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Aeris pede recuperação extrajudicial para reestruturar R$ 1,52 bilhão em dívidas

Aeris apresenta plano com adesão de 42,18% dos créditos. Entenda quais dívidas entram, o prazo para ampliar o apoio e os próximos passos.

Aeris pede recuperação extrajudicial para reestruturar R$ 1,52 bilhão em dívidas

A Aeris (AERI3) protocolou em 3 de novembro de 2026 um pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar R$ 1.524.489.124,76 em dívidas. O plano, que busca reorganizar obrigações por meio de negociação com credores e aprovação judicial, já reúne adesão de titulares de 42,18% dos créditos considerados para essa votação.

Última cotação de AERI3 na B3: R$ 1,90 (+0,00% no dia) em 03/11/2026 (fonte: Brapi).

Resumo rápido

O pedido da Aeris foi apresentado à 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo e abrange créditos apurados em 31 de outubro de 2026. A companhia assumiu o compromisso de obter apoio de titulares de mais da metade dos créditos considerados em até 90 dias contados do ajuizamento. Segundo a empresa, as operações e os fornecimentos necessários à fabricação de pás para aerogeradores serão preservados.

Principais pontos

  • O plano abrange R$ 1.524.489.124,76 em créditos, com base em 31 de outubro de 2026.
  • A adesão inicial corresponde a 42,18% dos créditos computados para aprovação.
  • A Aeris tem o compromisso de ampliar esse apoio para mais da metade em 90 dias contados do ajuizamento.
  • Créditos tributários, trabalhistas e decorrentes de acidentes de trabalho ficam fora do plano.
  • Os novos termos de pagamento serão consolidados em uma versão atualizada, ainda a ser negociada com os credores.
  • O conselho aprovou o pedido, que será submetido à ratificação dos acionistas em assembleia ainda sem data anunciada.

Quais dívidas entram na reestruturação

O valor de R$ 1,52 bilhão corresponde aos créditos abrangidos pelo plano, não a uma declaração sobre o total de todas as obrigações da Aeris. Essa distinção ajuda a delimitar o alcance da negociação: o documento separa as dívidas incluídas daquelas que permanecem fora desse processo.

A companhia descreve os créditos abrangidos como quirografários não correntes. Nesse caso, são obrigações que não vêm dos fornecimentos operacionais habituais de bens ou serviços necessários à atividade e incluem os saldos sem cobertura de garantias reais ou fiduciárias — mecanismos que vinculam bens ou direitos ao pagamento da dívida.

O recorte, portanto, não se resume ao nome do credor. Ele considera a natureza da obrigação e a parcela sem cobertura pelas garantias mencionadas. O saldo informado foi apurado em 31 de outubro de 2026.

Também estão expressamente excluídos os créditos de natureza tributária, os derivados da legislação do trabalho e os decorrentes de acidentes de trabalho. Essas exclusões definem quais obrigações não serão reorganizadas por esse plano.

O apoio de 42,18% ainda precisa aumentar

A adesão inicial é calculada pelo valor dos créditos, e não pela quantidade de credores. Assim, os 42,18% representam a participação das dívidas cujos titulares aderiram ao plano dentro do conjunto considerado para o quórum, o apoio mínimo exigido para sua aprovação.

Segundo o fato relevante, esse percentual supera um terço, patamar citado pela Aeris para apresentar o pedido nas condições previstas na legislação. A companhia assumiu o compromisso de obter adesão de titulares de mais da metade desses créditos em até 90 dias contados do ajuizamento.

Essa maioria é apontada no documento como o quórum necessário à homologação, a aprovação do plano pela Justiça. A adesão já obtida e a homologação são, portanto, etapas diferentes: a primeira registra o apoio dos credores; a segunda envolve a análise judicial.

O prazo informado é para ampliar a adesão. Ele não deve ser confundido com uma data anunciada para a conclusão de toda a recuperação, pois o comunicado não apresenta esse calendário.

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As condições de pagamento ainda serão negociadas

O plano estabelece parâmetros para a reestruturação, mas as condições financeiras serão consolidadas em uma versão atualizada. A Aeris afirma que essa versão será negociada de boa-fé com os credores e posteriormente submetida à homologação judicial.

Entre as medidas possíveis estão a repactuação das condições de pagamento, a captação de novos recursos e a alteração de garantias. São possibilidades previstas no documento, não uma descrição de operações já concluídas. O texto também prevê tratamento isonômico, ou seja, igualitário, entre os credores abrangidos.

A finalidade declarada é readequar a estrutura de capital — a forma como a empresa combina recursos próprios e dívidas para financiar suas atividades — e reduzir a alavancagem, o peso do endividamento nessa estrutura.

