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Investimentos

Stock options e RSU: como funciona e como é tributado

Descubra hoje qual é a janela para exercer se você sair da empresa. É a informação mais valiosa do plano e a que mais gente descobre tarde.

Stock options e RSU: como funciona e como é tributado
Foto: Thirdman / Pexels

Em setembro de 2024, o STJ decidiu algo que muda a conta de quem recebe ações da empresa: stock option não é salário. Tem natureza mercantil. A consequência prática é grande — o imposto incide só na venda das ações, como ganho de capital de 15% a 22,5%, e não no exercício da opção.

Resumo rápido

No Tema 1.226, julgado em setembro de 2024, o STJ definiu que o stock option plan tem natureza mercantil e não remuneratória, desde que presentes voluntariedade, onerosidade e risco financeiro para o beneficiário. A tributação por imposto de renda ocorre apenas na venda das ações, como ganho de capital, com alíquotas de 15% a 22,5%. Os valores não integram a base de contribuição previdenciária.

Principais pontos
  • O STJ decidiu no Tema 1.226 que stock option tem natureza mercantil, não salarial.
  • O imposto de renda incide na venda das ações, como ganho de capital, e não no exercício.
  • As alíquotas de ganho de capital vão de 15% a 22,5%, conforme o valor.
  • Os valores não integram a base de contribuição previdenciária nem encargos trabalhistas.
  • A natureza mercantil exige voluntariedade, onerosidade e risco financeiro para o beneficiário.

Stock option e RSU não são a mesma coisa

A confusão começa no vocabulário, e ela importa. Stock option é o direito de comprar ações a um preço pré-definido, o preço de exercício. Você paga por elas — e é justamente esse desembolso que caracteriza a onerosidade da operação.

A RSU, ou unidade de ação restrita, é diferente: a empresa entrega ações depois de cumprido um prazo, sem que o beneficiário pague nada. Como não há desembolso nem risco de perda, a RSU costuma ser tratada como remuneração, com tributação e encargos correspondentes. A decisão do STJ sobre natureza mercantil se aplica ao desenho de opção onerosa, não a entrega gratuita.

Como funciona o vesting

O vesting é o cronograma pelo qual o direito se torna exercível. Um desenho comum é quatro anos com cliff de um ano: nada é liberado nos primeiros doze meses e, ao completar o primeiro ano, libera-se 25%; o restante vai sendo liberado mensal ou trimestralmente.

Quem sai da empresa antes do cliff em geral perde tudo. Quem sai depois costuma manter a parcela já vestida, com prazo limitado para exercer — frequentemente 90 dias. Esse prazo curto é o detalhe que pega mais gente: sair da empresa sem dinheiro para exercer significa perder um direito que já era seu. Vale ler o plano antes de pedir demissão, não depois.

Aspecto Stock option RSU
O que é Direito de comprar a preço fixo Entrega de ações após prazo
Beneficiário paga? Sim, o preço de exercício Não
Risco de perda Sim, se a ação cair Praticamente nenhum
Natureza (STJ, Tema 1.226) Mercantil Em geral remuneratória
Momento da tributação Na venda das ações Em geral na entrega
Entra na base do INSS? Não Em geral sim

O que o STJ decidiu

No julgamento do Tema 1.226, em setembro de 2024, a Primeira Seção do STJ definiu que o stock option plan tem natureza mercantil e comercial, e não remuneratória.

A conclusão depende de três características estarem presentes: voluntariedade — o beneficiário adere se quiser; onerosidade — ele paga pelas ações; e risco financeiro — pode perder, se a ação cair abaixo do preço de exercício. Planos que não tenham esses elementos podem ser reclassificados como remuneração, com consequências completamente diferentes. Ou seja: a decisão não é um passe livre — é um teste.

Quando o imposto incide

Esta é a consequência que muda a conta. Como a natureza é mercantil, o imposto de renda incide apenas no momento da venda das ações, sobre o ganho de capital, com alíquotas de 15% a 22,5% conforme o valor do ganho.

Não há tributação no exercício da opção — o momento em que você paga o preço combinado e recebe as ações. É uma diferença enorme frente ao tratamento como salário: nesse cenário, haveria IRRF de até 27,5% no exercício, sobre a diferença entre o preço pago e o valor de mercado, com o imposto devido antes de qualquer venda e sem dinheiro tendo entrado.

