A Aura Minerals (AUGO na Nasdaq; AURA33 na B3) registrou lucro líquido de US$ 135 milhões no terceiro trimestre de 2026 e produção recorde de 95.557 onças equivalentes de ouro, medida que reúne diferentes metais em uma unidade comparável ao ouro. O lucro caiu 38% frente ao trimestre anterior, principalmente pela redução de ganhos contábeis com contratos ligados ao preço do metal, enquanto a produção cresceu 27%.
Resumo rápido
A Aura encerrou o terceiro trimestre com receita líquida de US$ 386 milhões, alta de 56% sobre o mesmo período de 2025. Borborema e MSG ajudaram a elevar a produção, mas os custos por unidade continuaram acima dos registrados um ano antes. Nos nove meses, a companhia acumulou lucro de US$ 447,8 milhões e manteve a previsão de produzir entre 340 mil e 390 mil onças equivalentes de ouro em 2026.
Principais pontos
- Produção: 95.557 onças equivalentes de ouro no trimestre, aumento anual de 29%.
- Receita líquida: US$ 386 milhões, crescimento de 15% frente ao trimestre anterior.
- Lucro ajustado: US$ 121,2 milhões, alta trimestral de 24% e anual de 77%.
- Custo de sustentação: US$ 1.953 por onça equivalente, queda trimestral de 2%, mas alta anual de 40%.
- Caixa livre recorrente: US$ 123,5 milhões, aumento de 54% sobre o trimestre anterior.
- Investimentos totais: US$ 96,6 milhões, avanço de 206% sobre o terceiro trimestre de 2025.
Borborema e MSG puxam o recorde de produção
A produção de 95.557 onças equivalentes de ouro, ou GEO na sigla usada pela Aura, teve como motores Borborema, Aranzazu e MSG. A conversão para GEO depende dos preços relativos dos metais. Por isso, a empresa também apresenta uma comparação com preços constantes: nessa base, o crescimento foi de 26% frente ao trimestre anterior e de 25% em relação ao mesmo período de 2025.
Borborema produziu 22.842 GEO, recorde da operação e cerca de 24% do total da companhia. O volume subiu 60% no trimestre, com minério de maior teor — isto é, com mais metal por quantidade de rocha — e melhora na filtragem, que permitiu ampliar o processamento.
MSG produziu 13.321 GEO, avanço trimestral de 85%, com mais minério processado e maior recuperação, a parcela do metal contido na rocha que a operação consegue extrair. Aranzazu chegou a 24.920 GEO, alta de 39%. O movimento não foi uniforme: Almas e Minosa tiveram quedas de 12% e 7%, respectivamente, frente ao trimestre anterior.
Por que o lucro caiu enquanto a operação cresceu
A receita aumentou com o maior volume vendido. Já o EBITDA ajustado, indicador do resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização, com ajustes adotados pela companhia, alcançou US$ 236,9 milhões. Foi uma alta de 20% no trimestre e de 56% em um ano.
O lucro líquido seguiu outra direção na comparação trimestral porque recebeu uma contribuição contábil menor dos derivativos de ouro, contratos cujo valor varia conforme o preço do metal. O ganho não realizado com essas posições caiu de US$ 126 milhões para US$ 12,7 milhões. Esse ganho não representa dinheiro recebido naquele momento.
A mudança decorre da marcação a mercado, atualização do valor dos contratos nas demonstrações financeiras. Ela ajuda a explicar por que o lucro pode oscilar sem acompanhar o ritmo da produção. Retirados os efeitos definidos pela Aura, incluindo itens cambiais e tributários, o lucro líquido ajustado subiu para US$ 121,2 milhões.
Há também efeitos financeiros efetivos: a companhia registrou perdas realizadas de US$ 33,6 milhões com contratos de proteção do ouro vencidos no trimestre. As posições ainda abertas estão vinculadas à produção futura de Borborema e vencem entre outubro de 2026 e junho de 2028.
Custos recuam no trimestre, mas sobem em um ano
O custo caixa, medida dos gastos operacionais por unidade produzida e vendida, ficou em US$ 1.395 por GEO. Caiu 8% em relação ao trimestre anterior, mas aumentou 26% na comparação anual.
Uma medida mais abrangente é o AISC, sigla em inglês para o custo de sustentação da operação, que incorpora também gastos como investimentos de manutenção. Ele atingiu US$ 1.953 por GEO, recuo trimestral de 2% e avanço anual de 40%. A entrada de MSG na consolidação contribuiu para essa diferença. Sem a unidade, o indicador seria de US$ 1.673, ainda 20% acima de um ano antes.
