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Política

Lula na ONU: “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”

O presidente defendeu o multilateralismo, denunciou pressão para privatizar o Pix e trocou um aperto de mãos com Trump nos bastidores.

Lula na ONU: “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”
Foto: A G / Pexels

Na abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU, nesta terça-feira (22), Lula afirmou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém” e disse que o país baterá recorde de exportações em 2026 apesar do tarifaço americano. Nos bastidores, cruzou com Trump e trocou um aperto de mãos que o americano descreveu como de “excelente química”.

Resumo rápido

Em discurso na 81ª Assembleia Geral da ONU, em 22 de setembro de 2026, Lula criticou as sobretaxas americanas de 25% e 12,5% sobre produtos brasileiros, defendeu o multilateralismo e afirmou que o Brasil baterá recorde de exportações mesmo com o tarifaço. Denunciou ainda a pressão de multinacionais para privatizar o Pix e alertou contra o que chamou de tecno-oligarcas. Houve aperto de mãos com Trump nos bastidores.

Principais pontos
  • Discurso na abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU, em 22 de setembro de 2026.
  • Lula afirmou que o Brasil baterá recorde de exportações em 2026 apesar das sobretaxas de 25% e 12,5%.
  • Sem citar Trump nominalmente, disse não haver justificativa para medidas unilaterais contra instituições e economia do Brasil.
  • Denunciou pressão de multinacionais para privatizar o Pix, que chamou de infraestrutura pública e gratuita.
  • Lula e Trump se cumprimentaram nos bastidores; o americano falou em “excelente química”.

A frase que resume o discurso

“O Brasil não cabe no quintal de ninguém.” A expressão remete à velha doutrina que tratava a América Latina como área de influência natural dos Estados Unidos, e foi o modo que Lula encontrou de responder às tarifas sem transformar o discurso num ataque pessoal.

O presidente evitou citar Trump nominalmente. Afirmou não haver justificativa para medidas unilaterais e arbitrárias dirigidas às instituições e à economia brasileiras — formulação que abrange tanto o tarifaço quanto as sanções aplicadas a autoridades do país. É a diplomacia de sempre: o destinatário é óbvio, o nome não é dito.

O tarifaço e o recorde de exportações

O ponto economicamente mais concreto do discurso foi a afirmação de que o Brasil baterá recorde de exportações em 2026 mesmo sob as sobretaxas americanas, que atingem produtos brasileiros em alíquotas de 25% e 12,5%.

A afirmação, se confirmada, diz menos sobre a irrelevância das tarifas e mais sobre para onde o Brasil vende. A pauta exportadora brasileira é dominada por commodities com demanda global — soja, minério de ferro, petróleo, carnes —, e boa parte delas tem na China, não nos Estados Unidos, o principal comprador. Tarifa americana dói em setores específicos, sobretudo industrializados, sem necessariamente derrubar o agregado. O que o número esconde é justamente essa distribuição desigual do prejuízo.

A defesa do Pix como infraestrutura pública

O trecho que mais interessa a quem acompanha o sistema financeiro foi a denúncia de pressão de multinacionais para privatizar o Pix. Lula classificou o sistema como uma infraestrutura de pagamentos pública e gratuita — e a escolha das palavras não é acidental.

O Pix é operado pelo Banco Central, funciona 24 horas e não cobra do usuário pessoa física. Essa combinação reduziu drasticamente a receita que bancos e bandeiras de cartão extraíam de transferências e, em parte, de pagamentos. A disputa não é hipotética: o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos virou referência internacional e objeto de atrito comercial. Se quiser entender o funcionamento do sistema, temos um guia sobre o que é o Pix e como ele funciona.

Os “tecno-oligarcas” e o neoliberalismo digital

Lula alertou que “um punhado de tecno-oligarcas” busca ressuscitar uma versão de neoliberalismo digital, sem regras nem transparência. A fala conecta dois temas que vinham separados: a regulação de plataformas e a concentração de poder econômico no setor de tecnologia.

