A Smart Fit (SMFT3) registrou lucro líquido recorrente de R$ 248 milhões no terceiro trimestre de 2026, crescimento de 40% sobre o mesmo período de 2025. A receita líquida chegou a R$ 2.348,7 milhões, alta de 29%, com aumento da receita média por aluno, expansão das academias e maior contribuição do TotalPass.
Última cotação de SMFT3 na B3: R$ 16,79 (+5,93% no dia) em 04/11/2026 (fonte: Brapi).
Resumo rápido
A Smart Fit encerrou o trimestre com 2.259 academias em 17 países e 5,7 milhões de clientes no canal de contratação direta. O lucro cresceu mais que a receita, enquanto o TotalPass ganhou espaço no resultado e na frequência das academias. No Brasil, porém, a margem das unidades próprias caiu, com maior gasto de manutenção e mais academias em fase inicial de operação.
Principais pontos
- O lucro líquido recorrente somou R$ 248 milhões, avanço de 40% na comparação anual e de 22% sobre o trimestre anterior.
- A receita líquida atingiu R$ 2.348,7 milhões, com crescimento anual de 29% e trimestral de 8%.
- O EBITDA ajustado chegou a R$ 762,8 milhões, alta anual de 30%, com margem de 32,5%.
- A rede terminou o período com 2.259 academias, após adicionar 392 unidades em 12 meses.
- O TotalPass alcançou 2,5 milhões de clientes no Brasil e no México, crescimento de 66% em um ano.
- A companhia manteve a previsão de abrir de 330 a 350 academias em 2026.
Receita cresce com tíquete maior e mais alunos
As academias próprias da marca Smart Fit responderam por R$ 2.044,7 milhões da receita líquida, crescimento de 26% sobre o terceiro trimestre de 2025. Foi a primeira vez que essa operação ultrapassou R$ 2 bilhões em um trimestre. O tíquete médio, a receita média por aluno usada pela companhia, aumentou 15%, enquanto a base média de alunos avançou 10%.
Segundo a empresa, o tíquete maior reflete reajustes de preços, iniciativas comerciais, maior participação dos acessos do TotalPass e efeito cambial positivo na comparação anual. Isso significa que o faturamento não cresceu apenas porque havia mais academias e alunos: a receita obtida com a utilização da rede também aumentou.
No Brasil, a receita das academias Smart Fit foi de R$ 729,3 milhões, alta de 20%. O número inclui dois meses da Evolve, incorporada após a conclusão da aquisição em agosto de 2026. Sem esse efeito, o crescimento seria de 17%. No México, a receita subiu 24%, para R$ 486,6 milhões. Na região chamada de Outros Países, avançou 34%, para R$ 828,9 milhões.
Expansão combina novas academias e aquisição da Evolve
A rede cresceu 21% em relação ao terceiro trimestre de 2025. Das 2.259 academias, 1.822 eram próprias e 437 eram franquias, unidades operadas por parceiros sob as marcas do grupo. O Brasil concentrava 48% da rede, o México tinha 22% e os demais países reuniam 30%.
No trimestre, houve 89 adições líquidas, o saldo de unidades incorporadas à rede: 59 vieram da expansão orgânica, feita pela própria operação, e 30 da Evolve. Sem a aquisição, o crescimento anual do número de academias seria de 19%. O período também marcou a entrada na Venezuela, com uma academia franqueada.
Uma parte dessa rede ainda está formando sua clientela. Ao final do trimestre, 37% das academias próprias Smart Fit não eram maduras. A empresa considera madura a unidade que já tinha pelo menos 24 meses de operação no início do ano. Essa diferença ajuda a explicar por que abrir academias aumenta a capacidade da rede antes de produzir todo o resultado esperado delas.
TotalPass muda a leitura da base de clientes
A base de clientes das academias cresceu 9%, abaixo da expansão de 21% da rede. Mas esse indicador conta apenas quem contrata diretamente com as academias. Ele não inclui usuários de agregadores, plataformas como o TotalPass que dão acesso a estabelecimentos parceiros por meio de benefícios corporativos.
A companhia atribui a diferença de ritmo às unidades novas ainda em maturação, à maior concentração de academias em regiões já atendidas e à migração de parte da frequência para o TotalPass. Assim, a base direta não representa sozinha todo o público que utiliza as unidades.
O TotalPass encerrou o trimestre com 2,5 milhões de clientes no Brasil e no México, alta anual de 66%. A rede parceira somava aproximadamente 50 mil estabelecimentos, incluindo academias e estúdios do próprio grupo. No Brasil, os clientes do TotalPass superaram a base das academias Smart Fit no país ao final de setembro.
