A Dasa (DASA3) registrou lucro líquido de R$ 173 milhões no terceiro trimestre de 2026, avanço de 78,7% sobre o resultado das operações continuadas de um ano antes. Na comparação que considera apenas o conjunto atual de negócios, o crescimento foi de 120%. A redução das despesas financeiras ajudou o resultado, enquanto a receita cresceu na base comparável e a dívida caiu em relação ao trimestre anterior.
Última cotação de DASA3 na B3: R$ 3,26 (+10,51% no dia) em 06/11/2026 (fonte: Brapi).
Resumo rápido
A Dasa encerrou o trimestre com receita bruta de R$ 2,594 bilhões, queda de 9% no consolidado e alta de 8% considerando apenas as operações do escopo atual. O lucro alcançou R$ 173 milhões, apoiado pela redução do resultado financeiro negativo. A dívida líquida, incluindo aquisições a pagar e antecipações de recebíveis, terminou setembro em R$ 5,435 bilhões, R$ 188 milhões abaixo do trimestre anterior.
Principais pontos
- O lucro trimestral passou de R$ 97 milhões para R$ 173 milhões na comparação das operações continuadas.
- A receita bruta de Diagnósticos Nacional chegou a R$ 2,363 bilhões, alta de 7,6% em bases comparáveis.
- Hospitais e Oncologia Nordeste registraram receita bruta de R$ 231 milhões, crescimento comparável de 7,1%.
- O EBITDA consolidado foi de R$ 640 milhões, queda de 1,7% no escopo atual.
- O fluxo de caixa livre somou R$ 369 milhões, recuo de 11,1% em relação ao terceiro trimestre de 2025.
- O índice de endividamento usado nos contratos de dívida ficou em 3,39 vezes, abaixo do limite de 4 vezes.
Por que o lucro tem duas taxas de crescimento
Os avanços de 78,7% e 120% descrevem o mesmo lucro, mas partem de bases diferentes. Na demonstração contábil das operações continuadas, a Dasa compara os R$ 173 milhões atuais com R$ 97 milhões no terceiro trimestre de 2025. Já na estimativa que reproduz a estrutura atual da empresa no período anterior, a referência é de R$ 79 milhões.
Essa segunda conta é chamada pela companhia de escopo atual. Ela reúne Diagnósticos Nacional, Hospital da Bahia e Clínicas AMO e retira negócios vendidos e efeitos da formação da Rede Américas. A ideia é comparar conjuntos semelhantes de operações, em vez de medir uma empresa cuja composição mudou.
A diferença também aparece na receita bruta: houve queda de 9% no consolidado, mas crescimento de 8% em bases comparáveis. Portanto, a redução da receita total não significa, por si só, retração dos negócios que permaneceram na Dasa. No acumulado de nove meses, o lucro foi de R$ 148 milhões, ante prejuízo de R$ 526 milhões na base de escopo atual.
Exames e oncologia ampliam a receita das operações atuais
A receita líquida de Diagnósticos, depois de impostos e deduções, alcançou R$ 2,198 bilhões, alta comparável de 8,5%. Segundo a companhia, contribuíram o aumento do volume de exames, a evolução do valor médio por atendimento e a expansão dos serviços premium, do atendimento domiciliar e dos serviços prestados a outros laboratórios.
Também houve recuperação de glosas de períodos anteriores — cobranças que haviam sido recusadas ou contestadas pelos pagadores. Esse efeito ajudou a receita líquida, além do desempenho dos atendimentos realizados no período.
O crescimento veio acompanhado de pressão sobre os custos. A margem bruta ajustada de Diagnósticos, parcela da receita líquida que sobra após os custos considerados nessa medida, caiu de 40% para 37,5% na base comparável. A Dasa atribuiu a redução a realocações contábeis, à mudança na composição dos serviços e a gastos com infraestrutura e modernização.
Em Hospitais e Oncologia Nordeste, a receita líquida somou R$ 212 milhões, avanço comparável de 8%. A receita bruta de oncologia cresceu 10%, enquanto a hospitalar aumentou 3,3%. No Hospital da Bahia, a ocupação atingiu 85,6%, com 139 leitos ativos.
Rede Américas reduz a contribuição ao resultado
O EBITDA, indicador de resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização, alcançou R$ 640 milhões na Dasa. A queda de 1,7% em bases comparáveis refletiu principalmente a menor contribuição da Rede Américas. Sem essa participação, o indicador ficou em R$ 617 milhões, crescimento de 4,7%.
A Dasa detém 50% da Rede Américas e registra sua parcela do resultado por equivalência patrimonial: reconhece a participação no lucro ou prejuízo do investimento, sem somar integralmente suas receitas e despesas às próprias operações. A contribuição reconhecida caiu de R$ 62 milhões para R$ 23 milhões.
