A Serena Energia registrou lucro líquido de R$ 226,5 milhões no terceiro trimestre de 2026, ante R$ 16,6 milhões no mesmo período de 2025 e prejuízo de R$ 26,7 milhões no trimestre anterior. O resultado cresceu mesmo com queda de 9,5% na produção de energia, concentrada no Complexo Chuí após um ciclone atingir linhas de transmissão de terceiros.
Resumo rápido
A Serena encerrou o trimestre com lucro maior, custos menores e recuperação do negócio de comercialização de energia. O EBITDA ajustado, indicador do resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, com os ajustes adotados pela companhia, subiu 47%, para R$ 711,7 milhões. Segundo a empresa, a geração perdida em Chuí será integralmente ressarcível, enquanto outras restrições de geração continuaram afetando o resultado.
Principais pontos
- O lucro líquido ajustado foi de R$ 217,2 milhões, contra prejuízo ajustado de R$ 49 milhões no segundo trimestre.
- A receita líquida somou R$ 1.971,2 milhões, queda de 2% sobre o terceiro trimestre de 2025.
- A produção total alcançou 2.616 GWh, unidade que mede o volume de energia gerado, com recuo anual de 9,5%.
- O Complexo Chuí produziu 64,7% menos energia na comparação anual.
- A dívida líquida ajustada chegou a R$ 9.059 milhões, aumento de 2% em relação ao trimestre anterior.
- Nos primeiros nove meses de 2026, a companhia ainda acumulava prejuízo líquido de R$ 16,9 milhões.
Lucro cresceu mesmo com receita menor
A diferença entre receita e resultado ajuda a explicar o trimestre. Embora a receita líquida tenha diminuído, a compra de energia, líquida de créditos fiscais, caiu 13%, para R$ 1.101,7 milhões. Com isso, o lucro bruto de energia — o que sobra da receita depois dessa compra — aumentou 19%, para R$ 869,4 milhões.
Na medida ajustada, que considera a participação proporcional da Serena nos investimentos e outros ajustes descritos no relatório, o lucro bruto de energia atingiu R$ 833,4 milhões, alta de 21%. O lucro bruto unitário ficou em R$ 332,4 por megawatt-hora, avanço anual de 32%. Esse indicador relaciona o lucro bruto ao volume produzido; não representa a tarifa cobrada de cada cliente.
O lucro líquido ajustado de R$ 217,2 milhões também ficou acima dos R$ 16,9 milhões registrados um ano antes. Ele não é idêntico ao lucro contábil: a companhia modifica o cálculo para considerar, entre outros fatores, participações em negócios conjuntos e efeitos de estruturas de financiamento.
O ganho do trimestre reduziu, mas não eliminou, a perda acumulada no ano. Entre janeiro e setembro, o prejuízo líquido foi de R$ 16,9 milhões, ante R$ 173,4 milhões no mesmo intervalo de 2025. Pela medida ajustada, o prejuízo acumulado ficou em R$ 85,2 milhões.
Comercialização e ressarcimentos ajudaram a reduzir custos
O negócio de comercialização, que compra e vende energia por meio de contratos, apresentou resultado positivo de R$ 61 milhões. Segundo a Serena, foram R$ 41 milhões a mais que no terceiro trimestre de 2025 e uma melhora de R$ 18 milhões sobre o trimestre anterior.
A empresa também atribuiu parte do crescimento operacional a transações do balanço energético, que reúnem ajustes entre energia contratada e disponível, incluindo ressarcimentos por cortes de geração. Esse conjunto trouxe contribuição adicional de R$ 109 milhões na comparação anual.
Em Goodnight 1, o ressarcimento de custos compartilhados com um cliente contribuiu com R$ 44 milhões, além de R$ 6 milhões em outras receitas operacionais. Indenizações por indisponibilidade reduziram os custos de operação e manutenção em R$ 23 milhões na comparação anual.
Assim, custos e despesas ajustados recuaram 40%, para R$ 121,7 milhões. A margem EBITDA ajustada chegou a 85,4%, ante 70,4% um ano antes. No cálculo da Serena, essa margem divide o EBITDA ajustado pelo lucro bruto de energia ajustado, e não pela receita líquida.
Chuí perdeu geração por falha na transmissão de terceiros
Em 6 de agosto, um ciclone acompanhado de ventos extremos derrubou linhas de transmissão no Sul do Brasil e isolou eletricamente a região do Complexo Chuí. Segundo o relatório, o problema ocorreu na rede de terceiros, não por falta de vento nem por falha de operação do parque.
