A Localiza (RENT3) registrou lucro líquido de R$ 1,125 bilhão no terceiro trimestre de 2026, aumento de 29,1% sobre o resultado ajustado do mesmo período de 2025. A receita líquida consolidada alcançou R$ 12,278 bilhões, alta de 14,4%, com crescimento tanto nos aluguéis quanto nas vendas de seminovos.
Última cotação de RENT3 na B3: R$ 29,07 (-1,32% no dia) em 05/11/2026 (fonte: Brapi).
Resumo rápido
A Localiza ampliou receitas e lucro no terceiro trimestre, apoiada no aumento das diárias e dos preços de aluguel. A comparação de lucro exclui da base de 2025 a perda provocada pela redução do IPI, imposto sobre produtos industrializados. Ao mesmo tempo, a companhia elevou a depreciação por carro no Aluguel de Carros e registrou queda da margem de Seminovos no Brasil.
Principais pontos
- O lucro líquido somou R$ 1,125 bilhão, avanço de 29,1% sobre o terceiro trimestre de 2025 ajustado.
- A receita consolidada chegou a R$ 12,278 bilhões, crescimento anual de 14,4%.
- A receita de Aluguel de Carros no Brasil aumentou 16,5%, para R$ 3,025 bilhões.
- A Localiza vendeu 87.850 carros no Brasil durante o trimestre.
- A dívida líquida encerrou setembro em R$ 33,063 bilhões, alta de 6,5% sobre o fim de 2025.
- O pagamento de R$ 0,556580 por ação em juros sobre capital próprio está previsto para 18 de novembro de 2026.
Por que a comparação do lucro usa uma base ajustada
O crescimento de 29,1% compara o lucro atual com os R$ 871,4 milhões ajustados do terceiro trimestre de 2025. Naquele período, a empresa reconheceu uma perda de R$ 613 milhões no lucro líquido relacionada aos efeitos da redução do IPI. O lucro contábil, que inclui esse impacto, foi de R$ 258,1 milhões.
O ajuste retira esse efeito da comparação. Assim, a taxa apresentada pela companhia não mede a variação sobre o lucro contábil de 2025, mas sobre o resultado daquele trimestre sem a perda associada ao imposto.
O EBITDA, resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização, atingiu R$ 4,029 bilhões, alta de 13,7% sobre a base ajustada. Já o EBIT, resultado operacional após depreciação e amortização e antes de juros e impostos, somou R$ 2,516 bilhões, avanço de 11,3% também sobre a base ajustada.
Segundo a Localiza, o lucro ganhou R$ 486 milhões com a expansão do EBITDA. Parte desse avanço foi absorvida por R$ 232 milhões adicionais de depreciação e amortização de mais-valia, ligada a ajustes contábeis de aquisições, e R$ 29 milhões a mais em despesas financeiras líquidas. A redução dos impostos sobre o lucro contribuiu com R$ 28 milhões.
Mais diárias e tarifas maiores sustentaram os aluguéis
No Aluguel de Carros no Brasil, a receita líquida cresceu 16,5%, para R$ 3,025 bilhões. O número de diárias avançou 10,6%, enquanto a diária média subiu 5,2%, para R$ 157,9. A companhia atribuiu o desempenho à maior disponibilidade de veículos e à demanda de pessoas físicas e empresas.
A taxa de utilização, que mede o aproveitamento da frota disponível para locação, chegou a 82,4%, o maior nível dos últimos cinco anos, segundo o documento. O cálculo desconsidera carros em preparação para entrar ou sair da operação.
A margem EBITDA, parcela da receita que sobra nessa medida de resultado, ficou em 67,1%. Apesar do crescimento dos aluguéis, ela recuou 0,6 ponto percentual ante a base ajustada de 2025. Custos maiores com pessoal, tecnologia e publicidade foram parcialmente compensados por menores gastos de manutenção e preparação por carro.
Em Gestão de Frotas, a receita alcançou R$ 2,428 bilhões, alta de 6,8%. A diária média avançou 6,3%, para R$ 110,6, e a utilização atingiu 96,9%. A margem EBITDA chegou a 78,7%, apoiada, segundo a empresa, por tarifas maiores, eficiência de custos, redução de provisões para possíveis perdas com clientes e créditos fiscais.
Venda de seminovos renova a frota, mas teve margem menor
A receita consolidada de Seminovos, incluindo o México, somou R$ 6,772 bilhões, crescimento de 16%. No Brasil, foram vendidos 87.850 veículos. Essa saída de carros faz parte do ciclo do negócio: a companhia compra os veículos, recebe pelos aluguéis e depois os vende para renovar a frota.
