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Automob reduz prejuízo para R$ 56,4 milhões no 3T26 e amplia vendas

Automob vende mais e reduz prejuízo no terceiro trimestre. Entenda o peso das despesas financeiras e a mudança no reconhecimento de receitas.

Automob reduz prejuízo para R$ 56,4 milhões no 3T26 e amplia vendas

A Automob (AMOB3) registrou prejuízo líquido de R$ 56,4 milhões no terceiro trimestre de 2026, redução de 66,1% diante da perda de R$ 166,6 milhões no mesmo período de 2025. A companhia vendeu mais veículos e melhorou suas margens consolidadas, mas as despesas financeiras e a operação de Agro e Máquinas continuaram pressionando o resultado.

Última cotação de AMOB3 na B3: R$ 9,32 (-2,92% no dia) em 03/11/2026 (fonte: Brapi).

Resumo rápido

A Automob vendeu 28.631 veículos leves e pesados no trimestre, alta anual de 16,6%, enquanto a receita líquida caiu 1%, para R$ 3,43 bilhões. O prejuízo diminuiu, mas parte da diferença reflete uma baixa contábil que havia pesado no resultado de 2025. A companhia também alongou dívidas e apresentou uma simulação de receita com critérios de reconhecimento que passaram a valer em outubro.

Principais pontos

  • O prejuízo líquido foi de R$ 56,4 milhões, ante R$ 95 milhões no segundo trimestre de 2026.
  • O lucro bruto chegou a R$ 521,7 milhões, crescimento anual de 4,3%.
  • O EBITDA ajustado somou R$ 146,3 milhões, alta de 1,6% sobre o terceiro trimestre de 2025.
  • As vendas de veículos leves atingiram 25.755 unidades, avanço anual de 16,3%.
  • O estoque pago caiu R$ 165 milhões em um ano, para R$ 842 milhões.
  • Operações de dívida de R$ 1,2 bilhão ampliaram o prazo médio de pagamento para 2,9 anos.

Prejuízo menor tem efeito da operação e da base de comparação

A redução da perda não veio apenas do desempenho das lojas. No terceiro trimestre de 2025, a Automob havia reconhecido R$ 105,4 milhões de impairment, uma baixa contábil para refletir a perda de valor de ativos, no negócio de pesados. Esse lançamento não teve saída de caixa, mas aumentou o prejuízo daquela comparação.

Isso ajuda a explicar a distância entre os indicadores. O EBITDA, resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização, passou de R$ 38,6 milhões para R$ 139,3 milhões. Já o EBITDA ajustado, que exclui efeitos classificados pela companhia como não recorrentes, cresceu 1,6%, para R$ 146,3 milhões.

O prejuízo líquido ajustado também diminuiu: ficou em R$ 52,1 milhões, contra R$ 65,7 milhões um ano antes. Essa comparação mostra uma melhora menor do que a indicada pelo resultado contábil, justamente porque retira efeitos que dificultam comparar os períodos.

A operação gerou resultado de R$ 99 milhões antes do resultado financeiro e dos tributos. Mas o resultado financeiro líquido foi negativo em R$ 158,7 milhões, incluindo juros sobre direitos de uso de imóveis e outros bens arrendados. Essa conta ajuda a entender por que a melhora operacional ainda não levou ao lucro final.

Mais veículos vendidos não viram receita na mesma proporção

O crescimento das vendas de leves e caminhões da Automob veio acompanhado de maior participação das vendas diretas. Nessa modalidade, a concessionária recebe uma comissão, e não registra como receita o valor inteiro do veículo. Por isso, volume e receita contábil podem seguir ritmos diferentes.

A receita bruta transacionada, indicador gerencial que considera o valor integral dos veículos, peças e serviços comercializados, chegou a R$ 5 bilhões, alta anual de 10,4%. Ela mede o tamanho das transações intermediadas, mas não equivale à receita que fica registrada nas demonstrações financeiras.

Nos veículos leves, foram vendidos 16.540 novos e 9.215 seminovos. A alta dos usados considera a exclusão da operação descontinuada Seu Carro da base de 2025. Nas lojas, a produtividade mensal chegou a 42 novos e 24 seminovos por unidade.

Segundo a administração, a prioridade foi acelerar a saída do estoque, mesmo com menor margem em algumas vendas. Nos seminovos, a venda de veículos que estavam havia mais tempo parados teve impacto de cerca de R$ 10 milhões no trimestre. Em contrapartida, financiamentos, seguros e outros produtos agregados, reunidos na sigla F&I, e o pós-vendas responderam por 42% do lucro bruto de veículos leves.

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Caminhões ampliam margem; agro reduz estrutura

Caminhões e Ônibus vendeu 2.423 unidades, avanço anual de 35,1%. O lucro bruto, que corresponde à receita líquida menos os custos dos produtos e serviços vendidos, cresceu 27,4%, para R$ 89,6 milhões.

