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C&A tem lucro de R$ 170,3 milhões no 3T26, mas resultado ajustado cai 23,3%

Créditos fiscais impulsionam o lucro da C&A no 3T26. Entenda a queda do resultado ajustado, o avanço das vendas e os investimentos.

C&A tem lucro de R$ 170,3 milhões no 3T26, mas resultado ajustado cai 23,3%

A C&A Modas registrou lucro líquido de R$ 170,3 milhões no terceiro trimestre de 2026, alta de 145,1% sobre o mesmo período de 2025, com ajuda do reconhecimento de créditos tributários. Sem esse e outros efeitos não recorrentes, o lucro líquido ajustado ficou em R$ 56,5 milhões, queda de 23,3%. A receita líquida consolidada avançou 2,3%, para R$ 1,883 bilhão.

Resumo rápido

O resultado da C&A reúne duas direções: o lucro contábil cresceu com créditos fiscais, enquanto o lucro ajustado recuou. A companhia vendeu mais roupas e ampliou a margem bruta dessa categoria, mas as despesas cresceram mais que a receita. Ao mesmo tempo, aumentou os investimentos em lojas, logística e tecnologia e encerrou o trimestre com dívida líquida de R$ 200,5 milhões.

Principais pontos

  • O lucro líquido reportado chegou a R$ 170,3 milhões; o ajustado somou R$ 56,5 milhões.
  • A receita líquida de vestuário aumentou 2,6%, para R$ 1.690,9 milhões.
  • As vendas do site e do aplicativo cresceram 27,6%, alcançando R$ 143,2 milhões.
  • A margem bruta de vestuário atingiu 56,0%, com avanço de 0,6 ponto percentual.
  • Os investimentos totalizaram R$ 183,9 milhões, alta de 26,2% na comparação anual.
  • A geração de caixa operacional foi de R$ 349,0 milhões, recuo de 7,5%.

Créditos fiscais explicam a distância entre os lucros

O principal impulso ao lucro contábil veio de créditos de PIS e Cofins, tributos para os quais a companhia reconheceu valores recuperáveis. Segundo o documento, esse reconhecimento decorreu da avaliação de especialistas jurídicos internos e externos sobre despesas consideradas essenciais ou relevantes para a atividade da empresa.

Na conciliação do EBITDA, indicador de resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização, a recuperação de créditos fiscais aparece com R$ 198,5 milhões. Esse valor não deve ser confundido com o efeito líquido sobre o lucro: a apuração final também passa por impostos e outros ajustes.

O lucro ajustado retira os efeitos listados pela companhia, incluindo recuperação de créditos fiscais, outras receitas e despesas operacionais e incentivo de longo prazo, líquidos de impostos. É uma medida complementar, não uma substituição do resultado contábil. Neste caso, ela ajuda a separar o desempenho do período dos eventos que a empresa trata como não recorrentes.

A margem líquida ajustada, parcela da receita que restou como lucro após esses ajustes, caiu de 4,0% para 3,0%. Nos nove primeiros meses de 2026, o lucro reportado somou R$ 349,8 milhões, alta de 27,7%, enquanto o ajustado recuou 3,1%, para R$ 194,7 milhões.

Vestuário cresce pouco e canal digital ganha espaço

As vendas em mesmas lojas de vestuário avançaram 1,0%. Essa comparação considera unidades abertas há mais de 13 meses e inclui o comércio eletrônico, reduzindo a influência das inaugurações na leitura do crescimento. No terceiro trimestre de 2025, o avanço havia sido de 8,1%.

Segundo a C&A, as obras em lojas retiraram aproximadamente um ponto percentual desse indicador. Sem esse efeito, a empresa calcula que o crescimento seria de 2,0%. A administração também relatou melhora gradual do fluxo de clientes, com mudança de trajetória em meados de setembro e chegada da coleção de verão.

O site e o aplicativo tiveram ritmo diferente: a receita líquida de mercadorias cresceu 27,6%, para R$ 143,2 milhões, e passou a representar 8,0% das vendas de mercadorias. A companhia atribui parte da evolução a funcionalidades que simplificaram a compra e à integração entre canais físicos e digitais.

Já a receita de Eletrônicos e Beleza caiu 15,3%, para R$ 101,9 milhões. O documento relaciona a redução à comparação com um período que ainda incluía a operação de telefonia e, em beleza, a mudanças tributárias em São Paulo e à menor intensidade de lançamentos de maquiagem.

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Margem das roupas sobe, mas despesas pesam no resultado

A margem bruta de vestuário chegou a 56,0%, na 21ª expansão trimestral consecutiva em comparações anuais. Essa margem mostra quanto da receita sobra depois do custo das mercadorias, antes das demais despesas. A C&A atribui o avanço à precificação, às coleções, à gestão de abastecimento, à logística e ao efeito positivo do câmbio.

Esse ganho não bastou para compensar o aumento das despesas. Os gastos com vendas, gerais e administrativos somaram R$ 700,5 milhões, alta de 6,4%, na visão pós-IFRS 16, norma contábil que altera o tratamento dos aluguéis. Eles consumiram 37,2% da receita, ante 35,8% um ano antes.

