A TOTVS (TOTS3) registrou lucro líquido ajustado de R$ 237,2 milhões no terceiro trimestre de 2026, queda de 8,8% sobre o mesmo período de 2025. A receita cresceu 13,2%, para R$ 1.977,8 milhões, mas o aumento das despesas financeiras pesou no resultado final, segundo o release da companhia.
Última cotação de TOTS3 na B3: R$ 33,40 (+5,26% no dia) em 04/11/2026 (fonte: Brapi).
Resumo rápido
A TOTVS vendeu mais e ampliou o resultado de sua operação, mas encerrou o trimestre com lucro ajustado menor. A companhia atribuiu a pressão sobre a margem líquida ao financiamento da compra da Linx e ao menor caixa aplicado após recompras de ações. O fluxo de caixa livre também caiu no trimestre, principalmente por pagamentos antecipados de contratos de nuvem.
Principais pontos
- Receita líquida: R$ 1.977,8 milhões, avanço de 13,2% em relação ao terceiro trimestre de 2025.
- Receita recorrente: R$ 1.837,2 milhões, alta de 15,1%, equivalente a 92,9% do total.
- EBITDA ajustado: R$ 500,9 milhões, crescimento de 16,9%, com margem de 25,3%.
- Lucro líquido ajustado: R$ 237,2 milhões, recuo de 8,8% na comparação anual e de 1,4% ante o trimestre anterior.
- Fluxo de caixa livre: R$ 192,8 milhões, queda de 24,9% em um ano.
- Dívida líquida: R$ 3.102,7 milhões, equivalente a 1,6 vez o EBITDA dos últimos 12 meses.
Receita recorrente puxa o crescimento
A principal fonte de expansão foi a receita recorrente, aquela que se repete ao longo dos contratos, em vez de depender de uma venda pontual. Ela cresceu mais que o faturamento total e aumentou sua participação de 91,3% para 92,9% em um ano. Segundo a TOTVS, foi o 22º trimestre consecutivo de crescimento orgânico acima de 15% nessa linha, ou seja, sem depender de aquisições para essa expansão.
A receita não recorrente seguiu no sentido oposto: caiu 7%, para R$ 140,7 milhões. A companhia associa esse movimento à estratégia de oferecer pacotes de soluções, ampliar o uso da nuvem e reduzir os custos de implementação para os clientes. Segundo a administração, isso abre espaço no orçamento deles para contratar outros serviços.
A ARR, sigla para receita recorrente anualizada, chegou a R$ 7.951,2 milhões, alta de 13,7%. O indicador traduz a base de contratos recorrentes em uma referência anual; não é receita já recebida nem promessa de faturamento. A adição líquida dessa base foi de R$ 209 milhões no trimestre. A taxa de retenção ficou em 97,3%, estável ante o trimestre anterior e abaixo dos 98,2% de um ano antes.
As comparações operacionais usam uma base pro forma: a TOTVS inclui a Linx também nos períodos anteriores à conclusão da aquisição para tornar as séries comparáveis. Essas informações são elaboradas pela companhia e não auditadas. Nos nove meses, a receita nessa base somou R$ 5.786,6 milhões, avanço de 13,1%.
Despesas crescem menos que as vendas, mas provisões aumentam
O EBITDA ajustado, resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização, com ajustes definidos pela empresa, ultrapassou meio bilhão de reais. Ele ajuda a observar o desempenho operacional sem o efeito dessas linhas, mas não equivale ao dinheiro disponível em caixa.
A margem EBITDA ajustada, parcela da receita que se transforma nesse resultado, subiu de 24,5% para 25,3% na comparação anual. Ante o segundo trimestre, quando estava em 25,4%, houve pequena redução. As despesas operacionais ajustadas cresceram 10,6%, abaixo da expansão das vendas, e passaram a representar 48,1% da receita, contra 49,3% um ano antes.
Dentro desse total, pesquisa e desenvolvimento consumiram R$ 361,6 milhões, alta de 15%. Já as despesas gerais, administrativas e outras ficaram praticamente estáveis, em R$ 147,8 milhões. A companhia atribuiu parte dos ganhos de eficiência à integração das aquisições e à automação de processos internos.
Em contrapartida, a provisão para perda esperada — despesa que reconhece antecipadamente possíveis perdas com valores a receber — aumentou 70,6%, para R$ 35,6 milhões. Ela correspondeu a 1,8% da receita, ante 1,2% no terceiro trimestre de 2025. Segundo a TOTVS, o reforço foi preventivo e considera informações de crédito dos clientes e seu histórico de pagamentos.
Custo financeiro explica a queda do lucro ajustado
O contraste entre operação e lucro aparece no resultado financeiro ajustado, saldo entre receitas e despesas financeiras após os ajustes da companhia. Ele ficou negativo em R$ 124,9 milhões, contra saldo negativo de R$ 26,3 milhões um ano antes. As despesas financeiras ajustadas chegaram a R$ 191 milhões.
