Guardar dinheiro para a faculdade do filho tem um problema clássico: você acumula por 15 anos e, na hora de usar, precisa decidir quanto resgatar por mês sem errar a conta nem perder para a inflação. O Tesouro Educa+ foi desenhado exatamente para resolver isso — ele acumula e depois paga sozinho, em 60 parcelas mensais.
O Tesouro Educa+ é um título público de longo prazo criado para financiar estudos. Funciona em duas fases: acumulação, em que você faz aportes, e conversão em renda, em que o valor acumulado é pago em 60 parcelas mensais ao longo de 5 anos, corrigidas pela inflação. A rentabilidade é IPCA mais uma taxa fixa, e há isenção da taxa de custódia em condições definidas.
Principais pontos
- Rentabilidade é IPCA mais taxa fixa: protege o dinheiro da inflação educacional.
- Duas fases: acumulação com aportes e conversão em 60 parcelas mensais.
- Os pagamentos começam em 15 de janeiro do ano de conversão escolhido.
- Taxa de custódia de 0,10% ao ano, com isenção se carregado até o vencimento e resgates dentro do limite de 4 salários mínimos.
- Resgate antecipado é possível, mas sujeito a marcação a mercado e taxa de custódia.
O problema que ele resolve
Quem poupa para a educação dos filhos enfrenta dois desafios simultâneos. O primeiro é a inflação: mensalidades escolares e de faculdade sobem ao longo de duas décadas, e dinheiro em aplicação que não acompanha os preços perde poder de compra justo quando será usado.
O segundo é a fase de uso. Depois de acumular, você precisa transformar o montante em pagamentos mensais durante os anos de curso — e administrar isso manualmente exige disciplina e decisões financeiras num momento em que a atenção está em outro lugar. O Educa+ automatiza a segunda parte.
Como funciona a acumulação
Na primeira fase, você compra o título e pode fazer aportes ao longo dos anos, respeitando os vencimentos disponíveis. A rentabilidade é IPCA mais uma taxa fixa definida no momento de cada compra — mesma estrutura do Tesouro IPCA+.
Essa indexação é o ponto central: ela garante juro real acima da inflação, ou seja, ganho de poder de compra. Como o objetivo tem prazo longo e valor que sobe com os preços, o casamento é adequado. Cada aporte trava a taxa vigente no dia, então aportes feitos em momentos de juro real alto ficam registrados com aquela condição até o vencimento.
A conversão em 60 parcelas
Chegada a data de conversão que você escolheu na compra, o título entra na segunda fase. O valor acumulado passa a ser pago em 60 parcelas mensais e consecutivas — cinco anos de pagamentos, período que corresponde à duração típica de um curso superior.
Os pagamentos são creditados automaticamente na conta cadastrada, sem necessidade de qualquer ação sua, e começam sempre a partir de 15 de janeiro do ano de conversão. As parcelas continuam corrigidas pela inflação durante a fase de recebimento, o que preserva o poder de compra ao longo dos cinco anos.
Os custos e a isenção
A taxa de custódia cobrada pela B3 é de 0,10% ao ano — metade da taxa padrão de 0,20% aplicada aos demais títulos do Tesouro Direto. E há uma isenção relevante: quem carrega o título até a data de vencimento fica isento da taxa, desde que o valor dos resgates não exceda o limite de 4 salários mínimos por mês.
Ou seja, para a maioria das famílias que usa o produto conforme o desenho — acumular e receber as parcelas —, o custo pode ser zero. Não há taxa de corretagem nem de performance. Já quem vende antes do prazo fica sujeito à taxa de custódia, cobrada de forma regressiva conforme o tempo de aplicação.
Resgate antecipado: possível, mas com ressalva
O título tem liquidez: o Tesouro Nacional garante recompra, então você pode vender antes da conversão se precisar. O ponto de atenção é o preço. Como todo título indexado com juro real fixo, o Educa+ está sujeito a marcação a mercado — se as taxas de juros subiram desde a sua compra, o valor de venda pode ser inferior ao esperado.
Vale registrar também que os recursos depositados ficam disponíveis para movimentação após um prazo inicial. Por essas características, o produto deve ser tratado como o que é: um instrumento de longo prazo, com objetivo e data definidos. Dinheiro que pode ser necessário antes disso pertence à reserva de emergência, não aqui.
Educa+ ou RendA+: qual é qual
Os dois produtos compartilham a mesma lógica de acumulação e conversão em renda, mas têm finalidades e prazos distintos. O Tesouro RendA+ é voltado à aposentadoria e paga 240 parcelas mensais, ou 20 anos. O Educa+ é voltado à educação e paga 60 parcelas, ou 5 anos.
A escolha depende do objetivo, não da preferência. Para complementar renda na aposentadoria, RendA+. Para financiar um curso, Educa+. Nada impede ter os dois, com datas de conversão diferentes, cada um endereçando uma meta específica.
Como usar na prática
O planejamento começa pela data. Se seu filho tem 3 anos hoje, o início da faculdade fica por volta de 15 anos à frente — é essa a data de conversão a escolher. Depois vem o valor: estime a mensalidade desejada em valores de hoje, já que a correção pela inflação cuida do resto, e trabalhe de trás para frente para descobrir quanto aportar por mês.
Uma vantagem operacional relevante: o produto permite compras a partir de valores acessíveis, o que viabiliza aportes mensais pequenos e constantes. A nossa calculadora de juros compostos ajuda a dimensionar quanto aportar para chegar ao montante desejado.
Os cuidados que ninguém comenta
Três pontos merecem reflexão. Primeiro, o título é em nome de quem investe — normalmente o pai ou a mãe. Se a intenção é que o patrimônio seja do filho, isso envolve decisões de titularidade e planejamento que valem discutir, tema tratado no nosso guia sobre como investir o dinheiro dos filhos.
Segundo, a inflação educacional pode superar o IPCA em determinados períodos, já que mensalidades seguem dinâmica própria — o IPCA protege, mas não é garantia de acompanhar exatamente o custo do curso. Terceiro, incide imposto de renda sobre os rendimentos, seguindo a tabela regressiva da renda fixa, o que favorece quem mantém a aplicação por prazos longos — exatamente o perfil deste produto.
Perguntas frequentes
O que é o Tesouro Educa+?
É um título público de longo prazo criado para financiar estudos. Funciona em duas fases: acumulação, com aportes ao longo dos anos, e conversão em renda, quando o valor acumulado é pago em 60 parcelas mensais durante 5 anos.
Quantas parcelas o Educa+ paga?
São 60 parcelas mensais e consecutivas, equivalentes a 5 anos de pagamentos, creditadas automaticamente na conta cadastrada a partir de 15 de janeiro do ano de conversão escolhido.
Qual a rentabilidade do Educa+?
A remuneração é o IPCA mais uma taxa fixa definida no momento da compra, o que garante ganho real acima da inflação e preserva o poder de compra ao longo do prazo.
Qual a taxa de custódia do Educa+?
É de 0,10% ao ano, metade da taxa padrão dos demais títulos. Há isenção para quem carrega o título até o vencimento, desde que o valor dos resgates não exceda o limite de 4 salários mínimos por mês.
Posso resgatar antes da data de conversão?
Sim, o Tesouro garante recompra. Mas o título está sujeito à marcação a mercado, então o valor de venda pode ser inferior ao esperado se as taxas de juros tiverem subido, e há incidência da taxa de custódia de forma regressiva.



