A prévia veio quase zerada: o IPCA-15 de julho subiu apenas 0,06%, contra projeção de 0,22%. Agora o mercado espera o índice fechado, que sai na primeira quinzena de agosto e será a última leitura de inflação antes de a Selic ser decidida. Veja o que os dados já conhecidos indicam e por que o número pode não repetir a prévia.
O IPCA-15 de julho subiu 0,06%, com a inflação em 12 meses desacelerando para 4,52%. O índice fechado, divulgado na primeira quinzena de agosto, tende a confirmar a desaceleração, mas pode divergir porque a coleta cobre período diferente. Energia elétrica subiu 3,03% na prévia, enquanto alimentos caíram 0,66%.
Principais pontos
- IPCA-15 de julho: alta de 0,06%, contra 0,41% em junho.
- Em 12 meses, a prévia desacelerou de 4,80% para 4,52%.
- Energia elétrica residencial subiu 3,03% e foi a maior pressão.
- Alimentação e bebidas caiu 0,66%, maior contribuição negativa.
- O índice fechado pode divergir porque o período de coleta é diferente.
O que a prévia já mostrou
O IPCA-15 de julho foi uma das surpresas positivas do ano: alta de apenas 0,06%, contra 0,41% em junho e projeção de mercado de 0,22%. Menos de um terço do esperado.
Em 12 meses, a prévia desacelerou de 4,80% para 4,52%, aproximando-se do teto do intervalo de tolerância da meta. No acumulado de 2026, o índice soma 3,51%.
Por que a prévia e o fechado divergem
A diferença é metodológica e vale entender. O IPCA-15 coleta preços do dia 16 do mês anterior ao dia 15 do mês de referência. O IPCA fechado usa o mês-calendário completo, do dia 1º ao dia 30 ou 31.
Ou seja, há sobreposição parcial, mas cada índice captura dias diferentes. Movimentos concentrados na segunda metade do mês — reajuste de combustíveis, mudança de bandeira tarifária, virada de safra — aparecem no fechado e não na prévia.
Historicamente os dois ficam próximos, e a prévia é bom indicador de direção. Mas tratar um como cópia do outro é erro comum.
O que pode empurrar o índice para cima
Dois fatores merecem atenção. O primeiro é energia elétrica, que subiu 3,03% na prévia e foi a maior pressão individual, puxando o grupo Habitação para alta de 0,97%. Se a pressão tarifária persistiu na segunda metade do mês, o fechado pode vir acima da prévia.
O segundo é combustíveis. A escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã levou o Brent a superar US$ 100 durante julho. O repasse à bomba não é imediato, mas se ocorreu no fim do mês, entra no índice fechado.
O que pode segurar o índice
Também há forças na direção oposta. Alimentação e bebidas caiu 0,66% na prévia, com impacto de -0,15 ponto percentual — a maior contribuição negativa. Se a queda dos alimentos se manteve, ela continua compensando.
E há o câmbio. O dólar caiu a R$ 5,061 no fim do mês, menor nível em quase dois meses. Real mais forte contém preços de importados, insumos e, indiretamente, combustíveis — funcionando como amortecedor justamente contra o risco do petróleo.
Por que esse número importa tanto agora
Por causa do calendário. O Comitê de Política Monetária se reúne em 4 e 5 de agosto, e cerca de 80% do mercado aposta em corte da Selic para 14,00%. Dependendo da data de divulgação, o IPCA fechado de julho pode sair antes ou depois da decisão — mas em qualquer cenário ele baliza a expectativa para setembro.
Vale lembrar que o banco central não decide por um número isolado. Ele avalia os núcleos de inflação — versões do índice que excluem itens muito voláteis, como alimentos e energia — para identificar a tendência subjacente. Uma desaceleração concentrada em itens voláteis convence menos que desaceleração em serviços.
O que fazer com essa informação
Para renda fixa, inflação em desaceleração favorece títulos prefixados, que se valorizam quando as taxas caem por efeito de marcação a mercado. Já para quem tem Tesouro IPCA+, inflação menor reduz a correção do principal no curto prazo, mas o juro real contratado permanece — e é ele que garante ganho acima dos preços no longo prazo.
Para o orçamento doméstico, a leitura útil é outra: nenhum índice descreve a cesta de uma família específica. Quem gasta proporcionalmente mais com energia sentiu julho pior que o índice sugere; quem gasta mais com alimentos, melhor.
Como acompanhar
O IBGE divulga o IPCA fechado mensalmente, sempre com calendário publicado antecipadamente, e o IPCA-15 na segunda metade de cada mês. Ambos vêm com abertura por grupo, o que permite ver exatamente o que subiu e o que caiu.
Você acompanha o índice atualizado na nossa página de IPCA hoje e o conjunto dos indicadores no painel de indicadores. Para entender a diferença entre os índices de inflação, o guia sobre INPC e IPCA detalha cada metodologia.
Conteúdo informativo. Projeções de mercado mudam ao longo do tempo.
Perguntas frequentes
Quanto foi o IPCA-15 de julho?
A prévia da inflação subiu 0,06%, contra 0,41% em junho e projeção de mercado de 0,22%. Em 12 meses, desacelerou de 4,80% para 4,52%.
Qual a diferença entre IPCA-15 e IPCA?
O IPCA-15 coleta preços do dia 16 do mês anterior ao dia 15 do mês de referência; o IPCA fechado usa o mês-calendário completo. Por isso os dois podem divergir, mesmo sendo calculados com a mesma metodologia.
O que pode fazer o índice fechado subir mais?
Energia elétrica, que subiu 3,03% na prévia, e combustíveis, caso tenha havido repasse na segunda metade do mês após o petróleo superar US$ 100 o barril durante julho.
O que pode segurar a inflação?
A queda de 0,66% em alimentação e bebidas e o dólar mais baixo, a R$ 5,061, que contém preços de importados, insumos e, indiretamente, combustíveis.
Por que o Copom olha os núcleos de inflação?
Porque os núcleos excluem itens muito voláteis, como alimentos e energia, revelando a tendência subjacente dos preços. Desaceleração concentrada em itens voláteis convence menos que desaceleração em serviços.



