Lula e Donald Trump discursam um logo depois do outro na abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU, nesta terça-feira, 22 de setembro de 2026. Por tradição mantida desde 1955, o Brasil fala primeiro e os Estados Unidos, em segundo — e a sequência acontece com uma tarifa americana sobre produtos brasileiros ainda de pé.
Lula e Donald Trump discursam em sequência na abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU, em 22 de setembro de 2026. O Brasil fala primeiro por tradição mantida desde 1955, e os Estados Unidos em segundo. O governo brasileiro sinalizou que o discurso vai tratar de multilateralismo, não interferência em assuntos internos e reforma do Conselho de Segurança. O pano de fundo é a disputa tarifária entre os dois países e a tensão diplomática das últimas semanas.
Principais pontos
- Os dois discursos ocorrem em sequência na terça-feira, 22 de setembro de 2026.
- O Brasil abre a Assembleia Geral por tradição mantida desde 1955.
- O governo indicou foco em multilateralismo, soberania e reforma do Conselho de Segurança.
- A disputa tarifária entre os dois países segue sem solução definitiva.
- A mesma semana tem a cúpula entre Trump e Xi Jinping, na quinta-feira.
Por que o Brasil fala primeiro
A ordem não é sorteio nem protocolo de importância. Nos primeiros anos da ONU, nenhum país queria ser o primeiro a discursar, e o Brasil se ofereceu repetidas vezes para quebrar o gelo. A partir de 1955 isso virou praxe, e desde então o representante brasileiro abre o debate geral.
O detalhe protocolar ganha peso neste ano. Falar primeiro significa que a fala brasileira é feita antes de saber o que o presidente americano vai dizer — e que qualquer resposta terá de vir depois, fora do púlpito.
O que se espera do discurso brasileiro
Segundo indicações do próprio governo, os eixos são multilateralismo, defesa da negociação como método de solução de disputas, respeito ao direito internacional humanitário e reforma da ONU — em especial do Conselho de Segurança, tema que o Brasil defende há décadas.
Há também um eixo mais recente e mais sensível: a não interferência em assuntos internos. Essa é a linguagem diplomática usada para responder a críticas externas sobre decisões judiciais e políticas brasileiras, e é o ponto em que o discurso mais se aproxima da disputa comercial em curso.
O pano de fundo comercial
A tarifa americana sobre produtos brasileiros continua em vigor, com a justificativa oficial de que políticas do Brasil e o processo criminal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro configurariam emergência econômica. O Brasil respondeu abrindo processo de reciprocidade.
Houve sinais de reaproximação — o contato telefônico entre os dois presidentes retomou as negociações —, mas não houve acordo. Nas últimas semanas a tensão voltou a subir, com críticas americanas ao governo brasileiro em documento enviado ao Congresso dos Estados Unidos sobre combate ao narcotráfico.
| Data | Evento da semana |
|---|---|
| Terça, 22/09 | Discursos de Lula e Trump na abertura da Assembleia Geral |
| Terça, 22/09 | Ata do Copom, no Brasil |
| Quinta, 24/09 | Cúpula entre Trump e Xi Jinping na Casa Branca |
| Quinta, 24/09 | Relatório de Política Monetária do Banco Central |
| Sexta, 25/09 | IPCA-15 de setembro |
O que o mercado realmente observa em discursos na ONU
Quase nunca o conteúdo — e essa é a parte contraintuitiva. Discurso em Assembleia Geral é peça de posicionamento, raramente traz decisão nova e por isso costuma ter efeito nulo sobre preços.
O que move ativos é o que acontece nos bastidores: se há reunião bilateral marcada, se há aceno concreto sobre tarifas, se o tom sobe ou desce. Um encontro entre Lula e Trump em Nova York, ainda que informal, vale mais para o câmbio do que trinta minutos de tribuna. Os operadores tratam a semana da ONU como calendário de agenda paralela, não de discursos.
O canal que chega ao seu bolso
A tarifa americana afeta diretamente exportadores brasileiros de aço, carne, café, celulose e manufaturados. Para essas empresas, cada sinal de negociação ou de escalada muda projeção de receita — e, por consequência, o preço da ação.
O canal indireto é o câmbio. Redução de tensão tende a valorizar o real, o que barateia importados, alivia a inflação e, na outra ponta, comprime a margem de quem exporta. É a mesma mecânica descrita em o que muda para o exportador se o tarifaço cair.
A semana em que tudo se cruza
A coincidência de calendário é notável. Na mesma semana em que Lula e Trump discursam na ONU, o presidente americano recebe Xi Jinping na Casa Branca, na quinta-feira. E, no Brasil, saem a ata do Copom, o Relatório de Política Monetária e o IPCA-15.
Para o investidor local, isso significa uma semana com muitas fontes de notícia e pouca capacidade de isolar causa e efeito. Quando bolsa e câmbio se movem, será difícil dizer quanto veio de fora e quanto veio da ata — e desconfiar de explicações rápidas é a postura mais sensata. O roteiro completo está em nossa agenda da semana.
Conteúdo informativo, sem recomendação de investimento. As expectativas sobre o conteúdo dos discursos refletem indicações prévias e podem não se confirmar.
Perguntas frequentes
Por que o Brasil é o primeiro a discursar na ONU?
Por tradição mantida desde 1955. Nos primeiros anos da Assembleia Geral nenhum país queria abrir o debate, e o Brasil se dispôs repetidas vezes a fazê-lo. A praxe se consolidou e permanece até hoje.
Quando Lula e Trump discursam?
Na terça-feira, 22 de setembro de 2026, na abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU. O Brasil fala primeiro e os Estados Unidos em segundo, na sequência protocolar tradicional.
Discurso na ONU move o mercado?
Raramente pelo conteúdo. O que costuma mexer com câmbio e bolsa são as reuniões bilaterais e os acenos concretos de bastidores, não o texto lido na tribuna.
Qual é a situação da tarifa americana sobre o Brasil?
Segue em vigor, sem acordo definitivo. Houve retomada de negociações após contato entre os dois presidentes, mas a tensão voltou a subir nas últimas semanas. O Brasil abriu processo de reciprocidade.
Quais outros eventos importantes acontecem nesta semana?
No Brasil, a ata do Copom na terça, o Relatório de Política Monetária na quinta e o IPCA-15 na sexta. No exterior, a cúpula entre Trump e Xi Jinping na Casa Branca, também na quinta-feira.



