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BrasilAgro reverte prejuízo e lucra R$ 81,3 milhões no 1T27 com venda de terras

BrasilAgro reverte prejuízo com venda de terras e atualização de recebíveis. Entenda a queda na operação agrícola, a dívida e os dividendos.

BrasilAgro reverte prejuízo e lucra R$ 81,3 milhões no 1T27 com venda de terras

A BrasilAgro (AGRO3) registrou lucro líquido de R$ 81,3 milhões no primeiro trimestre do exercício 2026/2027, encerrado em 30 de setembro de 2026, revertendo o prejuízo de R$ 64,3 milhões do mesmo período anterior. A venda de parte da Fazenda Rio do Meio e a valorização de valores a receber por vendas de propriedades ajudaram o resultado, enquanto o desempenho da operação agrícola recuou.

Última cotação de AGRO3 na B3: R$ 17,20 (-0,64% no dia) em 03/11/2026 (fonte: Brapi).

Resumo rápido

A BrasilAgro voltou ao lucro no 1T27, com ganho de R$ 50,8 milhões na venda de terras. O EBITDA ajustado total, indicador de resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização, com ajustes definidos pela companhia, cresceu 47%, para R$ 94,6 milhões. Sem o ganho imobiliário, esse indicador caiu 32%, para R$ 43,8 milhões, mostrando que a melhora do resultado consolidado não veio de um avanço uniforme dos negócios.

Principais pontos

  • O lucro líquido total foi de R$ 81,3 milhões, contra prejuízo de R$ 64,3 milhões no 1T26.
  • A venda de parte da Fazenda Rio do Meio gerou ganho de R$ 50,8 milhões.
  • A receita líquida operacional somou R$ 300,9 milhões, queda de 1% na comparação anual.
  • O EBITDA ajustado operacional caiu 32%, enquanto o total, incluindo a venda de terras, subiu 47%.
  • A dívida líquida ajustada pelos recebíveis de fazendas caiu 51% no trimestre, para R$ 136,3 milhões.
  • A companhia informou dividendos aprovados de R$ 0,3012 por ação, com pagamento a partir de 16 de novembro.

A venda da Rio do Meio explica parte da virada

Em setembro, a BrasilAgro vendeu 2.593 hectares da Fazenda Rio do Meio, em Correntina, na Bahia, dos quais 1.753 hectares úteis. A operação envolvendo a Fazenda Rio do Meio faz parte do modelo da empresa: comprar propriedades, desenvolver sua capacidade produtiva e vender áreas quando considera que o retorno esperado foi alcançado.

O release detalha como a transação entrou no balanço. O valor registrado nas demonstrações financeiras foi de R$ 94,2 milhões. Depois de um ajuste a valor presente de R$ 17,2 milhões, que traduz pagamentos futuros para seu equivalente na data do cálculo, a receita reconhecida ficou em R$ 77 milhões.

Desse montante, a empresa descontou R$ 26,2 milhões de custo contábil da área, chegando ao ganho de R$ 50,8 milhões. Assim, valor da venda, receita reconhecida e ganho não são a mesma coisa. O ganho é o que sobra nessa conta depois do ajuste financeiro e da baixa do custo registrado para a propriedade.

A receita reconhecida correspondeu a aproximadamente 2,9 vezes o valor contábil da área. Esse valor contábil reflete os registros de aquisição e desenvolvimento, descontadas as depreciações aplicáveis, e não uma avaliação atual de mercado. No trimestre comparável, a BrasilAgro não havia registrado ganho com venda de fazendas.

Agricultura teve receita estável, mas margens menores

A receita líquida operacional ficou em R$ 300,9 milhões. O aumento das vendas de milho compensou parte das quedas em soja, cana-de-açúcar e algodão em pluma. A receita do milho passou de R$ 19,5 milhões para R$ 55,2 milhões, acompanhando o crescimento do volume comercializado.

Vender mais milho, porém, não significou obter mais resultado com a cultura. Sua margem bruta, parcela da receita que sobra após os custos considerados nessa apuração, caiu de 20% para 2%. O custo por tonelada subiu 17%, enquanto o preço médio de venda recuou 4%.

Na soja, a margem bruta passou de 30% para 27%. O preço médio recebido aumentou 7%, mas o custo unitário cresceu 13%, afetado principalmente por baixas relacionadas a ajustes de qualidade da safra 2025/2026. A quantidade faturada também foi menor.

Outro peso veio dos derivativos, contratos usados para proteger preços e outras condições financeiras. No cálculo operacional apresentado pela companhia, o resultado desses instrumentos passou de ganho de R$ 9,6 milhões para perda de R$ 3,4 milhões. Segundo a administração, essa mudança explicou cerca de dois terços da queda do EBITDA ajustado operacional.

Uma perda no contrato de proteção não descreve, sozinha, o resultado da venda do produto: o preço da mercadoria pode se mover no sentido oposto. Neste trimestre, a BrasilAgro relacionou a perda principalmente à alta da soja, que também elevou o preço médio de venda do grão.