Os movimentos variaram entre as minas. Aranzazu reduziu o AISC em 25% no trimestre, com maior volume e teores mais altos. Apoena teve alta de 33%, para US$ 3.554 por GEO, porque o ganho operacional não compensou o investimento de manutenção no desenvolvimento da Cava Nosde. Segundo a Aura, o AISC acumulado está acima da projeção, e a expectativa é de queda no quarto trimestre.
Caixa financia expansão, dividendos e recompras
A geração de caixa operacional chegou a US$ 167,9 milhões, alta trimestral de 50%. O fluxo de caixa livre recorrente, medida de recursos disponíveis após os desembolsos recorrentes considerados pela empresa, somou US$ 123,5 milhões. Ele não deve ser confundido com lucro contábil nem com dinheiro integralmente disponível para distribuição.
A Aura informou que pagou US$ 71 milhões em dividendos e recompras de ações e destinou US$ 55 milhões a investimentos de expansão. Esses desembolsos foram quase integralmente cobertos pelo caixa livre recorrente. Os valores descrevem pagamentos do período, não um novo anúncio de remuneração por ação.
A dívida líquida, que desconta o caixa da dívida, ficou em US$ 178,8 milhões. A alavancagem foi de 0,20 vez: essa relação compara a dívida líquida com o EBITDA ajustado dos últimos doze meses. Os investimentos totais, também chamados de capex, atingiram US$ 96,6 milhões.
Era Dorada e frota própria concentram próximos avanços
O projeto Era Dorada alcançou 13,1% de avanço físico. Segundo a companhia, a construção segue dentro do prazo e do orçamento, com obras civis nas áreas da planta e preparação para a montagem dos equipamentos.
A Aura também contratou, em 18 de setembro de 2026, um empréstimo sindicalizado de US$ 200 milhões, modalidade em que instituições compartilham o financiamento. O prazo total é de cinco anos, com dois anos de carência, para apoiar projetos de crescimento.
Outra frente é assumir diretamente a operação e a manutenção da frota de Apoena, Almas e Borborema. A transição está prevista para janeiro de 2027. A empresa estima reduzir o AISC dessas operações entre US$ 150 e US$ 200 por onça de ouro vendida, na média ponderada. O fechamento depende de condições precedentes, incluindo aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o Cade.
O que muda para o acionista
O resultado separa três movimentos: mais produção e vendas, menor contribuição contábil dos derivativos no trimestre e custos de sustentação superiores aos de um ano antes. Essa distinção explica por que o lucro líquido caiu na comparação trimestral mesmo com crescimento do resultado operacional.
Nos nove meses, a produção somou 253.131 GEO, equivalente a 74% do piso da previsão anual. A faixa de 340 mil a 390 mil GEO continua sendo uma estimativa da administração. Para o quarto trimestre, a Aura espera acessar minério de maior teor em Almas e Apoena e reduzir custos com maior produção. A teleconferência de resultados está marcada para 6 de novembro de 2026, às 11h de Brasília.
Perguntas frequentes
Quanto a Aura lucrou no terceiro trimestre?
A Aura teve lucro líquido de US$ 135 milhões no terceiro trimestre de 2026. O resultado ficou abaixo dos US$ 217,7 milhões do trimestre anterior e acima dos US$ 5,6 milhões registrados no mesmo período de 2025.
Por que o lucro caiu se a empresa produziu mais?
A principal razão foi a redução do ganho contábil não realizado com derivativos de ouro. Essa contribuição passou de US$ 126 milhões para US$ 12,7 milhões, mais do que compensando o aumento do lucro operacional.
O que significa produção em GEO?
GEO significa onças equivalentes de ouro, uma medida que converte a produção de diferentes metais para uma referência comum. Como a conversão depende dos preços relativos desses metais, a Aura também mostra comparações a preços constantes.
O resultado trouxe um novo pagamento de dividendos?
O trecho sobre remuneração informa US$ 71 milhões já pagos em dividendos e recompras durante o período. Esse total reúne as duas modalidades e não corresponde a um novo valor de dividendo por ação.
Qual é a previsão de produção para 2026?
A companhia manteve a estimativa de produzir entre 340 mil e 390 mil GEO em 2026. Até setembro, havia produzido 253.131 GEO; a faixa anual é uma projeção, não um volume já realizado.



