Ao vivo
IBOV186.753▲ +0,82%S&P 5007.765▲ +1,49%PETR448,01▼ −1,01%VALE372,55▼ −1,12%DÓLAR5,11▼ −0,89%EURO5,86▼ −0,85%BTC444.641▲ +7,16%CDI13,65%a.a.IPCA4,22%12m
Empresas

Itaú aluga as duas torres da Eztec por R$ 1,17 bilhão

Um prédio vazio é custo; com inquilino e contrato de dez anos, vira fluxo de caixa previsível — e isso muda o valor do ativo.

Itaú aluga as duas torres da Eztec por R$ 1,17 bilhão
Foto: Artem Zhukov / Pexels

O Itaú Unibanco fechou a maior locação de escritórios já registrada no Brasil: alugou integralmente o Esther Towers, da Eztec, na região da Chucri Zaidan, em São Paulo. São 91,4 mil m² de área locável, contrato inicial de 10 anos e receita estimada de R$ 1,17 bilhão na primeira década.

Resumo rápido

A Eztec informou em 18 de setembro de 2026 a assinatura de contrato com o Itaú Unibanco para locação integral do empreendimento Esther Towers, em São Paulo. São aproximadamente 91,4 mil metros quadrados de área locável nas duas torres, com prazo inicial de 10 anos, renovação possível por mais cinco e receita estimada em R$ 1,17 bilhão na primeira década, com reajuste anual pelo IPCA. A operação envolve cerca de 10 mil postos de trabalho e é descrita como a maior locação de escritórios do mercado brasileiro.

Principais pontos
  • A locação cobre as duas torres do Esther Towers, com cerca de 91,4 mil m² de área locável.
  • O contrato tem prazo inicial de 10 anos, com renovação possível por mais cinco.
  • A receita estimada é de R$ 1,17 bilhão na primeira década, aos valores atuais.
  • Os aluguéis são reajustados anualmente pelo IPCA.
  • A operação envolve aproximadamente 10 mil postos de trabalho do banco.

O que foi assinado

A Eztec e sua controlada de renda, a EZ Inc, comunicaram ao mercado na sexta-feira, 18 de setembro, contrato de locação com o Itaú Unibanco cobrindo a totalidade do Esther Towers — as duas torres do complexo, na região da Chucri Zaidan, zona sul de São Paulo.

A intermediação foi feita pelas consultorias CBRE e Binswanger Brasil. Segundo a incorporadora, a operação deve gerar receita de locação de aproximadamente R$ 1,17 bilhão ao longo dos dez primeiros anos, considerando valores atuais. O prazo inicial é de dez anos, com possibilidade de renovação por mais cinco.

Por que um contrato de aluguel vira fato relevante

Porque muda a natureza do ativo. Um prédio de escritórios vazio é um custo: paga condomínio, IPTU, manutenção e não gera nada. O mesmo prédio com inquilino de primeira linha e contrato longo vira um fluxo de caixa previsível — e fluxo previsível se transforma em valor de mercado.

Na prática, a Eztec troca um estoque imobilizado por uma renda contratada de uma década. Para uma incorporadora que historicamente ganha dinheiro vendendo unidades, ter um braço de renda com locatário do porte do Itaú muda a composição do resultado: menos dependência do ciclo de vendas, mais receita recorrente.

Item Dado
Área locável cerca de 91,4 mil m²
Prazo inicial 10 anos
Renovação prevista mais 5 anos
Receita estimada em 10 anos R$ 1,17 bilhão
Receita média implícita por ano cerca de R$ 117 milhões
Índice de reajuste IPCA, anual

O detalhe que quase ninguém lê: o índice de reajuste

O contrato é corrigido anualmente pelo IPCA, e não pelo IGP-M, o índice historicamente usado em locação comercial no Brasil.

A diferença não é acadêmica. O IGP-M tem forte peso de preços no atacado e de câmbio, o que o torna muito mais volátil: já acumulou dois dígitos em anos de dólar disparando e já ficou negativo em outros. O IPCA mede preço ao consumidor e é bem mais estável. Para o locatário, indexar ao IPCA reduz o risco de um salto de custo; para o locador, reduz o potencial de ganho em anos de atacado aquecido. A comparação entre os dois está em reajuste por IPCA ou IGP-M.