O aumento da receita não se traduziu em expansão do resultado dessa divisão no Brasil. O EBITDA caiu 24,9% sobre a base ajustada, para R$ 111,3 milhões, e a margem passou de 2,6% para 1,6%. Os custos e as despesas cresceram mais que a receita.
A Localiza atribuiu essa pressão ao cenário de preços dos carros e ao maior peso das despesas comerciais, gerais e administrativas sobre as vendas. Portanto, vender mais veículos e obter uma margem maior são movimentos distintos.
No trimestre, a empresa comprou 89.811 carros no Brasil e investiu R$ 1,752 bilhão, em termos líquidos, na renovação e expansão da frota. A idade média operacional no Aluguel de Carros caiu de 10,7 para 7,8 meses. Segundo a companhia, veículos mais novos ajudam a reduzir manutenção e preparação e a ampliar a disponibilidade para aluguel.
A queda dos preços dos carros pesa na depreciação
A depreciação distribui, ao longo do uso, a perda estimada de valor do veículo. No cálculo da Localiza, entram o preço de compra, o valor esperado de revenda e os custos previstos para vender o carro. Essas estimativas são revistas para aproximar o valor contábil dos preços de mercado.
Segundo a companhia, lançamentos, mudanças de ano e modelo e maior competição na indústria automotiva pressionaram os preços de veículos novos e usados. Em resposta, ela aumentou a depreciação por carro no Aluguel de Carros em relação aos trimestres anteriores.
A depreciação média anualizada, apresentada em ritmo equivalente a um ano, foi de R$ 8.757 por carro nessa divisão e de R$ 9.231 em Gestão de Frotas. A empresa informou que continua recompondo tarifas e incorporando estimativas menores de revenda aos novos contratos de Gestão de Frotas.
Dívida tem proteção de juros e caixa de R$ 11,448 bilhões
A dívida líquida, saldo das dívidas descontados os recursos em caixa e aplicações, encerrou setembro em R$ 33,063 bilhões. O caixa somou R$ 11,448 bilhões, suficiente, segundo a Localiza, para cobrir a dívida de curto prazo e as obrigações com montadoras.
Desse endividamento líquido, R$ 24,734 bilhões estavam protegidos por swaps, contratos que trocam a exposição a juros variáveis por uma taxa prefixada. A taxa média dessa parcela era de 12,6% ao ano, acrescida do adicional cobrado nas respectivas captações.
Outros R$ 8,328 bilhões permaneciam expostos ao CDI, referência de juros usada nesses contratos. Segundo a empresa, a proteção busca dar previsibilidade ao custo financeiro dos contratos de Gestão de Frotas; ela não elimina a dívida nem o pagamento de juros.
O que muda para o acionista
O resultado mostra expansão dos aluguéis e do lucro, enquanto a revenda dos veículos e a depreciação continuam influenciando quanto desse crescimento chega ao resultado final. Nos nove primeiros meses de 2026, a diferença entre o retorno sobre o capital investido e o custo da dívida após impostos ficou em 6,4 pontos percentuais, dentro da faixa-alvo da companhia.
Há também um pagamento já aprovado: R$ 614,9 milhões em juros sobre capital próprio, uma forma de remuneração ao acionista. O valor de R$ 0,556580 por ação será pago em 18 de novembro de 2026, com base na posição acionária de 25 de setembro de 2026. Essa data passada, e não a publicação do resultado, define a posição considerada para o pagamento.
Perguntas frequentes
Quanto a Localiza lucrou no terceiro trimestre?
A Localiza teve lucro líquido de R$ 1,125 bilhão no terceiro trimestre de 2026. O avanço foi de 29,1% em relação ao lucro ajustado do mesmo trimestre de 2025.
Por que o lucro de 2025 foi ajustado na comparação?
A comparação exclui uma perda de R$ 613 milhões ligada à redução do IPI em 2025. Sem esse efeito, a base de lucro do terceiro trimestre daquele ano ficou em R$ 871,4 milhões.
A Localiza ganhou mais com a venda de carros usados?
No Brasil, a receita de Seminovos aumentou, mas o EBITDA caiu 24,9% sobre a base ajustada, para R$ 111,3 milhões. A margem dessa operação recuou de 2,6% para 1,6%, com custos e despesas crescendo mais que a receita.
Quando o JCP cai na conta?
O pagamento está programado para 18 de novembro de 2026, no valor de R$ 0,556580 por ação. A posição acionária considerada é a de 25 de setembro de 2026.
Ativos citados nesta matéria
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