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Economia

Copom corta a Selic para 14% ao ano em decisão unânime

O Comitê de Política Monetária reduziu os juros básicos em 0,25 ponto, de 14,25% para 14,00% ao ano, em decisão unânime. A nova taxa vale de 6 de agosto até a reunião de 16 de setembro.

Copom corta a Selic para 14% ao ano em decisão unânime
Foto: Nataliya Vaitkevich / Pexels

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual na noite desta quarta-feira (5), levando os juros básicos de 14,25% para 14,00% ao ano. A decisão foi unânime e a nova taxa passa a valer a partir desta quinta-feira (6), permanecendo em vigor até a próxima reunião, marcada para 15 e 16 de setembro.

Resumo rápido

O Copom cortou a Selic de 14,25% para 14,00% ao ano em 5 de agosto de 2026, em decisão unânime e de 0,25 ponto percentual, na quinta reunião do ano. A nova taxa vale a partir de 6 de agosto e vigora até a decisão de 16 de setembro. No comunicado, o Banco Central citou o IPCA-15 em 4,52% em 12 meses e disse que a magnitude total do ciclo será definida à luz de novos dados.

Principais pontos
  • Selic passou de 14,25% para 14,00% ao ano, corte de 0,25 ponto percentual.
  • Decisão unânime do colegiado presidido por Gabriel Galípolo, na quinta reunião de 2026.
  • Nova taxa vigora de 6 de agosto até a decisão de 16 de setembro.
  • Comunicado cita IPCA-15 acumulado em 4,52% em 12 meses até julho, ainda acima do teto da meta.
  • Expectativas de inflação no Focus estão em 5,0% para 2026 e 4,2% para 2027.

O que o Copom decidiu

O corte de 0,25 ponto levou a taxa básica a 14,00% ao ano, patamar que o mercado já precificava como cenário principal. A Selic estava em 14,25% desde a reunião de junho, e o movimento foi aprovado sem votos divergentes: assinaram a decisão o presidente Gabriel Galípolo e os diretores Ailton de Aquino Santos, Gilneu Vivan, Izabela Correa, Nilton David, Paulo Picchetti e Rodrigo Alves Teixeira.

Foi o quarto corte consecutivo de 0,25 ponto. A Selic chegou a 15% ao ano entre novembro de 2025 e janeiro de 2026 e desde então recuou em março, abril, junho e agora agosto — não houve reunião em julho. Na prática, a nova taxa já vale para as operações desta quinta-feira (6) e permanece de pé até a decisão seguinte, em 15 e 16 de setembro; o calendário do Copom em 2026 prevê oito encontros, com anúncio sempre na quarta-feira, após o fechamento dos mercados.

O que o comunicado diz sobre a inflação

O texto divulgado com a decisão registra que a inflação cheia desacelerou, mas segue acima do limite superior da meta. O Banco Central citou o IPCA-15 acumulado em 4,52% em 12 meses até julho como parte do quadro que autorizou mais um corte, ainda que cauteloso.

As expectativas coletadas pelo Focus aparecem no comunicado em 5,0% para 2026 e 4,2% para 2027 — as duas acima do centro da meta. Já a projeção do próprio Banco Central no cenário de referência é de 3,2% para o primeiro trimestre de 2028, horizonte que o Comitê considera relevante para as decisões de hoje. É essa defasagem que explica por que o Banco Central decide olhando para 2028, e não para a inflação do mês.

Por que o corte não foi maior

O Copom foi explícito sobre o que segura a mão do Banco Central. Segundo o comunicado, “o ambiente externo permanece incerto em função da indefinição acerca dos conflitos armados no Oriente Médio e da incerteza sobre a política monetária em algumas economias avançadas”. Conflito no Oriente Médio significa risco de petróleo mais caro, que reaparece na inflação brasileira via combustíveis.

O segundo freio é interno: com expectativas de inflação rodando acima da meta para 2026 e 2027, cortes agressivos correriam o risco de desancorar ainda mais essas projeções. Por isso o Comitê manteve a fórmula de sempre — a magnitude total do ciclo de calibração “será estabelecida à luz de novas informações” —, sem prometer o próximo passo.

O que muda na renda fixa

Quase toda a renda fixa brasileira é indexada ao CDI, que acompanha a Selic com uma diferença pequena e estável. Com a taxa básica a 14,00%, o CDI tende a rodar perto de 13,90% ao ano — ele estava em 14,15% até 5 de agosto, com a Selic anterior. Quem tem CDB, LCI, LCA, fundo DI ou Tesouro Selic vê o rendimento diário cair na mesma proporção, sem precisar fazer nada.

A poupança é o caso à parte: com a Selic acima de 8,5% ao ano, a regra fixa o rendimento em 0,5% ao mês mais TR, ou cerca de 6,17% ao ano. Ou seja, o corte não muda a poupança — e a distância em relação ao CDI segue enorme. Veja a comparação com uma aplicação de R$ 10.000 por 12 meses:

Aplicação (R$ 10.000, 12 meses) Taxa estimada Retorno estimado
100% do CDI (bruto) 13,90% a.a. R$ 1.390
100% do CDI (após 20% de IR) 11,12% a.a. R$ 1.112
Poupança (isenta de IR) 6,17% a.a. + TR R$ 617 + TR

Os valores são simulações com o CDI estimado após a decisão e alíquota de 20% de imposto de renda para aplicações resgatadas entre 181 e 360 dias. O rendimento real depende do produto, do prazo e da taxa contratada.

