O Itaú Unibanco (ITUB3) registrou resultado recorrente gerencial de R$ 12,6 bilhões no terceiro trimestre de 2026, segundo a apresentação de resultados à imprensa. A medida usada pelo banco para retratar seu desempenho recorrente cresceu 2,5% em relação ao trimestre anterior e 6,7% na comparação anual, com os ajustes de comparação indicados pela companhia.
Última cotação de ITUB3 na B3: R$ 42,83 (-0,53% no dia) em 03/11/2026 (fonte: Brapi).
Resumo rápido
O Itaú encerrou o trimestre com retorno recorrente gerencial sobre o patrimônio de 23,6% no consolidado e 24,5% no Brasil. A carteira de crédito chegou a R$ 1,544 trilhão, enquanto a margem financeira com clientes somou R$ 33,3 bilhões. A apresentação também detalha a qualidade dos empréstimos e explica que a venda da operação de varejo na Colômbia afeta as comparações entre períodos.
Principais pontos
- O resultado recorrente gerencial atingiu R$ 12,6 bilhões, com crescimento trimestral de 2,5%.
- O retorno recorrente gerencial sobre o patrimônio foi de 23,6% no consolidado e 24,5% no Brasil.
- A carteira de crédito brasileira somou R$ 1.300,2 bilhões em setembro, alta de 10,9% em relação a setembro de 2025.
- A margem financeira com clientes alcançou R$ 33,3 bilhões, avanço de 6,9% na comparação anual.
- O índice de eficiência ficou em 37,5% no consolidado e 35,7% no Brasil.
- O capital principal, identificado pela sigla CET I, correspondeu a 12,7% em setembro.
Resultado e rentabilidade medem aspectos diferentes
Os R$ 12,6 bilhões representam o resultado recorrente gerencial, uma medida que segue os critérios de gestão do banco para apresentar o desempenho recorrente. Essa identificação importa: o número deve ser lido como o indicador informado pela companhia, sem ser confundido automaticamente com outras medidas de lucro.
Já o ROE, sigla para retorno sobre o patrimônio líquido, relaciona o resultado ao capital dos acionistas. Enquanto o resultado mostra o valor obtido no período, o ROE ajuda a dimensionar esse ganho em relação à base de patrimônio utilizada pelo banco. No consolidado, o indicador recorrente gerencial foi de 23,6%; na operação brasileira, de 24,5%.
Outra peça do resultado é a margem financeira com clientes, que reflete o ganho das operações com clientes depois dos custos financeiros associados. Ela chegou a R$ 33,3 bilhões, com expansão de 2,6% sobre o segundo trimestre e de 6,9% sobre o terceiro trimestre de 2025. Não se trata do lucro final: despesas operacionais, perdas com crédito e outros componentes também entram na formação do resultado.
Crédito cresce no Brasil, com avanço em empresas e imóveis
A carteira de crédito, o estoque de operações informado pelo banco, alcançou R$ 1.544,4 bilhões em setembro. Esse total inclui títulos privados e garantias financeiras prestadas. Por isso, seu alcance é maior do que apenas a soma de empréstimos tradicionais depositados na conta de pessoas e empresas.
No Brasil, a carteira atingiu R$ 1.300,2 bilhões, com aumento de 2,4% sobre junho e de 10,9% em relação a setembro de 2025. O segmento de pessoas físicas somou R$ 500,4 bilhões. Dentro dele, o crédito imobiliário chegou a R$ 158,8 bilhões, alta anual de 15,8%, e o consignado, cujas parcelas são descontadas da renda do tomador, alcançou R$ 84,2 bilhões, avanço de 16,3%.
O crescimento não foi uniforme. A carteira de veículos ficou em R$ 35 bilhões, queda de 3,6% em relação a setembro de 2025. O crédito pessoal somou R$ 69 bilhões, com expansão anual de 1%. Esses recortes mostram por que o total da carteira não descreve sozinho o comportamento de cada linha.
Entre as empresas, a carteira de micro, pequenas e médias atingiu R$ 320,4 bilhões, crescimento de 4,2% no trimestre e de 15,1% em um ano. A de grandes empresas chegou a R$ 479,4 bilhões, com avanço trimestral de 1% e anual de 9,5% na tabela apresentada pelo banco.
Venda do varejo colombiano muda a base de comparação
A apresentação informa que a operação de varejo da Colômbia foi vendida em julho de 2026. Quando uma parte do negócio deixa de integrar a operação, comparar os totais de períodos diferentes exige separar a mudança de tamanho da empresa do desempenho das atividades que permaneceram.