A economia previdenciária

O segundo efeito da natureza mercantil é sobre encargos. Os valores não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária nem de outros encargos trabalhistas.

Para a empresa, isso elimina a contribuição patronal sobre o valor — motivo pelo qual planos de opção são atrativos como forma de remunerar talento. Para o beneficiário, há um efeito de mão dupla que raramente se comenta: como o valor não é salário, ele não compõe a base de cálculo da futura aposentadoria, do FGTS, do 13º nem das férias. Ganho tributário no presente, ausência de base previdenciária no futuro.

Como declarar

Na prática, o tratamento se aproxima de qualquer investimento em ações. As ações adquiridas entram na declaração de bens pelo custo de aquisição — o valor efetivamente pago no exercício.

Na venda, apura-se o ganho de capital e recolhe-se o imposto. Atenção a um ponto: se as ações são de empresa no exterior — caso comum em multinacionais de tecnologia —, aplicam-se as regras de bens e rendimentos no exterior, com cálculo em moeda estrangeira e conversão. O procedimento está em como declarar investimentos no exterior e a apuração de venda em como declarar venda de ações.

Os riscos que ninguém menciona na oferta

Três, e vale considerá-los ao avaliar uma proposta de emprego que inclui equity. O primeiro é concentração: você já depende da empresa para o salário. Ter também o patrimônio nela significa que um problema atinge as duas fontes ao mesmo tempo — o risco mais mal precificado em carreira.

O segundo é liquidez: em empresa de capital fechado, não há mercado para vender a ação. O papel pode valer muito no papel e nada em caixa, por anos. O terceiro é diluição: novas rodadas de captação reduzem a sua participação percentual, e cláusulas de preferência podem colocar investidores à frente dos funcionários na distribuição.

O que isso significa para você

Três leituras. Sobre avaliar a oferta: equity não é salário. Ao comparar propostas, valorize a parte em ações com desconto — por iliquidez, por risco e por prazo de vesting. Trocar salário certo por opção incerta é decisão de risco, não de remuneração.

Sobre prazo: descubra hoje qual é a janela para exercer se você sair. É a informação mais valiosa do plano e a que mais gente descobre tarde, quando já não tem como usar.

Sobre diversificação: se as opções virarem posição relevante, vender parte e diversificar é gestão de risco, não falta de confiança na empresa. O critério está em diversificação de investimentos.

Conteúdo informativo, sem orientação tributária ou jurídica. A tese do Tema 1.226 do STJ pressupõe voluntariedade, onerosidade e risco financeiro; planos com desenho diferente podem ter outro enquadramento. Casos concretos, especialmente com ações no exterior, exigem apoio de contador e advogado.

Perguntas frequentes


Stock option é salário?

Não, segundo o STJ no Tema 1.226, julgado em setembro de 2024. A natureza é mercantil, desde que presentes voluntariedade, onerosidade e risco financeiro para o beneficiário. Planos sem esses elementos podem ser reclassificados.


Quando incide o imposto de renda?

Apenas na venda das ações, sobre o ganho de capital, com alíquotas de 15% a 22,5%. Não há tributação no momento do exercício da opção, quando você paga o preço combinado e recebe as ações.


Qual a diferença entre stock option e RSU?

Na stock option você tem o direito de comprar a um preço fixo e paga por isso, assumindo risco. Na RSU a empresa entrega as ações após um prazo, sem desembolso — e por isso ela é em geral tratada como remuneração.


Stock option conta para a aposentadoria?

Não. Como os valores não integram a base de contribuição previdenciária, também não compõem a base da futura aposentadoria, do FGTS, do 13º nem das férias. É o outro lado da economia tributária.


O que acontece se eu sair da empresa?

Antes do cliff, em geral se perde tudo. Depois, costuma-se manter a parcela já vestida, com prazo limitado para exercer — frequentemente 90 dias. Vale conferir essa janela no plano antes de decidir sair.


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RD

Redação Arena do Dinheiro

A Redação da Arena do Dinheiro reúne jornalistas e especialistas em finanças, investimentos e economia, responsáveis pela produção e revisão do conteúdo do portal.

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As informações desta matéria têm caráter informativo e educacional e não constituem recomendação ou oferta de investimento. Rentabilidade passada não é garantia de resultados futuros. Investimentos envolvem riscos.


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