A Lojas Renner (LREN3) registrou lucro líquido de R$ 246,4 milhões no terceiro trimestre de 2026, queda de 11,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. A receita líquida de varejo recuou 1,6%, e o resultado de serviços financeiros caiu 49%. A companhia também descontinuou suas projeções de crescimento da receita líquida para 2026 e para o período de 2027 a 2030, mantendo as demais estimativas.
Última cotação de LREN3 na B3: R$ 9,53 (+1,49% no dia) em 05/11/2026 (fonte: Brapi).
Resumo rápido
A Renner vendeu menos, mas ampliou a margem bruta do varejo e elevou o resultado operacional desse segmento. A melhora não compensou a redução da contribuição da Realize, instituição financeira do grupo. Nos nove meses de 2026, o lucro líquido somou R$ 908,3 milhões, praticamente estável, com alta de 0,4%.
Principais pontos
- Receita líquida de varejo de R$ 3.029,4 milhões, redução anual de 1,6%.
- Vendas em mesmas lojas caíram 2,5% no trimestre.
- Margem bruta de varejo atingiu 55,5%, recorde da companhia para um terceiro trimestre.
- Resultado da Realize ficou em R$ 40,7 milhões, queda de 49%.
- Fluxo de caixa livre somou R$ 423,4 milhões, recuo de 10,6%.
- Previsão de abertura de 50 a 60 lojas em 2026 foi mantida.
Vendas recuam apesar do avanço digital e da Youcom
A receita líquida de varejo passou de R$ 3.079,1 milhões para R$ 3.029,4 milhões. Nas vendas em mesmas lojas, indicador que compara unidades presentes nos dois períodos, a queda foi de 2,5%. Essa medida ajuda a separar o desempenho da operação existente do efeito da expansão da rede.
Segundo a companhia, a demanda melhorou gradualmente durante o trimestre, mas não o suficiente para compensar o início mais fraco. A administração atribui o desempenho à maior sensibilidade dos consumidores a preços e à intensificação da concorrência, especialmente das plataformas internacionais.
A marca Renner registrou receita de R$ 2.753,4 milhões, redução de 2,4%. Já a Youcom cresceu 14%, para R$ 138,8 milhões, apoiada pela expansão da rede. A Camicado avançou 1,5%, para R$ 137,2 milhões. Portanto, o crescimento das marcas menores não compensou o recuo da principal operação.
No digital, o GMV, valor total das mercadorias vendidas pelo canal, incluindo operações próprias e de terceiros, alcançou R$ 705,1 milhões, alta de 3,7%. Sua participação nas vendas totais de varejo chegou a 17,5%. GMV e receita líquida são medidas diferentes: o primeiro mostra o volume comercializado, não o valor reconhecido como receita pela empresa.
Margem sobe, mas lucro comparável tem queda maior
A margem bruta de varejo, parcela da receita que sobra após o custo das mercadorias, atingiu 55,5%. O avanço foi de 0,4 ponto percentual — a diferença direta entre percentuais — sobre o ano anterior. Segundo a Renner, ganhos de eficiência e efeitos favoráveis do câmbio mais do que compensaram o aumento das promoções.
Isso não impediu a redução do lucro bruto de varejo, que caiu 0,9%, para R$ 1.680,4 milhões. A diferença é simples: a empresa reteve uma fatia maior de cada venda, mas vendeu menos no total.
As despesas operacionais de varejo recuaram 1,1%, para R$ 1.195,9 milhões. Parte da redução veio dos gastos com participação nos resultados e incentivos de longo prazo, que caíram 77,1%. Excluindo esses programas, as despesas cresceram 1,3%.
O EBITDA de varejo, resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização, subiu 3,2%, para R$ 530,3 milhões. A conta incluiu outras receitas operacionais, principalmente créditos tributários reconhecidos após decisão judicial definitiva. Sem outras receitas e despesas, o indicador ficou em R$ 484,5 milhões, com margem de 16%.
No lucro líquido, a diferença entre o resultado divulgado e o comparável também aparece. Excluindo os efeitos extraordinários descritos pela companhia, ligados a outros resultados operacionais e juros sobre créditos tributários, o lucro foi de R$ 187,1 milhões, queda de 24,5%.
Realize perde contribuição com aumento das perdas de crédito
A Realize encerrou o trimestre com resultado de R$ 40,7 milhões, ante R$ 79,8 milhões um ano antes. Suas receitas após o custo de captação ficaram praticamente estáveis, em R$ 488,8 milhões. As perdas de crédito, descontadas as recuperações, cresceram 13%, para R$ 297,5 milhões.
Segundo a empresa, houve maior volume de créditos transferidos para perdas. A Renner também informou que a mudança no prazo de baixa dos recebíveis, vigente desde 2025, alterou a distribuição dessas perdas ao longo do ano, tornando o movimento mais relevante no terceiro trimestre.
