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ISA Energia Brasil tem lucro regulatório de R$ 1.904,8 milhões no 3T26, com ganho contábil

ISA Energia Brasil lucra R$ 1.904,8 milhões na base regulatória. Entenda o ganho contábil, o resultado sem esse efeito e a base dos proventos.

ISA Energia Brasil tem lucro regulatório de R$ 1.904,8 milhões no 3T26, com ganho contábil

A ISA Energia Brasil (ISAE3) registrou lucro líquido regulatório de R$ 1.904,8 milhões no terceiro trimestre de 2026, alta de 246,3% sobre o mesmo período de 2025. O salto inclui um ganho contábil extraordinário ligado à reorganização das participações na IE Madeira e na IE Garanhuns. Sem esse efeito, descontados os impostos correspondentes, o lucro foi de R$ 625,5 milhões, ante R$ 550,0 milhões um ano antes.

Última cotação de ISAE3 na B3: R$ 33,42 (-2,82% no dia) em 03/11/2026 (fonte: Brapi).

Resumo rápido

A receita líquida regulatória da ISA Energia Brasil cresceu 40,9%, para R$ 1.510,7 milhões, com novos projetos em operação e a incorporação integral dos resultados da IE Madeira. O ganho contábil da reorganização não representou entrada de caixa e será excluído da referência usada pela companhia para distribuir proventos. Já pelas normas internacionais de contabilidade, o lucro líquido foi de R$ 913,8 milhões, alta de 16,4%.

Principais pontos

  • O lucro líquido regulatório acumulou R$ 2.436,4 milhões nos primeiros nove meses de 2026, avanço de 113,2%.
  • O efeito contábil da reorganização somou R$ 1.938,3 milhões antes dos impostos, sem impacto no caixa.
  • O EBITDA regulatório, resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização, atingiu R$ 3.190,1 milhões, alta de 259,0%.
  • A dívida líquida encerrou setembro em R$ 17.018,3 milhões, aumento de 32,1% na comparação anual.
  • Os investimentos, excluídas aquisições de empresas e participações, totalizaram R$ 1.103,3 milhões no trimestre, queda de 8,5%.
  • Os juros sobre capital próprio já aprovados somam R$ 398,7 milhões, com pagamento previsto para 7 de dezembro de 2026.

A reorganização que ampliou o lucro

A ISA Energia Brasil concluiu em 31 de julho o chamado descruzamento de participações com a AXIA Energia: passou a deter 100% da IE Madeira e deixou de participar da IE Garanhuns. A operação envolveu o pagamento de uma torna, valor usado para acertar a diferença entre as participações negociadas, de R$ 1,2 bilhão à AXIA.

Na contabilidade regulatória, que segue as regras do setor elétrico, a transação gerou três ganhos. Foram R$ 655,2 milhões pela compra vantajosa da participação adicional na Madeira, R$ 1.211,0 milhões pela atualização do valor da participação que a companhia já possuía e R$ 72,1 milhões pela venda da fatia na Garanhuns.

Esses registros somaram R$ 1.938,3 milhões antes dos impostos. Depois do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido associados à operação, o efeito ficou em R$ 1.279,3 milhões. Trata-se de reconhecimento de valor na contabilidade, não de dinheiro novo recebido pela empresa.

Sem esse efeito, o EBITDA regulatório pró-forma, medida apresentada pela companhia para retirar o ganho extraordinário, foi de R$ 1.251,7 milhões, alta de 40,9%. Nos nove meses, o lucro regulatório também sem esse impacto atingiu R$ 1.157,1 milhões, crescimento de 1,2%.

Novos projetos e Madeira elevaram a receita

O crescimento da receita não veio apenas do lançamento contábil. A companhia passou a receber receitas dos projetos Riacho Grande, Jacarandá e Piraquê, energizados entre outubro de 2025 e junho de 2026. Juntos, eles têm Receita Anual Permitida, ou RAP, de R$ 478,9 milhões para o ciclo 2026/2027 — a remuneração anual autorizada para prestar o serviço de transmissão.

A partir de agosto, a IE Madeira também passou a ter seus resultados integralmente incluídos nas contas consolidadas da ISA Energia Brasil. Isso acrescentou R$ 144,5 milhões à receita do trimestre. Antes, a participação de 51% aparecia por equivalência patrimonial, registro da parcela do resultado de uma investida que cabe à acionista.

A mudança altera a forma como o negócio aparece no balanço: receitas e despesas da Madeira passaram a integrar diretamente as respectivas linhas do grupo. Por isso, parte da expansão consolidada reflete uma mudança de perímetro, e não apenas o crescimento dos ativos que já estavam nessa base.

Também contribuíram o reajuste tarifário do ciclo 2026/2027, a entrada de reforços e melhorias e uma parcela de ajuste positiva de R$ 150,1 milhões ligada à mudança de ciclo tarifário.

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Por que o lucro pelas normas internacionais é diferente

Pelas normas internacionais de contabilidade, conhecidas como IFRS, o lucro líquido atribuível aos acionistas foi de R$ 913,8 milhões, avanço de 16,4%. A receita líquida nessa base somou R$ 2.333,7 milhões, queda de 8,8%. Esses números seguem critérios diferentes dos usados no resultado regulatório.