Por que o Itaú aluga em vez de comprar

Banco não gosta de capital parado em imóvel. Comprar 91 mil m² de laje corporativa em São Paulo consumiria alguns bilhões de reais de capital que, num banco, rende mais aplicado em operação de crédito.

Alugar transforma o que seria um ativo imobilizado em despesa operacional diluída no tempo, preservando capital para o negócio-fim. É a mesma lógica pela qual grandes instituições financeiras raramente são donas dos prédios que ocupam. O banco descreveu a iniciativa como parte de um plano de investimento em infraestrutura ligado à evolução gradual do modelo de trabalho híbrido, envolvendo cerca de 10 mil postos de trabalho.

O que isso diz sobre o mercado de escritórios

Um contrato desse porte é um dado sobre o setor, não só sobre duas empresas. A maior locação de escritórios já registrada no país sendo fechada agora sugere que a vacância em imóveis de alto padrão em São Paulo está sendo absorvida — pelo menos no segmento premium.

Isso interessa a quem investe em fundos imobiliários de lajes corporativas, um segmento que sofreu com vacância elevada nos anos de trabalho remoto. Uma locação âncora dessa escala tende a firmar preço de referência na região e a ajudar na negociação dos contratos vizinhos. Os indicadores que importam nessa análise estão em como analisar um FII.

O que observar como investidor

Três pontos. O primeiro: R$ 1,17 bilhão em dez anos equivale a cerca de R$ 117 milhões por ano em média — número relevante, mas que precisa ser comparado à receita total da Eztec para dimensionar o impacto, e que só entra no resultado conforme as áreas forem ocupadas.

O segundo: receita contratada não é lucro. Há custos de entrega, carência e eventuais adaptações. O terceiro: contrato longo com inquilino de baixo risco de crédito é exatamente o tipo de ativo que atrai comprador — e não seria surpreendente ver o empreendimento sendo estruturado para um fundo imobiliário no futuro. Isso é possibilidade, não anúncio: nada nesse sentido foi comunicado. As cotações estão em ações.

Conteúdo informativo, sem recomendação de investimento. Valores de receita são estimativas da própria companhia, a valores atuais, sujeitas a reajuste e a condições contratuais.

Perguntas frequentes


Quanto vale o contrato entre Itaú e Eztec?

A receita de locação estimada é de aproximadamente R$ 1,17 bilhão nos dez primeiros anos, considerando valores atuais, com reajuste anual pelo IPCA.


Qual o tamanho do Esther Towers?

Cerca de 91,4 mil metros quadrados de área locável, distribuídos em duas torres na região da Chucri Zaidan, na zona sul de São Paulo. A locação cobre a totalidade do empreendimento.


Por que o contrato é reajustado pelo IPCA e não pelo IGP-M?

O IPCA mede preços ao consumidor e é bem menos volátil que o IGP-M, que tem forte peso de atacado e câmbio. Indexar ao IPCA reduz o risco de saltos de custo para o locatário e de perdas em anos de índice negativo para o locador.


Por que um banco aluga em vez de comprar o prédio?

Porque capital imobilizado em imóvel rende menos do que aplicado na atividade-fim. Alugar preserva capital e transforma o gasto em despesa operacional diluída ao longo do contrato.


Esse contrato afeta fundos imobiliários?

Indiretamente. Uma locação âncora desse porte ajuda a firmar preços de referência em imóveis de alto padrão na região e sinaliza absorção de vacância no segmento corporativo premium de São Paulo.


Qual a sua visão sobre esta notícia?

Mudou de ideia? Toque em outra opção para trocar a sua reação.

RD

Redação Arena do Dinheiro

A Redação da Arena do Dinheiro reúne jornalistas e especialistas em finanças, investimentos e economia, responsáveis pela produção e revisão do conteúdo do portal.

Ver todos os artigos →

As informações desta matéria têm caráter informativo e educacional e não constituem recomendação ou oferta de investimento. Rentabilidade passada não é garantia de resultados futuros. Investimentos envolvem riscos.


Newsletter Arena Cadastre-se e receba as notícias e análises da Arena no seu e-mail. Assinar grátis Comunidade Debata esta e outras notícias com investidores na nossa comunidade no Reddit. Participar Instagram · @arenadinheiro Gráficos, resumos do mercado e dicas rápidas todos os dias no seu feed. Seguir
Canal no WhatsApp