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Política

Nexus/BTG: Lula 46 e Flávio 45, o espelho de duas semanas atrás

A diferença continua em um ponto — só trocou de lado. Com margem de erro de dois pontos, isso é empate técnico nas duas leituras.

Nexus/BTG: Lula 46 e Flávio 45, o espelho de duas semanas atrás
Foto: Edmond Dantès / Pexels

A pesquisa Nexus/BTG Pactual divulgada nesta segunda-feira, 21 de setembro de 2026, mostra Lula com 46% e Flávio Bolsonaro com 45% num eventual segundo turno. Duas semanas antes, a mesma pesquisa apontava exatamente o contrário: Flávio 46, Lula 45. A diferença segue em um ponto — trocando de lado.

Resumo rápido

A pesquisa Nexus/BTG Pactual divulgada em 21 de setembro de 2026 mostra Lula com 40% e Flávio Bolsonaro com 37% no primeiro turno, e Lula com 46% contra 45% de Flávio num eventual segundo turno. Na leitura do mesmo instituto em 8 de setembro, o resultado do segundo turno era Flávio 46 e Lula 45. A diferença de um ponto se manteve, com inversão de quem aparece à frente — variação dentro da margem de erro, que na série tem sido de dois pontos.

Principais pontos
  • No primeiro turno, Lula aparece com 40% e Flávio Bolsonaro com 37%.
  • No segundo turno simulado, Lula tem 46% e Flávio, 45%.
  • Em 8 de setembro, o mesmo instituto apontava Flávio 46 e Lula 45.
  • As leituras anteriores da série trabalharam com margem de erro de dois pontos percentuais.
  • O primeiro turno está marcado para 4 de outubro de 2026 — faltam 13 dias.

O que a nova leitura diz

No cenário de primeiro turno, Lula aparece com 40% e Flávio Bolsonaro com 37%. No segundo turno simulado entre os dois, o petista tem 46% contra 45% do senador.

O número que chama atenção não é o resultado — é a comparação com a própria série. Em 8 de setembro, a pesquisa Nexus/BTG marcou a primeira vez em que Flávio apareceu numericamente à frente, com 46% contra 45% de Lula. Agora os mesmos números aparecem trocados de lado.

Por que comparar o instituto com ele mesmo

Institutos diferentes usam metodologias diferentes: forma de coleta, desenho da amostra, ordem das perguntas, tratamento de indecisos. Cada uma dessas escolhas produz um viés estável — pequeno, mas consistente.

Isso significa que comparar Quaest com Datafolha mede, em parte, a diferença entre os métodos, não a mudança de opinião. Comparar Nexus/BTG com Nexus/BTG cancela o viés: o que sobra é movimento real, mais o ruído estatístico. Por isso a série do mesmo instituto é o instrumento correto para acompanhar tendência, ainda que a manchete quase sempre prefira o confronto entre institutos.

Um ponto de diferença não é diferença

A série Nexus/BTG tem trabalhado com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Isso significa que um resultado de 46% pode representar qualquer valor entre 44% e 48%, e um de 45%, qualquer valor entre 43% e 47%.

As duas faixas se sobrepõem quase inteiramente. Estatisticamente, 46 a 45 é empate técnico — e o mesmo valia para 46 a 45 no sentido inverso, duas semanas atrás. A inversão do “quem está na frente” é jornalisticamente atraente e estatisticamente irrelevante. O mecanismo está detalhado em como ler a margem de erro.

Instituto Campo 1º turno 2º turno
Nexus/BTG divulgada em 21/09 Lula 40 x Flávio 37 Lula 46 x Flávio 45
Datafolha 15 e 16/09 Lula 39 x Flávio 36 Lula 42 x Flávio 40
PoderData 13 a 16/09 Lula 37 x Flávio 36 Flávio 46 x Lula 44
Nexus/BTG 11 a 13/09 Lula 42 x Flávio 37 Lula 41 x Flávio 40
Quaest 10 a 13/09 Lula 36 x Flávio 31 Flávio 42 x Lula 40

O que a tabela mostra quando lida por inteiro

Duas coisas ficam claras. A primeira: no primeiro turno, todas as leituras recentes colocam Lula à frente, com vantagem entre um e cinco pontos. A segunda: no segundo turno, os institutos se dividem — dois apontam Lula na frente, dois apontam Flávio.

