A Pague Menos (PGMN3) registrou lucro líquido ajustado de R$ 96,3 milhões no terceiro trimestre de 2026, crescimento de 19,5% sobre o mesmo período de 2025. A receita bruta avançou 6,9%, para R$ 4.429,3 milhões. O resultado combinou aumento das vendas, melhora da margem bruta e redução das despesas financeiras, embora o ritmo de crescimento comercial tenha diminuído.
Última cotação de PGMN3 na B3: R$ 2,54 (+0,00% no dia) em 04/11/2026 (fonte: Brapi).
Resumo rápido
A Pague Menos ampliou o lucro e gerou R$ 164,8 milhões de caixa nas operações no trimestre, mais que o triplo do registrado um ano antes. As vendas nas mesmas lojas cresceram 5,6%, abaixo dos 8,0% do trimestre anterior. Os canais digitais chegaram a 24,6% das vendas, enquanto a dívida líquida ajustada permaneceu equivalente a 1,8 vez o resultado operacional usado pela companhia nessa comparação.
Principais pontos
- O lucro líquido ajustado acumulou R$ 225,5 milhões em nove meses, alta de 46,5% sobre igual intervalo de 2025.
- O EBITDA ajustado, medida do resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização, somou R$ 278,8 milhões, avanço de 7,2% no trimestre.
- A margem bruta, parcela da receita que sobra após o custo das mercadorias, atingiu 30,0%, aumento de 0,1 ponto percentual em um ano.
- As vendas digitais cresceram 32,8% e totalizaram aproximadamente R$ 1,1 bilhão.
- A rede encerrou o período com 1.705 lojas, após 14 aberturas e quatro fechamentos no trimestre.
- A dívida líquida ajustada, que inclui recebíveis antecipados, terminou o trimestre em R$ 1.822,6 milhões.
Lucro ajustado e contábil medem resultados diferentes
Os R$ 96,3 milhões destacados pela companhia não são o lucro contábil sem ajustes. Esse último foi de R$ 93,6 milhões, conforme a conciliação apresentada no relatório. A diferença decorre principalmente do tratamento dos contratos de aluguel e de ajustes gerenciais para retirar eventos classificados pela empresa como não recorrentes.
O release apresenta seus principais indicadores sem os efeitos do IFRS 16, norma contábil que mudou o reconhecimento dos contratos de arrendamento, como os aluguéis de lojas. Para isso, utiliza a regra anterior, IAS 17/CPC 06. Essa escolha altera a distribuição de despesas entre as linhas do resultado e precisa ser considerada na comparação dos indicadores.
Na passagem do lucro contábil ao ajustado, a empresa informa efeito líquido de R$ 2,0 milhões pela exclusão do IFRS 16 e R$ 0,6 milhão em ajustes gerenciais. Os valores são apresentados com arredondamentos. A margem líquida ajustada, proporção da receita bruta convertida em lucro nessa base, subiu de 1,9% para 2,2% em um ano.
Vendas crescem menos, com menor contribuição de GLP-1
As vendas em mesmas lojas, indicador que compara unidades presentes nas duas bases e ajuda a separar o desempenho comercial do efeito das inaugurações, cresceram 5,6%. O ritmo foi inferior aos 17,6% do terceiro trimestre de 2025 e aos 8,0% do segundo trimestre de 2026.
Segundo a Pague Menos, a desaceleração reflete bases de comparação mais fortes e um ambiente de mercado mais desafiador. Os análogos de GLP-1, categoria de medicamentos que inclui semaglutida e tirzepatida no relatório, foram o principal componente dessa mudança. Sua contribuição ao crescimento total caiu de 6,5 pontos percentuais no primeiro trimestre para 2,0 pontos no terceiro.
Isso não significa que a categoria tenha perdido espaço nas vendas: sua participação chegou a 8,5%, acima dos trimestres comparados. Uma categoria pode continuar crescendo e, ao mesmo tempo, acrescentar menos ao avanço total quando passa a ser comparada com vendas anteriores mais elevadas.
No conjunto da rede, o valor médio gasto por atendimento subiu 3,2%, para R$ 97,39, e o volume de atendimentos aumentou 3,6%. Higiene e beleza cresceu 11,6%, com destaque, segundo a companhia, para dermocosméticos, proteção solar e cuidado capilar.
Aplicativo amplia o peso das vendas digitais
Os canais digitais responderam por 24,6% das vendas totais, aumento de 4,8 pontos percentuais em relação ao terceiro trimestre de 2025. O aplicativo teve expansão de 73,2% nas vendas e concentrou dois terços das vendas do comércio eletrônico da companhia.
A empresa também informou crescimento digital de 31,1% quando excluídos os medicamentos GLP-1. O dado mostra que o avanço desses canais não ficou restrito à categoria que vinha impulsionando as vendas da rede. Clientes que compram em mais de um canal representaram 14,5% da base e aproximadamente 40% das vendas.