Na tabela da carteira, o total passa de R$ 1.522,4 bilhões em junho para R$ 1.544,4 bilhões em setembro, variação de 1,4%. Na comparação anual, a expansão apresentada nessa mesma tabela é de 10,2%. Já o quadro que exclui o efeito da venda na Colômbia mostra crescimento de 2,2% no trimestre e 10,9% em um ano.
Não são percentuais intercambiáveis: cada um responde a uma comparação diferente. O documento também apresenta uma visão sem variação cambial, que busca retirar o efeito da conversão de moedas sobre os saldos. Nesse recorte, o crescimento total foi de 1,8% no trimestre e de 10,4% na comparação anual.
Para as variações dos indicadores de resultado, o banco informa que a diferença entre trimestres do resultado do varejo colombiano foi considerada no trimestre-base da comparação. Esse ajuste precisa permanecer junto da leitura das taxas de crescimento divulgadas.
Qualidade do crédito inclui atrasos, provisões e garantias
O tamanho da carteira mostra quanto o banco tem em operações de crédito. A qualidade dessa carteira exige outra leitura: quanto está atrasado, quais perdas foram estimadas e quais garantias acompanham os contratos. A apresentação usa indicadores de inadimplência por faixa de atraso para detalhar essa composição.
O banco informou a venda de créditos com baixa probabilidade de recuperação para empresas não ligadas, sem retenção de riscos. Eram operações que estariam ativas no fim de setembro e com atraso superior a 90 dias: R$ 94 milhões em pessoas físicas, R$ 140 milhões em micro, pequenas e médias empresas e R$ 17 milhões na América Latina.
Segundo a apresentação, essas vendas e o ajuste indicado para a carteira colombiana tiveram impacto de 0,02 ponto percentual no indicador consolidado de atraso acima de 90 dias. A informação ajuda a distinguir a mudança no indicador decorrente da composição da carteira daquela associada ao pagamento dos contratos.
O documento também mostra maior participação de garantias no crédito às empresas menores. Na carteira de micro, pequenas e médias, essa parcela passou de 36% em dezembro de 2019 para 58% em setembro de 2026. Entre micro e pequenas empresas, passou de 37% para 72%. Garantias podem servir à recuperação de valores em caso de descumprimento, mas não significam ausência de inadimplência.
Eficiência e capital completam o retrato do trimestre
O índice de eficiência ficou em 37,5% no consolidado e 35,7% no Brasil. Esse indicador relaciona despesas à geração de receitas: em termos gerais, mostra quanto da receita é consumido pela estrutura operacional. Ele complementa a análise do resultado, mas não substitui os dados de crédito e rentabilidade.
O capital principal, ou CET I, foi de 12,7%. Trata-se de uma medida do capital de maior qualidade em relação aos ativos ponderados pelo risco, cálculo que atribui pesos diferentes às exposições do banco.
A companhia também apresentou uma simulação: considerando CET I de 11,5%, o retorno recorrente gerencial seria de 24,7% no consolidado e de 25,8% no Brasil. É uma hipótese de cálculo, não o retorno efetivamente informado para a estrutura de capital do trimestre.
O que muda para o acionista
O balanço permite separar três dimensões do negócio: o crescimento das operações, o resultado produzido por elas e o capital utilizado para sustentar a atividade. A expansão do crédito não se traduz automaticamente em igual crescimento do lucro, porque custos, atrasos e composição da carteira também entram nessa conta.
Para quem tem ações do Itaú, a consequência prática desta apresentação é uma atualização do desempenho operacional. A leitura das comparações precisa considerar o ajuste da Colômbia, e a simulação de rentabilidade deve permanecer separada dos indicadores efetivamente registrados.
Perguntas frequentes
Quanto o Itaú ganhou no terceiro trimestre de 2026?
O resultado recorrente gerencial foi de R$ 12,6 bilhões. Pelos critérios de comparação apresentados pelo banco, houve crescimento de 2,5% sobre o trimestre anterior e de 6,7% em relação ao terceiro trimestre de 2025.
Por que aparecem dois números de crescimento da carteira?
Os percentuais usam bases de comparação diferentes, por causa da venda do varejo colombiano. A tabela de saldos mostra expansão trimestral de 1,4%, enquanto o recorte que exclui o efeito da venda apresenta crescimento de 2,2%.
O que significa o ROE de 23,6%?
É o retorno recorrente gerencial sobre o patrimônio líquido consolidado do Itaú. O indicador relaciona o resultado à base de capital dos acionistas, em vez de mostrar apenas o valor do ganho em reais.
A rentabilidade de 24,7% já foi alcançada?
Não: os 24,7% são uma simulação apresentada pelo banco para o consolidado, considerando capital principal de 11,5%. O retorno recorrente gerencial informado para o trimestre foi de 23,6%, com capital principal de 12,7%.
Ativos citados nesta matéria
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