vestuário.
O único apoio: Petrobras, de novo
Do lado positivo, a Petrobras subiu 0,31% com o petróleo em alta — o Brent operou acima de US$ 91 no quarto dia consecutivo de valorização, sustentado pela ausência de solução no conflito entre Estados Unidos e Irã.
É a segunda sessão seguida em que a petroleira funciona como amortecedor do índice. Sem ela, a queda teria sido maior. Mas vale notar o incômodo dessa dependência: o índice está sendo segurado por um prêmio de risco geopolítico, que é o componente mais volátil de qualquer preço.
Onze sessões: o balanço da sequência
Com o fechamento de 166.334,86 pontos, o Ibovespa marcou nova mínima de 52 semanas — a terceira consecutiva. A máxima do período segue em 199.355 pontos, o que coloca o índice no fundo da própria faixa anual.
A sequência de onze baixas se aproxima do recorde recente de treze, registrado em agosto de 2023. O padrão, porém, mudou de caráter: as quedas ficaram pequenas — 0,09% e 0,27% nas duas últimas — o que indica exaustão de vendedor mais que pânico. Mercado que cai pouco todo dia é fluxo, não choque.
O dólar voltou a subir
Na véspera o dólar havia interrompido cinco altas seguidas. Nesta terça retomou o movimento: fechou a R$ 5,2189, em alta de 0,34%, com PTAX de R$ 5,2043.
A combinação bolsa em baixa e dólar em alta é a assinatura de saída de capital — diferente do que ocorreu na segunda, quando os dois caíram juntos. Ainda assim, o enquadramento anual continua valendo: a moeda começou 2026 a R$ 5,4372 e segue abaixo disso.
O que observar nesta quarta
O evento do dia é a divulgação da ata do Federal Reserve, às 15h de Brasília, referente à reunião que manteve os juros com três votos dissidentes pedindo alta. Ata mais dura pressiona ainda mais os juros longos e, por consequência, a bolsa brasileira.
No campo doméstico, o mercado segue acompanhando o desdobramento da recuperação judicial da Casas Bahia e a reação dos bancos credores. Para acompanhar os números em tempo real, use nosso painel de mercado, e para dimensionar a alternativa sem risco, veja quanto a bolsa precisa render para bater o CDI.
Conteúdo informativo, sem recomendação de investimento. Dados referentes ao fechamento de 18 de agosto de 2026. Cotações variam ao longo do dia.
Perguntas frequentes
Quantos pontos o Ibovespa fechou em 18 de agosto de 2026?
O índice fechou aos 166.334,86 pontos, em queda de 0,27%. Foi a 11ª sessão consecutiva de baixa e uma nova mínima em 52 semanas.
O Ibovespa subiu durante a sessão?
Sim. O índice chegou a recuperar os 168 mil pontos, algo em torno de 1% de alta, antes de devolver todo o ganho ao longo da tarde e fechar em queda.
O que provocou a virada da bolsa?
Fatores externos: a declaração de Trump de que não há conversas em andamento com o Irã, a alta do rendimento dos Treasuries de 30 anos, preocupações com inflação nos EUA e dúvidas sobre o investimento em inteligência artificial.
Quais ações caíram mais?
C&A Modas recuou 6,25%, Lojas Renner 3,27% e Braskem 3,08%. A Casas Bahia caiu mais 6,82%, fechando a R$ 0,41. A Petrobras foi o principal apoio, com alta de 0,31%.
Quanto fechou o dólar em 18 de agosto?
O dólar à vista fechou a R$ 5,2189, em alta de 0,34%, com PTAX do Banco Central em R$ 5,2043. A moeda retomou a alta após ter caído na sessão anterior.