No regulatório, a receita acompanha a RAP registrada conforme o faturamento da concessão. No IFRS, também são reconhecidas receitas relacionadas à implementação da infraestrutura e à remuneração dos valores contratuais a receber. Assim, obras e ativos entram nas contas de maneiras distintas.

A reorganização societária também teve efeitos diferentes nas duas bases. Na avaliação da participação anterior na Madeira, houve ganho no regulatório e perda no IFRS, porque os valores registrados antes da operação eram distintos. Na venda da Garanhuns, a relação entre o preço recebido e o valor contábil também produziu resultados diferentes.

O comunicado informa que os resultados regulatórios são auditados anualmente, mas não passam por revisão trimestral. A distinção entre as bases permite identificar qual resultado está sendo usado em cada comparação.

Despesas e dívida também cresceram

Os gastos com pessoal, materiais, serviços e outros, agrupados na sigla PMSO, chegaram a R$ 235,3 milhões no trimestre, alta de 25,5%. A companhia citou custos de remuneração e benefícios, serviços jurídicos, manutenção de áreas e a consolidação integral da Madeira entre os fatores de aumento.

A despesa financeira líquida atingiu R$ 348,1 milhões, avanço de 18,7%. Segundo a empresa, o maior saldo médio da dívida e a incorporação das despesas financeiras da Madeira contribuíram para o resultado.

A dívida líquida de R$ 17.018,3 milhões subiu 20,5% desde dezembro de 2025. As captações, a consolidação da dívida da Madeira e a atualização monetária explicam o aumento, parcialmente compensado pela oferta primária de ações, que levantou R$ 1,2 bilhão em julho.

A emissão de debêntures — títulos de dívida vendidos a investidores — de R$ 1 bilhão encerrada em julho ainda não havia sido desembolsada. Por isso, não integrava o endividamento. O prazo de liquidação vai até fevereiro de 2027, e os recursos serão destinados a reforços e melhorias.

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Investimentos migram para reforços e melhorias

A queda de 8,5% nos investimentos totais refletiu a redução de projetos novos em construção após a conclusão de Riacho Grande, Jacarandá e Piraquê. Ao mesmo tempo, os aportes em reforços e melhorias da rede existente cresceram 32,1%, para R$ 578,5 milhões no trimestre.

Nos novos empreendimentos, a empresa investiu R$ 524,9 milhões. Serra Dourada atingiu 64% de avanço físico, enquanto Itatiaia chegou a 35%. Os dois projetos têm RAP conjunta de R$ 596,9 milhões no ciclo 2026/2027 e cerca de R$ 4,1 bilhões em investimentos remanescentes.

O que muda para o acionista

O salto do lucro regulatório não será transferido automaticamente para a base dos proventos. A companhia excluirá o efeito contábil extraordinário dessa referência. Sua prática é distribuir ao menos 75% do lucro regulatório, sujeita à aprovação em assembleia e respeitado o mínimo obrigatório.

Já estão aprovados R$ 0,566877 por ação em juros sobre capital próprio, forma de remuneração ao acionista que pode ser deduzida pela empresa no cálculo de impostos. O pagamento terá retenção de Imposto de Renda na fonte e ocorrerá em 7 de dezembro de 2026.

São três parcelas de R$ 0,188959 por ação, com datas-base em 8 de outubro, 9 de novembro e 25 de novembro. Cada parcela exige a posição acionária na respectiva data; as datas sem direito são 9 de outubro, 10 de novembro e 26 de novembro. A teleconferência dos resultados está marcada para 4 de novembro, às 10h de Brasília.

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Perguntas frequentes

Quanto a ISA Energia Brasil lucrou no terceiro trimestre?

O lucro regulatório foi de R$ 1.904,8 milhões, com crescimento de 246,3% sobre o terceiro trimestre de 2025. Na contabilidade IFRS, que segue as normas internacionais, o lucro foi de R$ 913,8 milhões, alta de 16,4%.

O ganho contábil virou dinheiro no caixa?

Não: o efeito extraordinário de R$ 1.938,3 milhões antes dos impostos não teve impacto no caixa. Ele decorreu dos registros contábeis da reorganização das participações na IE Madeira e na IE Garanhuns.

Esse lucro maior aumenta a base dos proventos?

O ganho extraordinário será retirado do lucro regulatório usado como referência para os proventos. Sem esse efeito e os impostos correspondentes, essa base foi de R$ 625,5 milhões no trimestre e R$ 1.157,1 milhões nos nove meses.

Quando os juros sobre capital próprio serão pagos?

O pagamento dos JCP aprovados está previsto para 7 de dezembro de 2026, com retenção de Imposto de Renda na fonte. O total aprovado é de R$ 0,566877 por ação, dividido em parcelas com datas-base de 8 de outubro, 9 de novembro e 25 de novembro.

Ativos citados nesta matéria

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RD

Redação Arena do Dinheiro

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