A BrasilAgro (AGRO3) reduziu em 3% a estimativa de produção de grãos e algodão para a safra 2026/2027, de 452.946 para 439.275 toneladas. A revisão reflete principalmente o corte no plantio de milho, enquanto a soja ganhou espaço. Mesmo com o ajuste, o volume projetado permanece 3% acima do registrado na safra anterior, segundo o fato relevante datado de 3 de novembro de 2026.
Última cotação de AGRO3 na B3: R$ 17,20 (-0,64% no dia) em 03/11/2026 (fonte: Brapi).
Resumo rápido
A BrasilAgro ajustou o planejamento agrícola sem alterar de forma expressiva a área total, agora projetada em 164.664 hectares. A companhia atribui a redução do milho à ausência de recuperação dos preços e à destinação de áreas para soja, pousio e cobertura do solo. Também diminuiu as previsões de produção de cana e carne e atualizou os custos por hectare.
Principais pontos
- A produção de grãos e algodão passou a ser estimada em 439.275 toneladas, queda de 3% sobre o plano inicial.
- A área total projetada é de 164.664 hectares, ante 165.208 hectares na estimativa anterior.
- A produção de milho de primeira safra foi reduzida em 14%, para 73.123 toneladas.
- A soja passou a ter previsão de 261.192 toneladas, aumento de 1% sobre a estimativa inicial.
- A projeção de cana caiu 6%, para 2.055.243 toneladas na safra 2026.
- Na pecuária, a produção de carne projetada recuou 2%, para 2.327.312 quilos.
Menos milho e mais espaço para soja e cobertura
A principal mudança está na distribuição das culturas, não no tamanho total da operação. A área de milho de primeira safra caiu 15% em relação ao planejamento inicial, com a redução concentrada em Mato Grosso. No milho safrinha, cultivado depois da cultura principal, o corte foi de 5%.
Somadas, as áreas de milho passaram de 27.611 para 24.885 hectares. A soja seguiu na direção contrária: sua área aumentou de 74.425 para 75.474 hectares, alta de 1% sobre a previsão inicial.
Segundo a BrasilAgro, os preços do milho não se recuperaram. Parte das áreas menos adequadas à cultura foi destinada a pousio, uma pausa no cultivo comercial, e ao plantio de cobertura, usado para proteger o solo. Em outras áreas, a melhora dos preços da soja tornou seu cultivo mais rentável que o milho, na avaliação da companhia.
A categoria de outras culturas, que inclui cobertura, avançou 8%, para 21.068 hectares. A empresa afirma que manteve a escolha seletiva de culturas e regiões conforme a relação entre risco e retorno. Isso ajuda a explicar por que uma área total semelhante pode resultar em uma combinação diferente de produção.
Produção cai frente ao plano, mas supera a safra anterior
A revisão tem duas bases de comparação. As 439.275 toneladas de grãos e algodão ficam abaixo das 452.946 toneladas inicialmente estimadas para 2026/2027. Ao mesmo tempo, superam as 426.393 toneladas efetivamente produzidas em 2025/2026. Assim, o corte da projeção não significa uma previsão de queda anual.
O milho de primeira safra passou de 85.319 para 73.123 toneladas, redução de 14%, principalmente pela menor área plantada. O milho safrinha caiu de 96.111 para 92.582 toneladas, ajuste de 4%.
Na soja, a expectativa subiu de 259.138 para 261.192 toneladas. Já o algodão manteve as estimativas de 2.368 toneladas na primeira safra e 10.010 toneladas na safrinha. O quadro continua sem previsão de produção de feijão safrinha.
Esse total reúne grãos e algodão. A cana aparece separadamente no documento e não entra nas 439.275 toneladas, assim como a produção da pecuária tem uma medição própria.
Cana tem corte na previsão e colheita postergada
Na cana-de-açúcar, a BrasilAgro reduziu a projeção de 2.176.350 para 2.055.243 toneladas, queda de 6%. O quadro dessa atividade considera o período de 1º de abril a 31 de dezembro da safra 2026, diferente da identificação 2026/2027 usada para grãos e algodão.
Segundo a companhia, a colheita segue afetada pelo clima e pelo ritmo de moagem das usinas, etapa em que a cana é processada. No Maranhão, a moagem mais lenta atrasou a retirada da cana do campo e levou à postergação de aproximadamente 175 mil toneladas para o trimestre seguinte.