O que muda no crédito e nas dívidas

Aqui a transmissão é mais lenta e mais desigual. Bancos revisam suas tabelas ao longo de semanas, e o efeito de 0,25 ponto na Selic é pequeno diante dos spreads praticados: cartão de crédito rotativo e cheque especial continuam nas casas de três dígitos ao ano, longe de qualquer alívio perceptível.

Onde o corte tende a aparecer primeiro é no crédito com garantia e prazo longo — financiamento imobiliário, consignado, crédito com garantia de imóvel —, cujas taxas são mais sensíveis à curva de juros. Ainda assim, quem tem contrato antigo com taxa prefixada não muda nada: o corte só afeta contratações novas.

O que esperar das próximas reuniões

O mercado não trata esta decisão como o fim do ciclo. A coleta mais recente do Boletim Focus, de 31 de julho, aponta a Selic em 13,75% no fim de 2026 e em 12,00% no fim de 2027 — ou seja, os analistas ainda embutem mais um corte de 0,25 ponto nas três reuniões que restam, em setembro, novembro e dezembro. Essa projeção mudou em julho: até o fim do mês a mediana estava em 14,00%, como mostramos em Focus vê Selic a 13,75% e passa a embutir dois cortes.

Para quem investe, essa é a pergunta que vale dinheiro. Se o Banco Central confirmar mais um ajuste, a janela para travar taxa em prefixados e em Tesouro IPCA+ se fecha mais rápido, porque os juros futuros se movem antes do Copom — a lógica está em quando travar um prefixado antes do fim do ciclo. E vale medir o ganho pelo juro real, não pela taxa nominal: com IPCA de 4,64% em 12 meses, a conta muda bastante, como detalhamos em quanto você ganha de verdade com a Selic a 14%.

O que observar nos próximos dias

A ata da reunião, divulgada às 8h da terça-feira seguinte à decisão, é o documento que realmente move a curva de juros: é nela que o Comitê detalha o balanço de riscos e dá pistas sobre o próximo passo. Vale ler com atenção o trecho sobre expectativas de inflação e sobre o cenário externo, os dois pontos citados no comunicado.

Depois disso, o roteiro é o de sempre: IPCA cheio de julho, Focus semanal e o comportamento do dólar e do petróleo, que entram na conta da inflação de combustíveis. Quem tem financiamento em andamento não deve esperar mudança na parcela — o motivo está em por que a Selic cai e a prestação não muda. Acompanhe os valores atualizados em Selic hoje e em CDI hoje, e veja quanto rende cada faixa em quanto rende R$ 1.000 com a Selic a 14%.

Conteúdo informativo, sem recomendação de investimento. Decisão do Copom anunciada em 5 de agosto de 2026; simulações de rendimento são estimativas e variam conforme produto, prazo e tributação.

Perguntas frequentes


Qual é a taxa Selic hoje?

A Selic está em 14,00% ao ano desde 6 de agosto de 2026, após o corte de 0,25 ponto percentual decidido pelo Copom em 5 de agosto. A taxa permanece nesse patamar até a próxima decisão do Comitê, em 16 de setembro de 2026.


Quanto o Copom cortou a Selic em agosto de 2026?

O corte foi de 0,25 ponto percentual, de 14,25% para 14,00% ao ano, em decisão unânime dos membros do Comitê. Foi a quinta reunião do Copom em 2026.


Quando é a próxima reunião do Copom?

A próxima reunião está marcada para 15 e 16 de setembro de 2026, com o anúncio da decisão na quarta-feira (16), após o fechamento dos mercados. O Copom se reúne oito vezes por ano.


A poupança rende mais com a Selic a 14%?

Não muda nada. Com a Selic acima de 8,5% ao ano, a poupança rende 0,5% ao mês mais TR, o equivalente a cerca de 6,17% ao ano, independentemente de a taxa básica estar em 14,25% ou 14,00%. A diferença em relação a aplicações que seguem o CDI continua grande.


O corte da Selic reduz a parcela do meu financiamento?

Se o contrato foi assinado com taxa prefixada, não: a parcela segue a taxa acordada até o fim. O corte tende a aparecer nas taxas de contratações novas, principalmente em crédito com garantia e prazo longo, e leva algumas semanas para os bancos repassarem.


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RD

Redação Arena do Dinheiro

A Redação da Arena do Dinheiro reúne jornalistas e especialistas em finanças, investimentos e economia, responsáveis pela produção e revisão do conteúdo do portal.

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As informações desta matéria têm caráter informativo e educacional e não constituem recomendação ou oferta de investimento. Rentabilidade passada não é garantia de resultados futuros. Investimentos envolvem riscos.


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