O contraste com o discurso americano no mesmo dia foi direto. Enquanto Lula pedia regras, Trump classificou os alertas sobre riscos da inteligência artificial como farsa — divergência que detalhamos em o discurso de Trump na ONU.

A pauta interna levada ao palco internacional

O discurso também carregou temas domésticos. Lula defendeu o fim da escala 6×1 — jornada em que o trabalhador cumpre seis dias e folga um — e criticou as bets, as casas de apostas online que se multiplicaram no país.

Levar pauta interna à ONU é escolha deliberada em ano eleitoral. O palco garante repercussão doméstica amplificada, e os dois temas têm apelo direto junto ao eleitorado assalariado. Vale registrar que nenhum dos dois depende de negociação internacional para avançar: dependem do Congresso.

O aperto de mãos nos bastidores

Fora do plenário, Lula e Trump cruzaram caminhos e trocaram um cumprimento rápido. Trump descreveu o encontro como de “excelente química” entre os dois — tom que contrasta com o conteúdo dos discursos proferidos horas antes.

A leitura de mercado para esse tipo de sinal costuma ser otimista, e convém moderá-la. Um cumprimento não é negociação, e não há anúncio de revisão das tarifas. O que existe é um canal aberto, o que já é diferente de ruptura — mas está longe de acordo. A prévia do encontro está em Lula e Trump discursam em sequência na ONU.

O que isso muda para o investidor brasileiro

No curtíssimo prazo, pouco. Discurso em assembleia geral não move preço de forma duradoura — o que move é tarifa efetivamente revista, acordo assinado ou sanção aplicada. O mercado brasileiro fechou a terça em alta modesta, com o Ibovespa nos 187 mil pontos, movimento mais ligado ao exterior e ao noticiário eleitoral do que à ONU.

O que merece acompanhamento é a agenda comercial concreta: qualquer sinal de revisão das sobretaxas afetaria diretamente exportadores de industrializados, siderurgia e calçados. Enquanto isso não vier, o discurso serve como termômetro de temperatura diplomática — útil para contexto, insuficiente para decisão de investimento. Você acompanha o pregão em nossa página de mercado.

Declarações conforme cobertura da 81ª Assembleia Geral da ONU em 22 de setembro de 2026. Conteúdo informativo, sem recomendação de investimento.

Perguntas frequentes


O que Lula disse na ONU em 2026?

Na 81ª Assembleia Geral, em 22 de setembro de 2026, Lula afirmou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”, criticou as sobretaxas americanas de 25% e 12,5% e disse que o país baterá recorde de exportações mesmo com o tarifaço.


Lula e Trump se encontraram na ONU?

Não houve reunião formal. Os dois cruzaram caminhos nos bastidores e trocaram um aperto de mãos rápido, que Trump descreveu como demonstração de “excelente química” entre eles.


Qual é a tarifa dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros?

As sobretaxas citadas no discurso são de 25% e 12,5%, aplicadas a produtos brasileiros. O impacto é concentrado em setores industrializados, já que boa parte da pauta exportadora do país é de commodities vendidas a outros mercados.


O que Lula falou sobre o Pix?

Denunciou pressão de multinacionais para privatizar o sistema, que classificou como infraestrutura de pagamentos pública e gratuita. O Pix é operado pelo Banco Central e não cobra tarifa de pessoa física.


O discurso na ONU afeta a bolsa brasileira?

Em geral, pouco e de forma passageira. Discursos não alteram tarifas por si só. O que move preço é decisão concreta — revisão de sobretaxa, acordo comercial ou sanção —, não a retórica da assembleia.


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RD

Redação Arena do Dinheiro

A Redação da Arena do Dinheiro reúne jornalistas e especialistas em finanças, investimentos e economia, responsáveis pela produção e revisão do conteúdo do portal.

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As informações desta matéria têm caráter informativo e educacional e não constituem recomendação ou oferta de investimento. Rentabilidade passada não é garantia de resultados futuros. Investimentos envolvem riscos.


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