Essa divergência não é sinal de que algum instituto está errado. É o que acontece quando a disputa real está tão próxima do empate que a margem de erro de cada pesquisa é maior do que a distância entre os candidatos. Com quatro pesquisas e quatro resultados diferentes, a conclusão honesta é que ninguém sabe quem está na frente — e é exatamente essa a informação.

Uma ressalva de leitura

Vale registrar um ponto de cautela. Números atribuídos ao mesmo instituto circularam com valores diferentes no noticiário recente, porque cada pesquisa testa vários cenários — com e sem outros candidatos, estimulado e espontâneo — e cada cenário produz um resultado.

A tabela acima usa as leituras com período de campo declarado. Ao comparar pesquisas, a regra prática é conferir três coisas antes do número: a data do campo, o cenário testado e o registro no TSE. Sem essas três informações, um percentual isolado não significa nada.

Por que o mercado acompanha isso de perto

Porque a disputa presidencial é a variável que os preços brasileiros ainda não resolveram. Juros futuros, câmbio e bolsa embutem uma expectativa sobre política econômica, e essa expectativa muda com a probabilidade de cada resultado.

Nesta segunda-feira, com a pesquisa no radar, o dólar recuou e os juros futuros cederam. Mas atribuir o movimento apenas à pesquisa seria leviano: no mesmo dia, o petróleo caiu forte, o Focus reduziu a projeção de Selic e o cenário externo melhorou. A transmissão entre pesquisa e preço é real, e está explicada em por que uma pesquisa move o dólar e os juros — mas ela raramente age sozinha.

O que observar nos 13 dias que faltam

O primeiro turno é em 4 de outubro. Nas últimas duas semanas de campanha, o volume de pesquisas aumenta e a variação entre elas tende a diminuir, porque o eleitorado indeciso encolhe.

Para acompanhar sem se perder, três hábitos ajudam: olhar séries do mesmo instituto em vez de manchetes isoladas, tratar diferenças dentro da margem como empate e lembrar que pesquisa mede intenção no momento do campo, não previsão de resultado. O que o mercado já precificou está em eleições 2026 e o que o mercado precifica.

Conteúdo informativo, sem recomendação de investimento nem apoio a candidatura. Pesquisas eleitorais medem intenção de voto no período de campo e não são previsão de resultado.

Perguntas frequentes


Qual o resultado da pesquisa Nexus/BTG de 21 de setembro?

Lula com 40% e Flávio Bolsonaro com 37% no primeiro turno. No segundo turno simulado, Lula com 46% e Flávio com 45%.


O que mudou em relação à pesquisa anterior do mesmo instituto?

Em 8 de setembro, o Nexus/BTG apontava Flávio com 46% e Lula com 45% no segundo turno. Agora os números aparecem invertidos. A diferença permanece em um ponto percentual nas duas leituras.


Um ponto de diferença significa que um candidato está ganhando?

Não. Com margem de erro de dois pontos, as faixas dos dois candidatos se sobrepõem quase totalmente. Estatisticamente, é empate técnico, e a ordem no papel não indica vantagem real.


Por que institutos diferentes mostram resultados diferentes?

Porque usam métodos de coleta, desenhos de amostra e tratamentos de indecisos distintos, o que produz vieses estáveis. Comparar o mesmo instituto ao longo do tempo cancela esse viés e mede melhor a tendência.


Quando é o primeiro turno da eleição de 2026?

Em 4 de outubro de 2026. Um eventual segundo turno ocorre no fim do mês, caso nenhum candidato alcance mais da metade dos votos válidos.


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RD

Redação Arena do Dinheiro

A Redação da Arena do Dinheiro reúne jornalistas e especialistas em finanças, investimentos e economia, responsáveis pela produção e revisão do conteúdo do portal.

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As informações desta matéria têm caráter informativo e educacional e não constituem recomendação ou oferta de investimento. Rentabilidade passada não é garantia de resultados futuros. Investimentos envolvem riscos.


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