Segundo a companhia, pesaram as ações de marketing dos 50 anos da marca e do Rock in Rio, classificadas por ela como não recorrentes, além do custo de ocupação de uma rede maior. O EBITDA ajustado nessa mesma base caiu 4,7%, para R$ 317,6 milhões. Sua margem recuou de 18,1% para 16,9%.

C&A Pay aumenta resultado e testa empréstimo pessoal

O C&A Pay, operação de serviços financeiros da varejista, apresentou resultado de R$ 20,2 milhões, ante R$ 7,9 milhões no terceiro trimestre de 2025. Sua receita líquida de impostos cresceu 26,7%, para R$ 100,8 milhões, com maior contribuição do parcelamento com juros e dos testes de empréstimo pessoal.

O empréstimo segue restrito a clientes da base com bom histórico de pagamento e é oferecido gradualmente pelo aplicativo. A companhia informou que os testes exigem provisões iniciais mais conservadoras, isto é, reservas contábeis para possíveis perdas com crédito.

As perdas de crédito líquidas de recuperações chegaram a R$ 40,9 milhões, alta de 46,9%. Ao mesmo tempo, o indicador de atrasos superiores a 90 dias na carteira de até 360 dias caiu de 16,4% para 13,9%. São medidas distintas: uma registra perdas no período; a outra mostra a proporção de saldos em atraso na carteira.

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Investimentos crescem enquanto o caixa operacional recua

O Capex, investimento em ativos como lojas, equipamentos e sistemas, somou R$ 183,9 milhões. A C&A concluiu oito reformas no modelo Energia e inaugurou cinco unidades: três da C&A e duas da Ace, formato voltado à moda esportiva. A rede terminou o trimestre com 346 lojas, incluindo as duas marcas.

Os gastos também contemplaram logística e caixas de autoatendimento, que chegaram a 171 lojas. Essas iniciativas integram a preparação para o Full Power, ciclo estratégico de 2027 a 2030, que prevê continuidade das aberturas e reformas, além de tecnologia e novos negócios.

A geração operacional de caixa caiu 7,5%, para R$ 349,0 milhões. Os dias de estoque ficaram 16 dias acima do terceiro trimestre de 2025. Isso significa que as mercadorias permaneceram por mais tempo em estoque, mantendo recursos aplicados no negócio até a venda.

A dívida bruta recuou 27,1%, para R$ 927,5 milhões, mas o caixa também diminuiu, encerrando o período em R$ 727,0 milhões. A alavancagem, relação entre dívida líquida e EBITDA ajustado pré-IFRS 16 dos últimos doze meses, ficou em 0,2 vez.

O que muda para o acionista

O trimestre mostra por que o crescimento do lucro contábil não conta sozinho toda a história. Houve benefício tributário, melhora na margem das roupas e expansão digital, mas também maior peso das despesas e queda no resultado ajustado.

Na destinação de recursos, a C&A informou pagamento de R$ 139,8 milhões em juros sobre capital próprio, uma forma de remuneração ao acionista que a empresa pode deduzir do imposto, e aproximadamente R$ 110 milhões em recompras no ano. O conselho também aprovou o cancelamento de 6,3 milhões de ações em tesouraria, papéis mantidos pela própria companhia.

Para o quarto trimestre, estão previstas mais dez reformas no modelo Energia. A apresentação dos resultados está marcada para 5 de novembro de 2026, às 11h de Brasília, em português e inglês.

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Perguntas frequentes

Afinal, o lucro da C&A subiu ou caiu?

O lucro contábil subiu 145,1%, para R$ 170,3 milhões no terceiro trimestre de 2026. Já o lucro ajustado, que exclui os efeitos especificados pela companhia, caiu 23,3%, para R$ 56,5 milhões.

Por que os créditos fiscais aumentaram o lucro?

O reconhecimento de créditos de PIS e Cofins teve efeito positivo no resultado contábil. Segundo a C&A, a avaliação jurídica considerou despesas essenciais ou relevantes para sua atividade.

As vendas de roupas cresceram?

Sim, a receita líquida de vestuário aumentou 2,6%, alcançando R$ 1.690,9 milhões. Nas lojas comparáveis, incluindo o comércio eletrônico conforme o critério da companhia, o crescimento foi de 1,0%.

O C&A Pay já oferece empréstimo pessoal para todo mundo?

Não, o produto continua em testes e é oferecido gradualmente apenas a clientes da base com bom histórico de pagamento. A contratação ocorre pelo aplicativo.

Quando será a apresentação dos resultados?

A videoconferência está marcada para 5 de novembro de 2026, às 11h de Brasília. O evento terá apresentação em português e inglês.

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RD

Redação Arena do Dinheiro

A Redação da Arena do Dinheiro reúne jornalistas e especialistas em finanças, investimentos e economia, responsáveis pela produção e revisão do conteúdo do portal.

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