A produção de Chuí caiu de 400,6 GWh para 141,3 GWh na comparação anual. Ao mesmo tempo, o recurso eólico, isto é, o potencial de geração associado aos ventos, ficou 4,1% acima da referência de longo prazo usada pela companhia. Havia vento, mas a conexão para transportar a energia estava comprometida.
O relatório indica 1º de novembro como data de reenergização e estima cerca de 531 GWh de geração perdida desde o início da restrição. Esse volume abrange um período maior que o terceiro trimestre e, por isso, não equivale à queda trimestral de produção do complexo.
A Serena afirma que 100% dessa geração perdida será ressarcível. Para a retomada gradual da operação, prevista até fevereiro de 2027, a empresa informa cobertura de lucros cessantes, seguro que compensa perdas decorrentes da interrupção do negócio. Segundo a companhia, o episódio não deve ter impacto financeiro significativo.
Outros parques compensaram parte da queda
O Complexo Delta aumentou a produção em 4,2%, para 794,7 GWh. Goodnight cresceu 15,3%, para 171,2 GWh, enquanto a geração distribuída, formada por unidades menores de geração, avançou 12%, para 56,3 GWh. Esses aumentos compensaram apenas parte das perdas de outros ativos.
Na Bahia, a produção recuou 4,6%, para 1.399,7 GWh. As hidrelétricas produziram 37,6 GWh, queda de 20,1%, explicada em parte pela saída de Pipoca, vendida em março de 2026.
Também houve efeito do curtailment, restrição que impede uma usina de gerar toda a energia que poderia produzir. Excluído o corte ligado ao evento de Chuí, a perda energética por essas restrições foi de 11,8%, com perda correspondente de 12,1% no lucro bruto de energia. O relatório separa esse efeito do episódio considerado integralmente ressarcível.
Dívida aumentou, enquanto o caixa recuou
A dívida líquida ajustada, medida que desconta o caixa e incorpora os ajustes da companhia, subiu 2% no trimestre. Já a relação entre dívida líquida e EBITDA dos últimos doze meses do braço operacional caiu de 4,3 para 3,8 vezes. O indicador compara o endividamento com o resultado operacional acumulado; não é um prazo de pagamento.
O caixa total encerrou setembro em R$ 2.280,2 milhões, queda trimestral de 1%. As entradas incluíram R$ 389,4 milhões provenientes das operações e R$ 475,3 milhões em novas dívidas. O principal desembolso foi o serviço da dívida, que reúne pagamentos relacionados aos financiamentos, de R$ 630,9 milhões.
Os investimentos somaram R$ 225,3 milhões em projetos em desenvolvimento e R$ 18,6 milhões em ativos operacionais. Já os juros sobre a dívida consumiram R$ 289,5 milhões: menos que no trimestre anterior, mas 10% acima do valor registrado um ano antes.
Por que isso importa
O trimestre mostra que geração física, lucro e caixa podem seguir caminhos diferentes. A Serena produziu menos energia, mas registrou resultado maior com redução de custos, recuperação da comercialização e ressarcimentos. O lucro contábil, portanto, não representa apenas o dinheiro que entrou no período.
O próximo marco operacional descrito no relatório é a retomada gradual de Chuí até fevereiro de 2027. Para interpretar os resultados seguintes, a distinção central será entre a recuperação da produção, as compensações previstas pela empresa e a movimentação efetiva de caixa.
Perguntas frequentes
Quanto a Serena lucrou no terceiro trimestre?
A Serena teve lucro líquido de R$ 226,5 milhões no terceiro trimestre de 2026. Na medida ajustada pela companhia, o lucro foi de R$ 217,2 milhões.
Por que a produção de energia caiu?
A queda de 9,5% na produção total foi puxada principalmente pelo Complexo Chuí. Segundo a Serena, um ciclone atingiu linhas de transmissão de terceiros e isolou eletricamente a região do parque.
A Serena vai recuperar o dinheiro da energia perdida em Chuí?
Segundo a companhia, a geração perdida durante a restrição ligada ao evento de Chuí será integralmente ressarcível. A empresa também informa cobertura de seguro para a retomada gradual da operação, prevista até fevereiro de 2027.
A empresa já está com lucro no acumulado do ano?
Não. Apesar do lucro trimestral, a Serena acumulou prejuízo líquido de R$ 16,9 milhões nos primeiros nove meses de 2026, menor que a perda de R$ 173,4 milhões no mesmo período de 2025.
Como a dívida subiu e o indicador de endividamento caiu?
Isso pode acontecer quando o resultado operacional usado na comparação cresce em relação à dívida. No trimestre, a dívida líquida ajustada aumentou 2%, enquanto a relação entre dívida líquida e EBITDA dos últimos doze meses do braço operacional passou de 4,3 para 3,8 vezes.