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Dívida ajustada caiu, mas o saldo bruto aumentou

A dívida líquida ajustada pelos recebíveis de fazendas caiu de R$ 280,5 milhões em junho para R$ 136,3 milhões em setembro. Essa medida desconta da dívida tanto os recursos financeiros considerados pela companhia quanto os valores a receber por propriedades já vendidas.

Ela é diferente da dívida bruta, que aumentou 5%, para R$ 1,074 bilhão. A dívida líquida antes do desconto dos recebíveis caiu 7%, para R$ 762,5 milhões. Portanto, a redução de 51% destacada no release se refere especificamente ao indicador ajustado, não ao total de empréstimos e financiamentos.

A BrasilAgro recebeu R$ 71,7 milhões em parcelas de vendas de fazendas durante o trimestre. Encerrou setembro com R$ 626,2 milhões ainda a receber nessas operações, dos quais R$ 218,4 milhões classificados para os próximos 12 meses. Recebíveis representam pagamentos futuros, não dinheiro já disponível em caixa.

Esses contratos também afetam o lucro por atualização de valor. O resultado financeiro ficou positivo em R$ 37,6 milhões, ante saldo negativo de R$ 40,1 milhões. A atualização a valor justo, que revê valores conforme as condições aplicáveis aos contratos, contribuiu positivamente. Esse efeito contábil ajuda a explicar por que lucro e entrada de dinheiro não caminham necessariamente juntos.

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Plano da safra reduz milho e amplia soja

Para a safra 2026/2027, a BrasilAgro projeta área total de 164.664 hectares, 1% abaixo da safra anterior. Na revisão do planejamento, reduziu em 15% a área de milho de primeira safra e em 5% a de milho safrinha, cultivado após a cultura principal. A área de soja aumentou 1% em relação à estimativa inicial.

Segundo a companhia, parte das áreas menos aptas ao milho foi destinada a pousio, período sem cultivo comercial, e a plantas de cobertura, usadas na proteção do solo. Em outras áreas, a empresa avaliou que os preços tornavam a soja mais rentável.

A produção projetada de grãos e algodão ficou em 439,3 mil toneladas, 3% abaixo da estimativa inicial. Na cana, aproximadamente 175 mil toneladas tiveram a colheita transferida para o trimestre seguinte pelo ritmo menor de moagem das usinas no Maranhão.

A empresa informou que já havia plantado 68% da área prevista de soja, 17 dias à frente da safra anterior. Na posição de proteção de preços de 27 de outubro, tinha 57% do volume de soja travado. Também informou a compra de 94% dos fertilizantes abaixo do orçamento. As projeções são estimativas da companhia, não promessa de desempenho.

O que muda para o acionista

O resultado mostra a combinação dos negócios da BrasilAgro: produção agrícola, desenvolvimento de terras e venda de propriedades. Neste trimestre, o lucro consolidado avançou com a contribuição imobiliária e financeira, apesar da queda do EBITDA ajustado da operação agrícola. Separar essas fontes permite entender de onde veio a virada.

Na remuneração ao acionista, a assembleia de 21 de outubro aprovou R$ 30 milhões em dividendos, equivalentes a R$ 0,3012 por ação, com pagamento a partir de 16 de novembro. A teleconferência de resultados está marcada para 5 de novembro de 2026, às 15h30, no horário de Brasília, em português e com tradução simultânea para inglês.

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Perguntas frequentes

Quanto a BrasilAgro lucrou no trimestre?

A BrasilAgro teve lucro líquido de R$ 81,3 milhões no trimestre encerrado em 30 de setembro de 2026. No mesmo período do exercício anterior, havia registrado prejuízo de R$ 64,3 milhões.

O lucro veio só da produção agrícola?

Não: a venda de parte da Fazenda Rio do Meio gerou ganho de R$ 50,8 milhões, e a atualização dos recebíveis também contribuiu para o resultado. O EBITDA ajustado operacional, que não inclui o ganho com a venda da fazenda, recuou 32%.

Quando os dividendos começam a ser pagos?

O pagamento está previsto a partir de 16 de novembro, no valor de R$ 0,3012 por ação. A distribuição total de R$ 30 milhões foi aprovada na assembleia de 21 de outubro.

A dívida da empresa caiu pela metade?

A dívida líquida ajustada pelos valores a receber de vendas de fazendas caiu 51%, para R$ 136,3 milhões. Já a dívida bruta aumentou 5%, para R$ 1,074 bilhão; são medidas diferentes do endividamento.

O que significa ter parte da soja com preço travado?

Significa usar contratos para fixar condições de preço de parte do volume, reduzindo sua exposição às oscilações do mercado. Na posição de 27 de outubro, a BrasilAgro informou proteção para 57% do volume de soja da safra 2026/2027.

Ativos citados nesta matéria

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RD

Redação Arena do Dinheiro

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