Até 30 de setembro de 2026, haviam sido colhidas 1,2 milhão de toneladas, contra 1,6 milhão no mesmo período da safra anterior. Apesar do menor volume acumulado, o TCH, indicador de toneladas colhidas por hectare, estava em 75,86, acima dos 69,46 anteriores.
Para a safra completa, porém, o TCH projetado caiu de 79,51 para 77,05. A área prevista de colheita também diminuiu, de 27.372 para 26.676 hectares. O ajuste combina, portanto, menos área colhida e menor produtividade esperada frente ao plano inicial.
Pecuária mantém área, mas reduz rebanho projetado
A área de pastagem permaneceu em 10.732 hectares. A projeção de quantidade de cabeças, por sua vez, passou de 15.554 para 14.934, redução de 4% em relação à estimativa inicial.
A produção de carne foi ajustada de 2.363.446 para 2.327.312 quilos. Já o ganho de peso por hectare, medida de quanto peso animal a área de pasto gera, recuou de 220 para 217 quilos, queda de 2% na tabela da companhia.
O ganho diário de peso aparece em 0,44 quilo tanto na estimativa inicial quanto na atual, com os valores arredondados apresentados no documento. A BrasilAgro lembra que os primeiros meses de cada safra historicamente registram menor ganho de peso, em razão da distribuição das chuvas e da oferta de pastagens.
Mesmo após a revisão, as projeções de rebanho e produção de carne permanecem acima do realizado em 2025/2026. Naquele ciclo, a empresa registrou 11.470 cabeças e 1.461.708 quilos de carne.
Custo do milho safrinha sobe na revisão
O custo projetado do milho safrinha aumentou 3%, de R$ 4.239 para R$ 4.378 por hectare. Esse ajuste acompanha uma previsão menor de produção da cultura, mas o documento não apresenta uma projeção de margem financeira para essa combinação.
Na soja, o custo passou de R$ 5.157 para R$ 5.152 por hectare. No milho de primeira safra, ficou praticamente estável, de R$ 5.057 para R$ 5.058. Esses valores incluem amortização de abertura de área, isto é, a distribuição desse gasto ao longo do tempo na apuração do custo.
O algodão de primeira safra teve redução de 1%, para R$ 10.618 por hectare. Para cana, a previsão passou de R$ 11.004 para R$ 10.962 por hectare.
Custo por hectare não é custo por tonelada. O primeiro mostra o gasto associado à área cultivada. Para relacioná-lo ao volume produzido, também é necessário considerar a produtividade. Por isso, uma pequena mudança no custo da área não resume, sozinha, o efeito econômico da revisão.
O que muda para o acionista
O fato relevante atualiza as referências operacionais para avaliar a safra: menos milho, mais soja que no plano inicial e redução nas previsões de cana e carne. A comunicação trata de área, produção, produtividade e custos, sem apresentar uma nova estimativa de lucro ou receita.
Para quem tem AGRO3, a distinção central é entre mudança de planejamento e resultado realizado. A própria BrasilAgro ressalta que as estimativas são dados hipotéticos e não constituem promessa de desempenho.
Como em qualquer fato relevante, comunicação usada para informar acontecimentos que podem influenciar decisões dos investidores, o alcance dos números depende do que foi efetivamente informado. Neste caso, a revisão altera o volume esperado e a distribuição das atividades agrícolas; não quantifica quanto essas mudanças poderão acrescentar ou retirar do resultado financeiro.
Perguntas frequentes
A BrasilAgro espera produzir menos que na safra passada?
Não no total de grãos e algodão: a previsão de 439.275 toneladas está 3% acima da safra anterior. O corte de 3% foi feito sobre o planejamento inicial de 2026/2027.
Por que a empresa diminuiu o plantio de milho?
Segundo a BrasilAgro, os preços do milho não se recuperaram, e algumas áreas eram menos adequadas à cultura. Parte foi destinada a pousio ou cobertura, enquanto outras passaram para soja, considerada mais rentável pela companhia nessas áreas.
O que aconteceu com a previsão de cana?
A estimativa caiu 6%, para 2.055.243 toneladas na safra 2026. A companhia citou condições climáticas e o ritmo de moagem das usinas, com postergação de aproximadamente 175 mil toneladas no Maranhão para o trimestre seguinte.
Esses números já são o resultado da safra?
Não, os valores projetados são estimativas operacionais, e não a produção final realizada. A BrasilAgro afirma que eles são hipotéticos e não representam promessa de desempenho.
Ativos citados nesta matéria
Cotações ao vivo, com atraso. Clique para ver a ficha completa. Não é recomendação de investimento.



