O mercado projeta a Selic em 13,75% no fim de 2026 e 12,00% no fim de 2027. Se isso se confirmar, quem hoje deixa R$ 100 mil rendendo 100% do CDI vai ver a receita anual encolher de cerca de R$ 14,1 mil para R$ 12 mil — uma perda de 15% no rendimento sem ter mudado nada na aplicação. É essa conta que explica por que travar taxa virou assunto.
Com o Focus projetando Selic de 13,75% no fim de 2026 e 12,00% em 2027, aplicações pós-fixadas atreladas ao CDI vão render progressivamente menos sem qualquer mudança de contrato. R$ 100 mil a 100% do CDI saem de cerca de R$ 14,1 mil para R$ 12 mil de rendimento anual bruto. Prefixados travam a taxa nominal e títulos IPCA+ travam o ganho acima da inflação — cada um com um risco diferente.
Principais pontos
- O Focus projeta Selic de 13,75% no fim de 2026 e 12,00% no fim de 2027.
- R$ 100 mil a 100% do CDI renderiam cerca de R$ 14,1 mil ao ano hoje e R$ 12 mil com a Selic a 12%.
- Pós-fixado acompanha a queda automaticamente: é o que mais perde num ciclo de corte de juros.
- Prefixado trava a taxa nominal; IPCA+ trava o ganho real acima da inflação.
- Travar taxa só faz sentido com dinheiro que você não precisa resgatar antes do vencimento.
Os três tipos de renda fixa e o que cada um trava
Toda aplicação de renda fixa se encaixa em uma de três formas de remuneração, e a diferença entre elas é exatamente o que muda num ciclo de queda de juros.
O pós-fixado paga um percentual do CDI e acompanha a Selic — sobe quando ela sobe, cai quando ela cai. O prefixado paga uma taxa nominal fixa, conhecida no momento da compra. E o indexado à inflação, tipo IPCA+, paga uma taxa fixa mais a variação do IPCA, travando o ganho acima dos preços.
| Tipo | O que você trava | Se a Selic cair | Risco principal |
|---|---|---|---|
| Pós-fixado (CDI) | Nada | Rende menos | Perda de rendimento |
| Prefixado | A taxa nominal | Você ganha | Inflação surpreender para cima |
| IPCA+ | O ganho real | Você ganha no preço | Oscilação até o vencimento |
A conta do que você perde ficando no pós-fixado
O CDI está em 14,15% ao ano. Sobre R$ 100 mil aplicados a 100% do CDI, isso equivale a cerca de R$ 14,1 mil de rendimento bruto em doze meses. Com a Selic a 12%, o mesmo dinheiro no mesmo produto renderia perto de R$ 12 mil.
São R$ 2,1 mil a menos por ano, ou 15% de redução na receita. E não há nada a fazer dentro daquele CDB: ele foi contratado como pós-fixado, e pós-fixado é justamente a promessa de acompanhar a taxa básica — para cima e para baixo.
| Valor aplicado | Rendimento bruto a 14,15% | A 12,00% | Diferença anual |
|---|---|---|---|
| R$ 10 mil | R$ 1.415 | R$ 1.200 | R$ 215 |
| R$ 50 mil | R$ 7.075 | R$ 6.000 | R$ 1.075 |
| R$ 100 mil | R$ 14.150 | R$ 12.000 | R$ 2.150 |
| R$ 500 mil | R$ 70.750 | R$ 60.000 | R$ 10.750 |
Por que isso não significa abandonar o pós-fixado
Porque o pós-fixado tem uma função que os outros não cumprem: liquidez sem risco de preço. Um título atrelado ao CDI com liquidez diária vale hoje praticamente o mesmo que valia ontem, independentemente do que os juros futuros fizeram. É por isso que ele é o lugar da reserva de emergência.
Trocar reserva de emergência por prefixado para ganhar 1 ponto percentual é um péssimo negócio: no dia em que você precisar do dinheiro, pode ter que vender no prejuízo. A decisão de travar taxa vale para a parcela do patrimônio com prazo definido e sem necessidade de resgate antecipado. O critério está em quanto guardar na reserva de emergência.
O que o prefixado realmente promete
Uma taxa nominal. Se você compra um prefixado a 13% ao ano e a inflação dos próximos anos ficar em 4%, seu ganho real é de aproximadamente 8,7%. Se a inflação surpreender e for a 7%, o ganho real cai para cerca de 5,6% — a taxa nominal não mudou, mas o poder de compra que ela entrega, sim.
