A Alpargatas (ALPA3) registrou lucro líquido de R$ 175,5 milhões no terceiro trimestre de 2026, crescimento de 2,4% sobre o mesmo período de 2025. A receita líquida avançou 11,1%, para R$ 1.239,7 milhões, com aumento das vendas de Havaianas no Brasil e no exterior. O lucro cresceu menos que o faturamento em um trimestre de maiores despesas operacionais e financeiras.
Última cotação de ALPA3 na B3: R$ 10,59 (-0,38% no dia) em 06/11/2026 (fonte: Brapi).
Resumo rápido
A Alpargatas vendeu 60,8 milhões de pares de Havaianas no trimestre, alta de 7,6% na comparação anual. O EBITDA ajustado, indicador de desempenho operacional que desconsidera efeitos financeiros, tributos, depreciação, amortização e itens classificados como não recorrentes, somou R$ 283,5 milhões, avanço de 10,9%. A operação internacional voltou a apresentar EBITDA positivo em um terceiro trimestre após quatro anos de resultados negativos nesse período. No Brasil, as vendas cresceram, mas marketing, distribuição e pessoal consumiram uma parcela maior da receita.
Principais pontos
- O lucro líquido passou de R$ 171,3 milhões para R$ 175,5 milhões na comparação entre os terceiros trimestres.
- A receita líquida brasileira de Havaianas cresceu 13,5%, para R$ 989,7 milhões.
- O volume internacional aumentou 14,6%, alcançando 5,6 milhões de pares.
- A margem EBITDA ajustada, proporção da receita que corresponde ao indicador, ficou estável em 22,9%.
- A dívida líquida, que desconta caixa e aplicações do endividamento, encerrou o trimestre em R$ 353,2 milhões.
- Os investimentos somaram R$ 65 milhões no trimestre e R$ 147,4 milhões nos nove meses.
Vendas crescem, mas lucro avança em ritmo menor
O crescimento da receita veio acompanhado de aumento do lucro bruto, valor que sobra das vendas depois de descontado o custo dos produtos vendidos. Esse resultado atingiu R$ 653,2 milhões, alta de 11,5%. A margem bruta, sua proporção sobre a receita, passou de 52,5% para 52,7%.
Segundo a companhia, a combinação de produtos vendidos no Brasil, os ganhos de escala e a evolução internacional ajudaram o desempenho. Ganhar escala significa distribuir custos da operação por um volume maior de produtos. Parte desses efeitos foi compensada pelo aumento de gastos com pessoal e depreciação.
As despesas operacionais consolidadas cresceram 12,1%, para R$ 436,6 milhões. O EBITDA sem ajustes aumentou 6,7%, para R$ 279 milhões, enquanto o indicador ajustado avançou 10,9%. A diferença entre eles inclui R$ 4,6 milhões em itens extraordinários, principalmente despesas com simplificação da estrutura.
Na última linha do balanço, a margem líquida — parcela da receita que se transforma em lucro — caiu de 15,4% para 14,2%. Já no acumulado de nove meses, o lucro chegou a R$ 508 milhões, crescimento de 37%, com receita de R$ 3.695,5 milhões.
Brasil vende mais pares e recebe mais por unidade
A Havaianas vendeu 55,2 milhões de pares no Brasil, aumento de 6,9%. Ao mesmo tempo, a receita média por par subiu 6,2%, para R$ 17,9. Segundo a Alpargatas, essa evolução reflete o mix, ou seja, a composição dos produtos vendidos, além do desempenho de lojas próprias e franquias.
O sell-out, venda do varejo ao consumidor final, cresceu 8,1%. Esse dado ajuda a distinguir a demanda nas lojas do sell-in, que representa as vendas da companhia para os canais comerciais. Nos últimos doze meses, a diferença entre essas duas medidas foi de 1,9 milhão de pares, nível que a administração considera compatível com estoques saudáveis na cadeia.
No canal alimentar, que inclui pontos de venda como supermercados, a participação de mercado atingiu 79,9%. O ganho foi de 2,7 pontos percentuais sobre o terceiro trimestre de 2025.
O EBITDA brasileiro chegou a R$ 267,2 milhões, alta de 3,3% e maior valor da série histórica, segundo a companhia. Mas sua margem recuou de 29,6% para 27%. As despesas operacionais da divisão aumentaram 26,2%, com mais gastos em marketing, frete, distribuição e pessoal, incluindo a retomada de encargos sobre a folha de pagamentos.
Exterior volta ao positivo, com mudança nos Estados Unidos
A operação internacional registrou receita de R$ 235,6 milhões, crescimento de 2,3%. O EBITDA passou de negativo em R$ 5,8 milhões para positivo em R$ 16,6 milhões. Segundo a Alpargatas, ganhos de escala, efeitos cambiais e redução de despesas contribuíram para essa recuperação.