Na operação de entregas, 86% dos pedidos digitais foram disponibilizados em menos de duas horas. A modalidade de entrega em até uma hora chegou a 440 lojas. Segundo a companhia, a margem de contribuição digital, parcela das vendas restante após custos e despesas diretamente associados ao canal, melhorou 0,6 ponto percentual, com maior eficiência em marketing e na etapa final da entrega.
Margem estável reúne melhora comercial e pressão de despesas
O EBITDA ajustado cresceu 7,2%, mas sua margem ficou em 6,3% da receita bruta, estável na comparação anual pelos valores arredondados. Por trás desse resultado, houve movimentos em direções diferentes: a margem bruta aumentou, enquanto as despesas com vendas cresceram mais que a receita.
A Pague Menos atribuiu a melhora da margem bruta às condições comerciais, especialmente em genéricos e GLP-1, e às eficiências tributárias relacionadas ao novo centro de distribuição na Paraíba. O lucro bruto alcançou R$ 1.327,1 milhões.
Já as despesas com vendas subiram 8,5%, para R$ 946 milhões. Houve impacto de R$ 9,6 milhões em indenizações por ajustes no quadro operacional. As despesas gerais e administrativas caíram para R$ 102,8 milhões, com menores provisões para remuneração variável e planos de ações na comparação anual.
Outra contribuição ao lucro veio da despesa financeira líquida apresentada na base do release: R$ 112,7 milhões, redução de 13,0% em um ano. Segundo a companhia, menores gastos com antecipação de recebíveis ajudaram nessa queda.
Caixa cresce, mas capital de giro ainda consome recursos
A geração operacional de caixa passou de R$ 48,2 milhões para R$ 164,8 milhões na comparação anual. A empresa atribuiu o avanço à monetização de créditos tributários, que transforma esses créditos em recursos disponíveis, e ao controle de despesas.
Ao mesmo tempo, o capital de giro, dinheiro necessário para sustentar estoques, recebimentos e pagamentos da operação, consumiu R$ 144,0 milhões. O ciclo de caixa operacional chegou a 72 dias, quatro dias acima do ano anterior, principalmente pela redução do prazo de pagamento a fornecedores.
Depois dos investimentos de R$ 98,5 milhões, o fluxo de caixa livre foi de R$ 66,3 milhões. Esse saldo representa o caixa operacional restante após os investimentos, antes dos movimentos de financiamento apresentados no relatório.
A dívida líquida ajustada equivalia a 1,8 vez o EBITDA, contra 2,5 vezes um ano antes e 1,8 vez no trimestre anterior. O cálculo inclui recebíveis antecipados, valores de vendas futuras cujo recebimento a empresa adiantou.
O que muda para o acionista
O resultado mostra lucro crescendo acima das vendas, mas com desaceleração comercial e maior necessidade de capital de giro. São dimensões diferentes do negócio: vender mais, registrar lucro e transformar a operação em caixa não acontecem necessariamente no mesmo ritmo.
Para o período seguinte, a companhia prevê inaugurar mais de 20 lojas que estavam em estágio avançado de implantação, no quarto trimestre de 2026. Também projeta recuperar o prazo de pagamento a fornecedores com a normalização do abastecimento. São expectativas da empresa, não resultados já realizados.
A apresentação dos resultados está marcada para 5 de novembro de 2026, às 10h, no horário de Brasília, em português, com tradução simultânea para o inglês.
Perguntas frequentes
Quanto a Pague Menos lucrou no terceiro trimestre?
O lucro líquido ajustado foi de R$ 96,3 milhões, alta de 19,5% sobre o terceiro trimestre de 2025. Já o lucro contábil sob IFRS 16 ficou em R$ 93,6 milhões.
Por que as vendas cresceram menos?
Segundo a companhia, as comparações com períodos anteriores mais fortes e um ambiente de mercado mais desafiador reduziram o ritmo. A contribuição dos medicamentos GLP-1 ao crescimento total também diminuiu ao longo de 2026.
A dívida da Pague Menos caiu?
A dívida líquida ajustada ficou em R$ 1.822,6 milhões, abaixo dos R$ 2.063,8 milhões de um ano antes, mas acima dos R$ 1.803,3 milhões do trimestre anterior. Sua relação com o EBITDA passou de 2,5 para 1,8 vez na comparação anual.
A empresa pretende abrir mais farmácias?
Sim, a Pague Menos prevê inaugurar mais de 20 lojas no quarto trimestre de 2026. Essas unidades estavam em estágio avançado de implantação no momento do relatório.
Quando será a apresentação dos resultados?
A videoconferência está marcada para 5 de novembro de 2026, às 10h, no horário de Brasília. A apresentação será em português, com tradução simultânea para o inglês.
Ativos citados nesta matéria
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