O Boletim Focus desta segunda-feira, 21 de setembro de 2026, cortou a projeção de Selic para o fim do ano de 13,75% para 13,50%. Como a taxa já está em 13,75% e restam apenas duas reuniões do Copom em 2026, a mudança tem um significado direto: o mercado voltou a embutir mais um corte de 0,25 ponto antes do réveillon.
O Boletim Focus de 21 de setembro de 2026 reduziu a projeção da Selic para o fim do ano de 13,75% para 13,50% ao ano. Como a taxa básica já está em 13,75% desde a reunião de 16 de setembro e restam apenas duas reuniões do Copom em 2026 — em 3 e 4 de novembro e em 8 e 9 de dezembro —, a projeção equivale a prever mais um corte de 0,25 ponto percentual até dezembro. O mesmo boletim elevou o IPCA de 2026 de 4,90% para 4,92% e reduziu o PIB de 1,89% para 1,88%.
Principais pontos
- A projeção de Selic para o fim de 2026 caiu de 13,75% para 13,50% ao ano.
- Restam duas reuniões do Copom neste ano: 3 e 4 de novembro e 8 e 9 de dezembro.
- A projeção do IPCA de 2026 subiu de 4,90% para 4,92%, acima do teto da meta de 4,5%.
- A estimativa de crescimento do PIB recuou de 1,89% para 1,88%.
- A previsão para o dólar no fim de 2026 seguiu em R$ 5,20.
O que mudou de uma semana para a outra
O Focus é uma pesquisa semanal do Banco Central com mais de cem instituições financeiras. Ele não decide nada — mas é a fotografia mais frequente do que o mercado espera, e o próprio Copom cita os números dele nos comunicados.
Na edição anterior, a mediana das projeções apontava Selic em 13,75% no fim de 2026, exatamente onde a taxa está hoje. Isso equivalia a dizer “acabou o ciclo”. A leitura desta segunda-feira desfez essa aposta: ao marcar 13,50%, os economistas voltaram a colocar um corte adicional na conta.
Por que 0,25 ponto muda a leitura inteira
A diferença entre 13,75% e 13,50% parece pequena, e em dinheiro ela é mesmo modesta no curto prazo. O que muda é o sinal sobre a direção.
Uma projeção igual à taxa vigente significa que o mercado acha que o Banco Central parou. Uma projeção 0,25 ponto abaixo significa que o mercado acha que o Banco Central ainda tem trabalho pela frente. Para quem compra título prefixado, essa distinção vale mais que o rendimento de um mês — porque é ela que define se a curva de juros continua cedendo ou trava aqui.
A aritmética das duas reuniões que restam
O calendário de 2026 tem oito reuniões do Copom. Seis já aconteceram. As duas últimas estão marcadas para 3 e 4 de novembro e para 8 e 9 de dezembro.
Projetar 13,50% para 31 de dezembro significa, na prática, prever um único corte de 0,25 ponto distribuído entre essas duas datas — sem dizer em qual delas. A pesquisa não pergunta a reunião, só o nível final do ano, e por isso o número não resolve a dúvida de calendário. Resolve apenas a dúvida de direção.
| Indicador (2026) | Focus anterior | Focus de 21/09 |
|---|---|---|
| Selic no fim do ano | 13,75% | 13,50% |
| IPCA | 4,90% | 4,92% |
| PIB | 1,89% | 1,88% |
| Dólar no fim do ano | R$ 5,20 | R$ 5,20 |
A contradição aparente entre juros e inflação
Há algo estranho na mesma planilha: o mercado passou a esperar juros menores e inflação maior para o mesmo ano. Em geral, quando a inflação projetada sobe, a expectativa de juros sobe junto.
A explicação está no prazo. A alta de 4,90% para 4,92% no IPCA de 2026 é marginal e diz respeito a preços que já foram formados ou já estão em andamento nestes três meses e meio que faltam — o Copom não consegue mais influenciá-los. A decisão de juros de novembro e dezembro só afeta a inflação de 2027 e 2028. É esse descolamento de horizonte que permite as duas revisões andarem em direções opostas sem incoerência, como explicamos em por que o Copom mira a inflação de 2028.
O que o próprio Copom disse — e o que não disse
No comunicado de 16 de setembro, quando cortou a Selic de 14% para 13,75% por unanimidade, o comitê descreveu os riscos como “mais elevados que o usual” e com assimetria altista — ou seja, com mais chance de a inflação surpreender para cima do que para baixo.
E, principalmente, não sinalizou os próximos passos. É exatamente por isso que o Focus ganha peso agora: na ausência de orientação do Banco Central, a mediana do mercado vira o melhor termômetro disponível. A ata que sai nesta terça-feira é a próxima chance de o comitê dar pistas.
O que isso muda no seu dinheiro
Para quem tem reserva em pós-fixado — Tesouro Selic, CDB atrelado ao CDI, fundo DI —, mais um corte significa render um pouco menos. Sobre R$ 10 mil em doze meses, 0,25 ponto a menos equivale a cerca de R$ 25 brutos.
Para quem pensa em travar taxa em prefixado ou em título indexado à inflação, o raciocínio é o oposto: se o mercado está certo e a Selic cai de novo, as taxas oferecidas hoje tendem a ser melhores que as de dezembro. Mas “se o mercado está certo” é uma condicional grande — o Focus erra com frequência, e a própria série deste ano mostra revisões em ambas as direções. Compare cenários nas calculadoras antes de decidir.
O que observar nas próximas semanas
Três datas concentram a informação nova. A ata do Copom, nesta terça-feira, detalha o debate interno. O Relatório de Política Monetária, na quinta, traz as projeções próprias do Banco Central. E o IPCA-15 de setembro, na sexta, mede a inflação corrente.
Se os três apontarem na mesma direção, o Focus da semana que vem deve reforçar a aposta em 13,50%. Se divergirem, a projeção volta a oscilar — como já oscilou várias vezes ao longo de 2026. Acompanhe os números atualizados em Selic hoje e em indicadores.
Conteúdo informativo, sem recomendação de investimento. Projeções de mercado não são garantia de resultado e mudam semanalmente.
Perguntas frequentes
O que é o Boletim Focus?
É uma pesquisa semanal do Banco Central com economistas de instituições financeiras sobre inflação, PIB, câmbio e Selic. Sai toda segunda-feira e mostra a mediana das projeções — não é previsão oficial do Banco Central.
Quanto o Focus projeta para a Selic no fim de 2026?
A edição de 21 de setembro de 2026 projeta 13,50% ao ano, contra 13,75% na semana anterior. Como a taxa já está em 13,75%, isso equivale a prever mais um corte de 0,25 ponto.
Quando são as próximas reuniões do Copom?
Restam duas em 2026: nos dias 3 e 4 de novembro e nos dias 8 e 9 de dezembro. O comitê se reúne oito vezes por ano, sempre em terças e quartas-feiras.
Por que a projeção de inflação subiu e a de juros caiu?
Porque elas tratam de períodos diferentes. O IPCA de 2026 já está praticamente formado e não pode mais ser influenciado pelo Copom, enquanto as decisões de novembro e dezembro afetam a inflação de 2027 e 2028.
Quanto muda no rendimento se a Selic cair mais 0,25 ponto?
Sobre R$ 10 mil aplicados por doze meses em um título que acompanha a taxa, a diferença é de aproximadamente R$ 25 brutos, antes do Imposto de Renda.