A TOTVS relacionou a pressão às debêntures, títulos de dívida emitidos pela empresa, usadas para pagar a aquisição da Linx. Também citou o menor volume de recursos aplicados após a execução dos programas de recompra de ações.
Com isso, a margem líquida ajustada recuou de 14,9% para 12%. Na prática, uma parcela menor da receita virou lucro ajustado, mesmo com o crescimento das vendas e do EBITDA. No acumulado de nove meses, porém, o lucro ajustado ainda avançou 3,7%, para R$ 748,7 milhões.
O lucro ajustado não é igual ao lucro contábil: ele retira ou modifica efeitos apresentados na reconciliação do release, como operações descontinuadas e amortização de ativos adquiridos. Pelo padrão contábil, o lucro atribuível aos acionistas foi de R$ 237,9 milhões, queda de 12,7% sobre a base comparativa apresentada no documento.
Antecipações de nuvem reduzem caixa livre
O fluxo de caixa livre da empresa, medida calculada pela TOTVS após os desembolsos previstos em sua metodologia, somou R$ 192,8 milhões. A queda anual de 24,9% teve como principal explicação pagamentos antecipados de contratos de nuvem, que totalizaram R$ 92 milhões.
Desse montante, R$ 59 milhões entraram na variação do capital de giro, recursos envolvidos no funcionamento cotidiano do negócio, e R$ 33 milhões foram registrados como investimento em ativos intangíveis. Segundo a companhia, as antecipações garantiram condições contratuais mais vantajosas. Nos nove meses, o caixa livre cresceu 19,6%, para R$ 683,5 milhões.
O caixa encerrou o trimestre em R$ 1.508,8 milhões, enquanto a dívida bruta ficou em R$ 4.611,5 milhões. A dívida líquida, diferença entre essas posições, aumentou 11,2% ante o trimestre anterior. A empresa associou o movimento às recompras de ações, à remuneração de acionistas e aos juros pagos.
A TOTVS também substituiu uma emissão de debêntures de R$ 1,5 bilhão por outra de mesmo valor, com vencimento em 2 de setembro de 2033. Segundo o release, a troca reduziu o custo financeiro contratado e alongou o prazo da dívida.
Inteligência artificial ganha espaço nas vendas
Os produtos que a TOTVS chama de habilitadores de inteligência artificial representaram 14,9% da receita recorrente e cresceram 33% na comparação anual. Segundo a companhia, eles responderam por 37% da adição orgânica de ARR.
A receita de nuvem acelerou o crescimento anual de 26% no segundo trimestre para 31% no terceiro. A estratégia inclui o LYNN, infraestrutura de inteligência artificial da companhia, e o CORTEN, sistema de gestão que reúne aplicações, nuvem e tarefas automatizadas por agentes de IA. A administração apresenta essa integração como peça central de sua estratégia, não como resultado financeiro futuro já assegurado.
O que muda para o acionista
O trimestre separa movimentos que podem parecer contraditórios: receita e resultado operacional cresceram, enquanto lucro ajustado e caixa livre diminuíram. As explicações estão em linhas diferentes: custo financeiro no lucro e antecipações de contratos no caixa. Por isso, o aumento do EBITDA não se transferiu na mesma proporção ao resultado final.
O próximo evento previsto no release é a videoconferência de resultados, em 5 de novembro de 2026, às 11h de Brasília, com transmissão em português e tradução simultânea para inglês. Será a apresentação da administração sobre os resultados e a estratégia descritos no documento.
Perguntas frequentes
Quanto a TOTVS lucrou no terceiro trimestre?
O lucro líquido ajustado foi de R$ 237,2 milhões no terceiro trimestre de 2026, redução de 8,8% em um ano. Pelo padrão contábil, o lucro atribuível aos acionistas ficou em R$ 237,9 milhões.
Por que o lucro caiu se a empresa vendeu mais?
Segundo a TOTVS, o aumento do custo financeiro pressionou o lucro ajustado. A companhia citou a dívida relacionada à compra da Linx e a redução dos recursos aplicados após recompras de ações.
O que significa receita recorrente nesse resultado?
É a receita ligada a contratos que geram cobranças continuadas, em vez de vendas isoladas. Na TOTVS, ela alcançou R$ 1.837,2 milhões e representou 92,9% da receita total do trimestre.
Por que o caixa livre diminuiu?
A companhia atribuiu a maior parte da queda aos pagamentos antecipados de contratos de nuvem, que somaram R$ 92 milhões. O fluxo de caixa livre trimestral foi de R$ 192,8 milhões, mas acumulou crescimento de 19,6% nos nove meses.
Quando será a apresentação dos resultados?
A videoconferência está marcada para 5 de novembro de 2026, às 11h de Brasília. O release prevê transmissão em português com tradução simultânea para inglês.
Ativos citados nesta matéria
Cotações ao vivo, com atraso. Clique para ver a ficha completa. Não é recomendação de investimento.