Na Europa, as vendas alcançaram 1,8 milhão de pares, avanço de 12,8%, e a receita cresceu 13,9%, para R$ 125,8 milhões. Nos mercados atendidos por distribuidores, foram vendidos 2,9 milhões de pares, alta de 2,5%, com contribuição da América Latina e da Ásia.
Nos Estados Unidos, o volume aumentou 82%, para 1 milhão de pares, mas a receita caiu 29,6%, para R$ 33,4 milhões. Os movimentos têm relação com o novo modelo comercial, que inclui um parceiro de distribuição. Com esse intermediário, a Alpargatas registra uma receita menor por par do que no formato anterior.
A contrapartida aparece nas despesas: segundo a empresa, a estrutura americana mais leve reduziu gastos com logística, distribuição e pessoal. A operação dos Estados Unidos apresentou seu primeiro EBITDA positivo em um terceiro trimestre. A companhia também informou que as vendas do distribuidor ao varejo acompanharam os volumes vendidos a ele, sem acúmulo de estoques na cadeia.
Despesas financeiras e Rothy’s limitam o lucro
O resultado financeiro líquido ficou negativo em R$ 25,5 milhões, ante perda de R$ 9,8 milhões um ano antes. A companhia atribuiu a mudança ao maior endividamento bruto, que elevou despesas financeiras, e à queda das receitas financeiras. Um efeito cambial positivo compensou parte dessa pressão.
Também pesou a equivalência patrimonial, registro da parcela do resultado de empresas nas quais a Alpargatas tem participação. Essa linha ficou negativa em R$ 12,8 milhões, contra R$ 6,3 milhões negativos no terceiro trimestre de 2025.
A Alpargatas detém 48,8% da Rothy’s, cujas vendas não são somadas à receita consolidada. A Rothy’s faturou US$ 50,9 milhões, alta de 12,3%, mas teve prejuízo líquido de US$ 2,6 milhões. Fretes, sobretaxas, abertura de lojas e marketing pressionaram seu desempenho. A equivalência também incluiu despesa de R$ 3,8 milhões com amortização de mais-valia, reconhecimento gradual de valores atribuídos a ativos na aquisição.
Caixa melhora, enquanto estoques e recebíveis absorvem recursos
A dívida líquida correspondeu a 0,3 vez o EBITDA ajustado dos últimos doze meses. Essa relação, chamada alavancagem, compara o endividamento descontado do caixa com a dimensão do resultado operacional. A companhia informou redução desse indicador frente ao trimestre anterior.
As contas principais de capital de giro, recursos necessários para financiar estoques e vendas até o recebimento dos clientes, consumiram R$ 39,2 milhões. Houve aumento de estoques e de contas a receber, parcialmente compensado pelo saldo maior de fornecedores.
Segundo a empresa, os estoques foram preparados para a demanda sazonal do segundo semestre. Nos recebíveis, pesaram atrasos de cobrança ligados à migração de sistema na Europa e o prazo de recebimento do modelo americano. Os investimentos em crescimento, sustentação e otimização do negócio alcançaram 61% dos R$ 243 milhões previstos para o ano.
O que muda para o acionista
O balanço mostra fontes diferentes de resultado: no Brasil, houve expansão das vendas com redução da margem operacional; no exterior, a recuperação do EBITDA ocorreu mesmo com queda da receita americana. Por isso, o crescimento do volume, sozinho, não resume o trimestre.
A administração mantém o foco no canal alimentar brasileiro, em categorias com menor presença da marca e nos mercados internacionais prioritários. Essas intenções não constituem garantia de desempenho futuro. A videoconferência sobre os resultados está marcada para 9 de novembro de 2026, às 9h, no horário de Brasília, em português, com tradução simultânea para inglês.
Perguntas frequentes
Quanto a Alpargatas lucrou no terceiro trimestre?
A empresa teve lucro líquido de R$ 175,5 milhões no terceiro trimestre de 2026, aumento de 2,4% sobre um ano antes. Nos nove primeiros meses do ano, o lucro acumulado foi de R$ 508 milhões.
Por que a receita nos Estados Unidos caiu se as vendas aumentaram?
O novo modelo americano inclui um distribuidor na intermediação comercial, o que reduz a receita registrada por par pela Alpargatas. O volume cresceu 82%, enquanto a receita recuou 29,6% na comparação anual.
A operação internacional voltou a dar lucro?
A operação internacional voltou a ter EBITDA positivo em um terceiro trimestre, com R$ 16,6 milhões. Esse indicador mede desempenho operacional e não deve ser confundido com lucro líquido.
O resultado da Rothy’s entra todo no balanço da Alpargatas?
Não: a Alpargatas possui 48,8% da Rothy’s e registra sua participação no resultado por equivalência patrimonial. As receitas e despesas da Rothy’s não são integralmente somadas às linhas consolidadas da Alpargatas.
Quando será a apresentação dos resultados?
A videoconferência está prevista para 9 de novembro de 2026, às 9h de Brasília. A apresentação será em português e terá tradução simultânea para inglês.
Ativos citados nesta matéria
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