O fato relevante não detalha os novos vencimentos, juros ou eventuais descontos sobre as dívidas. Por isso, o valor abrangido não pode ser interpretado como dinheiro novo que entrará no caixa nem como uma redução já acertada do saldo a pagar. Ele identifica o conjunto de créditos sujeito à negociação.

Aeris diz que fabricação e fornecimentos continuam

A companhia afirma que suas operações seguirão normalmente e que serão preservadas as linhas de fornecimento necessárias ao negócio. A fabricação de pás para aerogeradores aparece como uma das atividades que o plano busca manter, ao lado dos empregos, da arrecadação de tributos e das relações comerciais vinculadas à operação.

Essa separação entre negociação financeira e rotina industrial é central no comunicado. Enquanto a empresa discute a reorganização dos créditos abrangidos, os fornecimentos operacionais habituais não fazem parte desse conjunto de dívidas.

O histórico ajuda a situar o pedido. Segundo o jornal O POVO, em reportagem de 19 de março de 2026, a Aeris encerrou 2025 com prejuízo líquido de R$ 901,2 milhões. O veículo também relatou baixa demanda, aumento do custo unitário de produção e ociosidade industrial naquele período.

O novo fato relevante dá continuidade aos comunicados de 20 e 27 de agosto de 2026, citados pela própria companhia. Agora, a negociação com os principais credores passa a integrar o pedido de recuperação extrajudicial apresentado à Justiça.

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Conselho aprovou o pedido; acionistas ainda vão deliberar

O Conselho de Administração aprovou o ajuizamento da recuperação extrajudicial. Essa decisão será submetida à ratificação dos acionistas, isto é, à confirmação em Assembleia Geral Extraordinária, reunião convocada para deliberar sobre assuntos específicos da companhia.

A assembleia será convocada oportunamente, segundo a Aeris. O fato relevante ainda não fixa a data dessa reunião. A deliberação dos acionistas é uma etapa societária distinta da obtenção de apoio dos credores e da homologação judicial do plano.

A companhia também informa que, desde o ajuizamento, aplica-se aos créditos abrangidos a suspensão prevista na legislação de recuperação, relativa às medidas de cobrança judicial. O alcance descrito está ligado a esses créditos, e não indistintamente a todas as obrigações da empresa.

A Aeris afirma que a íntegra do plano apresentado e a ata da reunião do conselho estão disponíveis nos canais de relações com investidores, da CVM e da B3. O anúncio foi feito por fato relevante, instrumento de divulgação de informações capazes de influenciar decisões de investimento.

O que muda para o acionista

Para quem tem AERI3, o pedido formaliza uma negociação que pode alterar como a Aeris paga parte de suas dívidas e organiza seu financiamento. A consequência econômica dependerá dos termos que forem negociados e consolidados no plano atualizado.

Os próximos passos descritos são ampliar a adesão dos credores dentro do prazo de 90 dias, convocar a assembleia para ratificar o ajuizamento e submeter a versão atualizada à homologação judicial. São frentes diferentes: apoio dos credores, decisão societária e aprovação pela Justiça.

Enquanto isso, a companhia declara que manterá suas atividades normalmente e que informará eventuais desdobramentos relevantes. O ponto central do anúncio é a abertura desse processo de reorganização das dívidas, com um valor delimitado e apoio inicial já identificado, mas com as condições financeiras ainda em negociação.

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Perguntas frequentes

Quanto da dívida da Aeris entra no plano?

O plano abrange R$ 1.524.489.124,76 em créditos apurados em 31 de outubro de 2026. Esse montante corresponde às obrigações incluídas na negociação, não necessariamente à dívida total da companhia.

A recuperação extrajudicial já foi aprovada pela Justiça?

O fato relevante informa o protocolo do pedido, não sua homologação. A Aeris pretende ampliar a adesão dos credores e submeter uma versão atualizada do plano à aprovação judicial.

O que significa o apoio de 42,18%?

Significa que os credores que aderiram detêm 42,18% do valor dos créditos considerados para o quórum. A empresa assumiu o compromisso de superar a metade desses créditos em até 90 dias contados do ajuizamento.

A Aeris vai parar de fabricar pás?

Segundo a companhia, as operações continuarão normalmente. O plano busca preservar a fabricação de pás para aerogeradores e os fornecimentos necessários à atividade.

Os acionistas vão votar sobre o pedido?

Sim, o ajuizamento será submetido à confirmação dos acionistas em Assembleia Geral Extraordinária. O conselho já aprovou a medida, mas a data da assembleia ainda será anunciada.

Ativos citados nesta matéria

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RD

Redação Arena do Dinheiro

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