A Rede Américas teve lucro de R$ 45 milhões, ante R$ 120 milhões um ano antes. Seu EBITDA reportado recuou 31,3%, para R$ 420 milhões. Segundo o release, a comparação foi afetada por receitas extraordinárias no período anterior e por impactos não recorrentes no trimestre atual, ligados à revisão de valores a receber e à venda do Hospital e Maternidade Santa Lúcia.
Esse quadro explica por que o EBITDA consolidado caiu mesmo com crescimento do indicador nas operações sem equivalência patrimonial. Também mostra que a evolução do lucro líquido não depende apenas da receita dos laboratórios e hospitais.
Menor despesa financeira ajuda o lucro
O resultado financeiro líquido ficou negativo em R$ 220 milhões, contra R$ 363 milhões negativos no terceiro trimestre de 2025 em escopo atual. Isso representa redução de 39,5% nesse saldo de despesas. Segundo a Dasa, contribuíram o menor endividamento médio e os efeitos positivos da atualização do valor de instrumentos de proteção financeira.
Na prática, uma parcela menor do resultado foi consumida pelo saldo entre despesas e receitas financeiras. Isso ajudou o lucro líquido a crescer apesar da queda do EBITDA consolidado comparável. São medidas diferentes: o EBITDA deixa de fora itens que entram na conta final do lucro.
As despesas gerais e administrativas caíram 9,1% na base comparável, para R$ 251 milhões, enquanto as comerciais subiram 22,6%, para R$ 36 milhões, principalmente por maiores investimentos em marketing. A companhia também relacionou parte da evolução das despesas a mudanças de classificação contábil entre as linhas do resultado.
Caixa gerado reduz dívida, mas os indicadores usam contas distintas
A geração operacional de caixa foi de R$ 456 milhões, queda anual de 5%. Depois dos desembolsos com investimentos considerados no demonstrativo, o fluxo de caixa livre ficou em R$ 369 milhões, recuo de 11,1%. Essa é a sobra de caixa apresentada pela companhia após esses investimentos, não o mesmo valor do lucro contábil.
A dívida líquida com aquisições a pagar e antecipações de recebíveis caiu R$ 188 milhões frente ao trimestre anterior. A relação entre essa dívida e o EBITDA dos últimos doze meses ficou em 3,51 vezes. Usando o EBITDA estimado para o escopo atual, a relação foi de 2,76 vezes, contra 2,91 vezes no trimestre anterior.
Já o covenant, indicador calculado conforme as regras dos contratos de dívida, ficou em 3,39 vezes, abaixo do limite de 4 vezes. Os números não são intercambiáveis: cada cálculo usa critérios próprios para dívida e resultado.
O que muda para o acionista
O balanço mostra crescimento do lucro e redução sequencial da dívida, mas não uma expansão uniforme dos indicadores. As operações atuais aumentaram a receita, enquanto custos e a menor contribuição da Rede Américas limitaram o EBITDA consolidado. A melhora financeira ajudou a transformar esse conjunto em lucro maior.
Para a leitura dos próximos resultados, a distinção entre números contábeis e escopo atual continua relevante. Segundo a Dasa, o impacto contábil negativo da venda do Hospital São Domingos deixará a base de cálculo do EBITDA de doze meses a partir do quarto trimestre de 2026. O release prevê apresentação dos resultados em 6 de novembro de 2026, às 14h, no horário de Brasília.
Perguntas frequentes
Quanto a Dasa lucrou no terceiro trimestre?
A Dasa teve lucro líquido de R$ 173 milhões no terceiro trimestre de 2026. Na comparação das operações continuadas, o avanço foi de 78,7% sobre o mesmo período de 2025.
Por que também aparece uma alta de 120% no lucro?
A alta de 120% usa como referência uma estimativa do resultado de 2025 com apenas as operações do escopo atual. Nessa base, o lucro do período anterior era de R$ 79 milhões, diferente dos R$ 97 milhões da comparação contábil.
A receita da Dasa cresceu ou caiu?
A receita bruta consolidada caiu 9%, para R$ 2,594 bilhões. Considerando apenas os negócios do escopo atual nos dois períodos, houve crescimento de 8%, pois a comparação consolidada inclui efeitos de mudanças na composição das operações.
A dívida diminuiu no trimestre?
Sim, a dívida líquida que inclui aquisições a pagar e antecipações de recebíveis caiu R$ 188 milhões em relação ao trimestre anterior. Ela encerrou setembro em R$ 5,435 bilhões.
Como a Rede Américas entra no balanço da Dasa?
A participação de 50% é registrada por equivalência patrimonial, método que reconhece a parcela do resultado do investimento. No trimestre, essa contribuição foi de aproximadamente R$ 23 milhões.
Ativos citados nesta matéria
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