O IGP-M caiu 0,22% em agosto, segundo a FGV, na terceira deflação seguida do índice. Com isso, o acumulado de 12 meses recuou para 2,16% — contra 3,03% um ano antes. É o índice mais usado para reajustar aluguel, e ele está rodando abaixo do centro da meta de inflação, de 3%.
O Índice Geral de Preços – Mercado caiu 0,22% em agosto de 2026, divulgou a FGV em 28 de agosto. Em julho a variação havia sido de −1,16%. No acumulado do ano o índice registra alta de 1,85% e, em 12 meses, de 2,16%. Em agosto de 2025 o IGP-M havia subido 0,36% e acumulava 3,03% em 12 meses, o que mostra a desaceleração no comparativo anual.
Principais pontos
- O IGP-M caiu 0,22% em agosto de 2026, após recuo de 1,16% em julho.
- No acumulado do ano o índice sobe 1,85% e em 12 meses, 2,16%.
- Um ano antes, o acumulado de 12 meses era de 3,03%.
- O índice está rodando abaixo do centro da meta de inflação, de 3%.
- É o indicador mais usado em contratos de aluguel e de serviços regulados.
O que o IGP-M mede
Ao contrário do IPCA, que mede preços ao consumidor, o IGP-M é um índice geral: combina três componentes com pesos distintos. O maior deles, com 60% do total, é o IPA, que mede preços no atacado — o produtor vendendo para o comércio.
Completam a composição o IPC, de preços ao consumidor, com 30%, e o INCC, de custo da construção, com 10%. Essa estrutura explica o comportamento do índice: como dois terços dele vêm do atacado, o IGP-M é muito mais sensível a câmbio e commodities do que a mensalidade escolar ou consulta médica. A comparação entre os índices está em qual índice usar para cada coisa.
A sequência de deflação
Agosto foi o terceiro mês consecutivo de queda: −0,50% em junho, −1,16% em julho e −0,22% em agosto. A intensidade diminuiu — a deflação de agosto é bem menor que a de julho —, mas o sinal se manteve negativo.
Vale registrar que a segunda prévia do mês apontava queda mais forte, de 0,36%, sustentada pela retração do atacado, com o IPA-M passando de −1,72% em julho para −0,50% em agosto. O resultado final veio menos negativo que a prévia, o que indica pressão de preços na segunda metade da janela de coleta.
| Referência | IGP-M |
|---|---|
| Agosto de 2026 | −0,22% |
| Julho de 2026 | −1,16% |
| Junho de 2026 | −0,50% |
| Acumulado de 2026 | +1,85% |
| Acumulado em 12 meses | +2,16% |
| 12 meses em agosto de 2025 | +3,03% |
| Agosto de 2025 no mês | +0,36% |
Por que o câmbio é o motor
A explicação está no peso do atacado. Boa parte dos produtos que compõem o IPA é cotada em dólar ou tem preço formado pela paridade internacional: soja, milho, minério de ferro, aço, químicos, combustíveis.
Ao longo de 2026 o real se valorizou — o dólar cai 4,35% no ano, tendo começado em R$ 5,4372. Real mais forte significa commodity mais barata em reais, e commodity mais barata derruba o atacado. Foi esse mecanismo que produziu três meses de deflação no IGP-M. E é ele que muda de sinal se o dólar seguir subindo, como fez na sexta-feira.
Abaixo do centro da meta
Um detalhe que dá dimensão ao número: com 2,16% em 12 meses, o IGP-M está rodando abaixo do centro da meta de inflação, que é de 3%. E está a menos da metade do IPCA-15, que marcou 4,24% em 12 meses.
Essa divergência entre os dois índices é grande e não é acidente — ela é a consequência direta da diferença de composição. O IGP-M capta a deflação de atacado; o IPCA capta a inflação de serviços, que segue resistente. O mecanismo está detalhado em por que os dois índices divergiram tanto em 2026.
Quem é afetado por esse número
O IGP-M é o indexador tradicional de contratos de aluguel, tanto residencial quanto comercial, e aparece também em contratos de serviços regulados, planos de assistência e mensalidades de longo prazo.
Com 12 meses a 2,16%, quem tem aniversário de contrato agora recebe um reajuste modesto — bem menor que os dois dígitos que assustaram inquilinos em anos passados. Para o locatário, é alívio; para o proprietário, é receita corrigida abaixo da inflação ao consumidor que ele mesmo enfrenta. O cálculo passo a passo está em como calcular o reajuste em 2026.
A reversão é plausível
Vale dizer o que não se sabe. Três meses de deflação não estabelecem tendência de longo prazo, e o motor principal do movimento — o real forte — acaba de mudar de direção.
Se o dólar continuar subindo com o Fed sinalizando aperto, o atacado volta a pressionar e o IGP-M pode voltar ao território positivo com rapidez. O índice é conhecido justamente por ser volátil: em abril de 2026 ele subiu 2,73% em um único mês. Quem projeta reajuste contratual com base no acumulado atual precisa considerar que ele pode ser bem diferente em seis meses.
O que isso significa para você
Três leituras. Sobre aluguel: se o seu contrato reajusta por IGP-M e o aniversário é agora, o índice está favorável ao inquilino. Se o contrato usa IPCA, o reajuste será quase o dobro — e a escolha do indexador na assinatura importa mais do que parece.
Sobre investimento: títulos indexados ao IGP-M rendem menos quando o índice está baixo, e essa é a razão pela qual quase não se emitem mais papéis nesse indexador. Com 2,16% em 12 meses contra a Selic a 14%, a comparação é desfavorável.
Sobre leitura de inflação: não use o IGP-M como termômetro do seu custo de vida. Ele mede atacado, e a sua cesta é de consumo. Para orçamento pessoal, o índice relevante é o IPCA — e ele está mais que o dobro.
Conteúdo informativo, sem recomendação de investimento. Dados do IGP-M conforme divulgação da FGV em 28 de agosto de 2026, sujeitos a revisão. Pesos dos componentes são os da metodologia vigente.
Perguntas frequentes
Quanto foi o IGP-M de agosto de 2026?
O índice caiu 0,22% no mês, terceira deflação consecutiva, após recuo de 1,16% em julho. No acumulado do ano sobe 1,85% e em 12 meses, 2,16%.
Como o IGP-M é composto?
Por três componentes: o IPA, de preços no atacado, com 60% do peso; o IPC, de preços ao consumidor, com 30%; e o INCC, de custo da construção, com 10%. Dois terços do índice vêm do atacado.
Por que o IGP-M caiu tanto em 2026?
Pelo câmbio. Boa parte dos produtos do atacado é cotada em dólar ou tem preço pela paridade internacional. Com o real se valorizando no ano, a commodity ficou mais barata em reais e derrubou o índice.
Por que o IGP-M está tão abaixo do IPCA?
Porque medem coisas diferentes. O IGP-M capta a deflação de atacado ligada a câmbio e commodities; o IPCA capta a inflação de serviços, que segue resistente. Em 12 meses são 2,16% contra 4,24% do IPCA-15.
Esse número vale para o reajuste do meu aluguel?
Se o seu contrato indexa pelo IGP-M, o reajuste usa o acumulado de 12 meses no mês de aniversário do contrato. Com 2,16%, o reajuste atual é modesto — mas o índice é volátil e pode mudar em poucos meses.