Essa mudança também afeta o faturamento: a receita gerada por clientes de agregadores depende da frequência de uso. Segundo a empresa, a participação crescente desse canal acrescenta sazonalidade à receita das academias, porque o volume de acessos varia ao longo dos trimestres.
Margem consolidada avança, mas Brasil perde rentabilidade
O lucro bruto caixa, que desconta da receita os custos dos serviços sem depreciação e amortização, chegou a R$ 1.205,4 milhões, alta de 33%. A margem correspondente, parcela da receita que sobra nessa etapa, foi de 51,3%, ante 49,6% um ano antes.
O avanço teve contribuição dos negócios agrupados na linha “Outras”, que inclui TotalPass, Queima Diária, BeOn Studios e receitas de franquias. Essa linha passou de 10% para 17% do lucro bruto caixa consolidado. Segundo a companhia, esses negócios têm uma estrutura de custos proporcionalmente menor.
O desempenho não foi uniforme. Nas academias Smart Fit do Brasil, a margem bruta caixa antes dos custos de abertura caiu de 47,9% para 43,2%. A empresa citou menor receita por unidade madura, concentração de gastos de manutenção no trimestre e expansão de academias que ainda estão formando sua base.
Na comparação com o segundo trimestre, a margem bruta caixa consolidada também recuou, de 51,9% para 51,3%. Portanto, a melhora anual do grupo conviveu com pressão trimestral e diferenças entre operações.
Lucro recorrente separa efeitos que não se repetem
Os principais indicadores apresentados no release excluem os efeitos do IFRS 16, norma contábil que altera o tratamento dos contratos de aluguel. Nessa apresentação, os aluguéis entram nos custos operacionais. Essa base de cálculo vale para os resultados descritos aqui.
O EBITDA ajustado, indicador do resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização, somou R$ 762,8 milhões. Ele exclui um ganho não recorrente de R$ 9,7 milhões com a reavaliação da participação no TotalPass México. Não equivale ao dinheiro que sobra em caixa, pois não desconta todos os gastos e investimentos.
Já o lucro líquido sem os ajustes de recorrência foi de R$ 255,3 milhões, alta anual de 50%. O lucro recorrente de R$ 248 milhões retira impactos de aquisições e despesas financeiras extraordinárias. O resultado financeiro foi negativo em R$ 161,9 milhões, ante R$ 110,2 milhões negativos um ano antes, absorvendo parte do resultado operacional.
O que muda para o acionista
O balanço mostra uma empresa com mais academias e maior participação dos serviços de acesso e bem-estar no resultado. Para quem tem a ação, isso muda a leitura dos números: o crescimento depende tanto da ocupação e da receita das unidades quanto da contribuição de negócios como o TotalPass.
A próxima etapa prevista pela companhia é continuar a expansão. Até o fim de outubro, o grupo acumulava 197 adições no ano, incluindo a Evolve, tinha 159 obras em andamento e mais de 140 contratos assinados para inaugurações em 2026 e 2027. A previsão de 330 a 350 aberturas em 2026 permanece uma estimativa, com aproximadamente 80% de unidades próprias. A empresa informou que pode ajustar o ritmo conforme o desempenho das operações e as condições de mercado.
Perguntas frequentes
Quanto a Smart Fit lucrou no terceiro trimestre?
O lucro líquido recorrente foi de R$ 248 milhões, 40% acima do terceiro trimestre de 2025. Na apresentação sem os efeitos da norma de arrendamentos e antes dos ajustes de recorrência, o lucro líquido somou R$ 255,3 milhões.
Por que a receita cresceu mais que o número de alunos?
A receita também recebeu contribuição do aumento do tíquete médio e de outros negócios do grupo. Nas academias próprias Smart Fit, o tíquete médio subiu 15% e a base média de alunos cresceu 10% na comparação anual.
Quem usa TotalPass entra na conta de clientes das academias?
Não, a base de clientes das academias apresentada nessa análise considera apenas a contratação direta. Os usuários que entram por agregadores ficam fora desse indicador, embora seus acessos contribuam para a receita das unidades.
Quantas academias a Smart Fit pretende abrir em 2026?
A previsão da companhia é abrir de 330 a 350 academias, sendo aproximadamente 80% próprias. O grupo informou que preserva flexibilidade para mudar o ritmo de expansão conforme o desempenho dos negócios e as condições de mercado.
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