Na base ajustada apresentada para comparação, a parcela vencida da carteira chegou a 30,7%, aumento de 1,9 ponto percentual. A companhia afirma que mantém concessão seletiva de crédito e considera as provisões, valores reservados para cobrir perdas esperadas, compatíveis com o risco da carteira.
A menor contribuição financeira ajuda a explicar por que o avanço operacional do varejo não apareceu no consolidado. O EBITDA total ajustado, que reúne varejo e serviços financeiros com os ajustes apresentados pela companhia, caiu 3,9%, para R$ 570,9 milhões.
Caixa segue positivo enquanto estoques e investimentos crescem
O fluxo de caixa livre, dinheiro gerado após os investimentos considerados nessa conta, somou R$ 423,4 milhões no trimestre, queda de 10,6%. A companhia relacionou a redução à maior necessidade de capital de giro, recursos que sustentam o funcionamento cotidiano do negócio, principalmente na relação com fornecedores.
Os estoques encerraram o período com aumento de 6% em valor contábil e de 2% em quantidade de peças. Segundo a Renner, a idade média dos produtos estocados subiu devido às vendas menores, mas permaneceu em linha com os níveis históricos.
Os investimentos totalizaram R$ 236,7 milhões no trimestre e R$ 510 milhões nos nove meses. Foram abertas seis lojas no período, levando o acumulado anual a 22 inaugurações. A rede encerrou setembro com 725 unidades, considerando todas as marcas.
A posição de caixa, equivalentes e aplicações financeiras era de R$ 2.020,7 milhões. Descontado o endividamento bruto apresentado pela companhia, o caixa líquido ficou em R$ 1.173,6 milhões.
Renner retira estimativas de receita e mantém expansão
A administração descontinuou as projeções de crescimento da receita líquida para 2026 e para 2027 a 2030. Segundo o documento, a conjuntura econômica e competitiva reduziu a previsibilidade das variáveis que afetam as vendas.
A retirada dessas projeções não se estendeu às demais metas. A empresa reafirmou a previsão de abrir de 50 a 60 lojas em 2026 e manteve suas ambições de eficiência e rentabilidade.
Na operação comercial, a resposta inclui ampliar a disponibilidade de produtos de entrada, ajustar a combinação de preços e oferecer itens mais versáteis. Essas iniciativas descrevem o plano da administração para adequar a oferta à demanda observada, não uma garantia de recuperação das vendas.
O que muda para o acionista
O resultado mostra duas trajetórias diferentes: o varejo ampliou sua margem operacional, enquanto os serviços financeiros reduziram sua contribuição. O lucro por ação ficou em R$ 0,2583, queda de 7,8%, menor que a redução do lucro total.
No trimestre, a companhia recomprou R$ 187,3 milhões em ações e destinou R$ 227,5 milhões a juros sobre capital próprio, forma de remuneração ao acionista. O valor informado foi de R$ 0,240666 por ação, com pagamento efetuado a partir de 14 de outubro de 2026.
A próxima etapa prevista no release é a videoconferência de resultados em 6 de novembro de 2026, às 10h, no horário de Brasília. A discussão ocorre com as projeções de receita retiradas e os planos de expansão e eficiência mantidos.
Perguntas frequentes
Quanto a Renner lucrou no terceiro trimestre?
A companhia teve lucro líquido de R$ 246,4 milhões no terceiro trimestre de 2026, redução de 11,8% na comparação anual. Nos nove meses, o lucro acumulado foi de R$ 908,3 milhões, alta de 0,4%.
Por que o lucro caiu se a margem do varejo aumentou?
A melhora da margem do varejo não compensou a menor contribuição dos serviços financeiros e o desempenho das vendas. O resultado da Realize caiu 49%, enquanto a receita líquida de varejo recuou 1,6%.
A Renner cancelou todas as suas projeções?
Não. A empresa retirou as estimativas de crescimento da receita líquida para 2026 e para 2027 a 2030, mas manteve as demais projeções. Entre elas está a abertura de 50 a 60 lojas em 2026.
O resultado trouxe um novo pagamento para o acionista?
O release relata juros sobre capital próprio de R$ 0,240666 por ação cujo pagamento foi efetuado a partir de 14 de outubro de 2026. Portanto, essa informação se refere a uma remuneração com pagamento já iniciado, não a uma nova data futura.
Quando será a apresentação dos resultados?
A videoconferência está marcada para 6 de novembro de 2026, às 10h, no horário de Brasília. O documento prevê transmissão ao vivo com tradução simultânea para o inglês.
Ativos citados nesta matéria
Cotações ao vivo, com atraso. Clique para ver a ficha completa. Não é recomendação de investimento.



