Com a Selic em 13,75% e o Copom em ciclo de corte, a pergunta mudou de lado: em vez de “quanto rende hoje”, passou a ser “por quanto tempo ainda rende isso”. É exatamente o problema que o Tesouro Prefixado resolve — e o risco que ele cria.
Tesouro Prefixado é o título público em que a taxa de rendimento é definida no momento da compra e não muda até o vencimento. Com a Selic em 13,75% ao ano e o Copom em ciclo de cortes, ele permite travar uma taxa antes que ela caia. Em troca, quem precisa resgatar antes do vencimento fica exposto à marcação a mercado e pode receber menos do que esperava.
Principais pontos
- No prefixado você sabe, no ato da compra, exatamente quantos reais receberá no vencimento.
- Faz sentido quando a expectativa é de queda de juros — trava a taxa antes do corte.
- O risco principal não é calote: é vender antes do vencimento pela marcação a mercado.
- Se a inflação surpreender para cima, o ganho real do prefixado encolhe.
- A Selic está em 13,75% ao ano, após cinco cortes consecutivos de 0,25 ponto desde abril.
O que muda em relação ao pós-fixado
Num título pós-fixado, como o Tesouro Selic, você não sabe o rendimento futuro: ele acompanha a taxa básica dia a dia. Se a Selic cai, seu rendimento cai junto, automaticamente. É o comportamento que torna esse título previsível em valor e imprevisível em taxa.
No prefixado, a lógica se inverte. A taxa é acertada no momento da compra e não muda mais: se você comprou a 13% ao ano, receberá 13% ao ano até o vencimento, independentemente do que o Copom fizer depois. Você sabe exatamente quantos reais terá na data final — e é isso que se chama travar a taxa.
Por que o ciclo de corte muda o cálculo
A Selic caiu de 14,75% para 13,75% desde abril, em cinco cortes consecutivos de 0,25 ponto. O boletim Focus já projeta 13,50%, e as opções de Copom apontam cerca de 57% de chance de mais um corte em novembro — leitura que detalhamos em como o mercado aposta na próxima Selic.
Num cenário assim, quem está em pós-fixado vê o rendimento encolher a cada reunião. Quem travou uma taxa alta antes dos cortes segue recebendo a taxa antiga. É essa assimetria que faz o prefixado ganhar atenção justamente quando os juros começam a cair — e não quando estão subindo.
A tabela que resume a escolha
| Prefixado | Pós-fixado (Selic) | |
|---|---|---|
| Taxa | Definida na compra, fixa | Acompanha a Selic diariamente |
| Se a Selic cai | Você ganha — travou taxa maior | Seu rendimento cai junto |
| Se a Selic sobe | Você perde — ficou com taxa menor | Seu rendimento sobe junto |
| Resgate antecipado | Sujeito a marcação a mercado | Praticamente sem oscilação |
| Melhor uso | Objetivo com data definida | Reserva de emergência |
A última linha é a mais prática. Prefixado combina com objetivo que tem data — a entrada de um imóvel daqui a três anos, uma viagem marcada. Não combina com dinheiro que pode ser preciso a qualquer momento.
O risco que pega as pessoas de surpresa
O Tesouro Direto é o investimento de menor risco de crédito do país — o devedor é o governo federal. Mas isso não significa ausência de risco, e a confusão entre as duas coisas é a origem da maior parte das frustrações.
O risco real do prefixado é a marcação a mercado. Se você precisar vender antes do vencimento, receberá o preço daquele dia, não o combinado. E o preço se move ao contrário dos juros: quando a taxa de mercado sobe, o preço do seu título cai. Em episódios de estresse, essa perda pode ser expressiva — mesmo num título do governo. Mantido até o vencimento, nada disso importa: você recebe exatamente o contratado.
Inflação: o risco menos comentado
O prefixado entrega uma taxa nominal. Se você travou 13% ao ano e a inflação no período for de 4%, seu ganho real fica em torno de 8,7% — a conta exata está em como calcular o juro real. Mas se a inflação surpreender e for a 8%, o mesmo título entrega menos de 5% de ganho real.
É o inverso do que acontece num título atrelado ao IPCA, que corrige o principal pela inflação e paga um juro real por cima. O IPCA acumulado em doze meses está em 4,22%, dentro do teto da meta mas acima do centro de 3%. Quem trava taxa nominal está, implicitamente, apostando que a inflação não vai fugir do controle.
Imposto e custos
O Tesouro Direto segue a tabela regressiva de imposto de renda: a alíquota começa em 22,5% para aplicações de até 180 dias e cai até 15% acima de 720 dias. O imposto incide sobre o rendimento, não sobre o valor investido, e é retido no resgate ou no vencimento.
Há ainda a taxa de custódia da B3, de 0,20% ao ano, com isenção para saldos de até R$ 10 mil em determinados títulos. Prazo maior, portanto, é duplamente vantajoso: reduz a alíquota de IR e dilui o efeito de eventuais oscilações de preço. Você pode simular o efeito dos juros em nossa calculadora.
Quando o prefixado não é para você
Três situações em que ele atrapalha mais do que ajuda. Primeira: dinheiro de reserva de emergência — por definição, você não sabe quando vai precisar, e é justamente aí que a marcação a mercado morde. Segunda: horizonte curto, abaixo de dois anos, em que a alíquota de IR permanece alta.
Terceira, e menos óbvia: quando você não aguenta ver o extrato oscilar. O valor de um prefixado sobe e desce todo dia antes do vencimento, e quem se assusta e vende no vermelho transforma uma oscilação temporária em perda definitiva. Se o cenário de juros ainda o preocupa, acompanhe a taxa em nossa página da Selic antes de decidir.
Conteúdo informativo, sem recomendação de investimento. Taxas de títulos públicos variam diariamente; consulte o site do Tesouro Direto antes de aplicar. Rentabilidade passada não garante resultado futuro.
Perguntas frequentes
O que é o Tesouro Prefixado?
É um título público em que a taxa de rendimento é definida no momento da compra e não muda até o vencimento. Você sabe desde o início exatamente quantos reais vai receber na data final.
Vale a pena comprar prefixado com a Selic caindo?
É justamente o cenário em que ele costuma ser considerado, porque permite travar uma taxa antes de novos cortes. A contrapartida é que, se os juros subirem, você fica preso a uma taxa menor que a do mercado.
Posso perder dinheiro no Tesouro Prefixado?
Se mantiver até o vencimento, recebe exatamente o contratado. Se vender antes, fica sujeito à marcação a mercado: quando as taxas de mercado sobem, o preço do título cai, e a venda pode sair abaixo do esperado.
Qual o imposto de renda do Tesouro Prefixado?
Segue a tabela regressiva, de 22,5% para até 180 dias até 15% acima de 720 dias, incidindo apenas sobre o rendimento. Há também taxa de custódia da B3 de 0,20% ao ano, com isenção para saldos menores em alguns títulos.
Prefixado serve para reserva de emergência?
Não é o mais indicado. Reserva de emergência exige resgate a qualquer momento sem sustos, e o prefixado oscila de preço até o vencimento. Para essa finalidade, títulos pós-fixados atrelados à Selic são mais adequados.