É esse o risco do prefixado, e não a oscilação de preço. A oscilação só machuca quem vende antes do vencimento. Quem carrega até o fim recebe exatamente a taxa contratada, e o único inimigo é a inflação ter vindo maior do que se imaginava. O Focus projeta IPCA de 5,03% em 2026 e 4,22% em 2027.
Quando o IPCA+ é a escolha mais racional
Quando o objetivo é distante e o que você quer preservar é poder de compra, não valor nominal. Aposentadoria, faculdade de filho, compra de imóvel em dez anos: nesses casos, saber que o dinheiro vai render a inflação mais alguma coisa é mais útil do que saber quantos reais serão.
A vantagem estrutural é eliminar o risco que derruba o prefixado. Se a inflação disparar, o IPCA+ acompanha; o prefixado não. O custo é conviver com marcação a mercado — o preço do título oscila diariamente antes do vencimento, e isso assusta quem não entendeu o mecanismo. Vale ler Tesouro IPCA ou prefixado e como funciona a marcação a mercado.
O imposto muda a conta
Em CDB, Tesouro Direto e debêntures comuns, o imposto de renda é regressivo: 22,5% para resgates em até 180 dias, 20% até 360 dias, 17,5% até 720 dias e 15% acima de 720 dias. Prazo mais longo, portanto, tem duas vantagens simultâneas — trava taxa e paga menos imposto.
Já LCI, LCA e debêntures incentivadas são isentas para pessoa física, o que muda a comparação. Um CDB a 100% do CDI e uma LCI a 90% do CDI podem entregar praticamente o mesmo líquido, dependendo do prazo. Comparar bruto com isento é o erro mais comum da renda fixa. Os detalhes em LCI e LCA e em qual rende mais.
Como dividir na prática
Não existe distribuição única, mas existe um raciocínio por prazo. Dinheiro que pode ser necessário em até um ano fica em pós-fixado com liquidez diária. Dinheiro com prazo de dois a cinco anos aceita prefixado, porque você conhece a data e pode carregar até o vencimento.
Dinheiro de prazo longo, acima de cinco anos, tende a ficar melhor em IPCA+, porque o inimigo naquele horizonte é a inflação acumulada. A decisão de quarta-feira e as três reuniões restantes do Copom vão definir a velocidade dessa transição — as datas estão no calendário do Copom, e as projeções em Focus: mercado passa a esperar dois cortes. Para simular, use as calculadoras e os comparadores.
Conteúdo informativo, sem recomendação de investimento. As projeções de Selic e IPCA são medianas de mercado e mudam semanalmente. Rentabilidade passada não é garantia de resultados futuros; os cálculos são ilustrativos e não consideram custos de corretagem.
Perguntas frequentes
Quanto rende R$ 100 mil com a Selic a 12%?
A 100% do CDI, cerca de R$ 12 mil brutos em doze meses, contra aproximadamente R$ 14,1 mil com o CDI atual de 14,15% ao ano. A diferença é de R$ 2,15 mil, ou 15% menos rendimento.
Vale a pena migrar do CDI para prefixado agora?
Depende do prazo do dinheiro. Prefixado só faz sentido para valores que você pode deixar até o vencimento, porque venda antecipada pode gerar prejuízo. Reserva de emergência deve permanecer em pós-fixado com liquidez diária.
Qual a diferença entre prefixado e IPCA+?
O prefixado trava uma taxa nominal conhecida; o IPCA+ trava um ganho acima da inflação. Se a inflação surpreender para cima, o prefixado perde poder de compra e o IPCA+ acompanha os preços.
Quanto de imposto de renda paga a renda fixa?
Em CDB e Tesouro Direto, a alíquota é regressiva: 22,5% até 180 dias, 20% até 360 dias, 17,5% até 720 dias e 15% acima de 720 dias. LCI, LCA e debêntures incentivadas são isentas para pessoa física.
O que acontece com meu CDB pós-fixado se a Selic cair?
Ele passa a render menos, automaticamente, porque acompanha o CDI. Não há mudança de contrato nem prejuízo sobre o valor já acumulado — apenas o rendimento futuro diminui junto com a taxa básica.