A margem bruta, parcela da receita líquida que sobra após esses custos, chegou a 21,1%, contra 18,1% um ano antes. Segundo a companhia, a maior participação das vendas diretas ajudou nesse indicador, porque a comissão recebida é reconhecida integralmente no lucro bruto. O segmento registrou lucro líquido de R$ 14,9 milhões.

Em Agro e Máquinas, o movimento foi diferente: o volume caiu 25,6%, para 453 unidades, e a receita bruta recuou 23,1%, para R$ 253,7 milhões. Ainda assim, o lucro bruto aumentou 19,7%, para R$ 35,6 milhões. A empresa atribuiu a melhora a negociações de bônus, compras orientadas pela demanda e reajustes nos serviços.

A operação continuou pressionando o resultado consolidado. Para adequar a estrutura, a Automob reduziu em 20% o quadro de colaboradores do segmento, diminuiu a frota operacional e renegociou despesas. A administração estima economia de aproximadamente R$ 6 milhões por trimestre a partir do quarto trimestre de 2026.

Mudança contábil separa faturamento de retirada física

O release também trata de quando uma venda pode entrar na receita. Nas demonstrações encerradas em 30 de setembro, veículos faturados até setembro e entregues em outubro não foram reconhecidos como receita do trimestre, seguindo o critério então usado pela Automob, ligado à retirada física.

A partir de 1º de outubro, a companhia passou a contemplar operações em que o controle do veículo é transferido antes da entrega física. São os acordos conhecidos como “faturar e manter”, ou bill-and-hold. O reconhecimento depende do cumprimento dos requisitos contábeis aplicáveis, e não apenas da emissão da nota.

Para mostrar o efeito, a conciliação suplementar parte de receita bruta de R$ 3.637,9 milhões e acrescenta R$ 365,8 milhões de operações elegíveis. A receita bruta ajustada dessa simulação chega a R$ 4.003,7 milhões. A informação suplementar não altera os valores reconhecidos nas demonstrações de setembro.

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Menos dinheiro em estoque e mais prazo para a dívida

O estoque pago, formado por veículos já quitados com as montadoras, caiu para R$ 842 milhões. É dinheiro aplicado em mercadorias que ainda precisam ser vendidas. Sua redução diminui o capital preso nessa etapa da operação.

O ciclo de conversão de caixa, intervalo entre os pagamentos e a recuperação dos recursos pelas vendas, passou de 33 para 23 dias em um ano. A companhia relaciona a mudança ao avanço das vendas diretas e às compras sob demanda no agro.

Na dívida, operações de R$ 1,2 bilhão ampliaram o prazo médio de 2,5 para 2,9 anos. A dívida líquida, que desconta o caixa da dívida bruta, ficou em R$ 1.952,8 milhões. A alavancagem, relação entre dívida líquida e EBITDA ajustado, recuou de 3,7 para 3,5 vezes na comparação anual.

O que muda para o acionista

O balanço mostra uma empresa que vende mais, mantém menos recursos em estoque e reduz o prejuízo, mas ainda não converte esse conjunto em lucro consolidado. Para separar os movimentos, o resultado ajustado ajuda a distinguir a evolução operacional do efeito da baixa contábil registrada em 2025.

Os próximos resultados também passarão a refletir a prática de reconhecimento de receita iniciada em outubro. Além disso, a economia prevista em Agro e Máquinas começa, segundo a administração, no quarto trimestre. O release marca a teleconferência de resultados para 4 de novembro de 2026, às 9h, no horário de Brasília, com tradução simultânea para inglês.

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Perguntas frequentes

A Automob teve lucro ou prejuízo no trimestre?

A Automob teve prejuízo líquido de R$ 56,4 milhões no terceiro trimestre de 2026. A perda foi menor que os R$ 166,6 milhões registrados no mesmo trimestre de 2025 e os R$ 95 milhões do segundo trimestre de 2026.

Por que vender mais não fez a receita crescer?

A maior participação das vendas diretas ajuda a explicar essa diferença, porque nelas a Automob registra apenas a comissão recebida. A queda do faturamento de Agro e Máquinas também contribuiu para a redução da receita consolidada.

A receita ajustada muda o balanço de setembro?

Não, a simulação suplementar não modifica os valores das demonstrações financeiras encerradas em setembro. Ela mostra como ficaria a receita com a aplicação dos critérios para operações elegíveis em que o controle é transferido antes da retirada física.

Quando será a apresentação dos resultados?

O release informa que a teleconferência será em 4 de novembro de 2026, às 9h, no horário de Brasília. O evento terá tradução simultânea para inglês, e o áudio ficará disponível após a transmissão.

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RD

Redação Arena do Dinheiro

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