O Itaú Unibanco definiu 28 de agosto de 2026 para o pagamento de R$ 7,84 bilhões em juros sobre capital próprio, referentes a duas parcelas anunciadas ao longo do ano. Junto do balanço do segundo trimestre, o banco anunciou mais R$ 3,85 bilhões em JCP. Atenção ao imposto: a alíquota subiu para 17,5% em 2026.
O Itaú Unibanco paga R$ 7,84 bilhões em juros sobre capital próprio em 28 de agosto de 2026, referentes a parcelas anunciadas em fevereiro e maio. Uma delas tem valor bruto de R$ 0,34888 por ação e líquido de R$ 0,287826, o que confirma a nova retenção de 17,5%. Com o balanço do 2T26, o banco anunciou mais R$ 3,85 bilhões em JCP.
Principais pontos
- Pagamento de R$ 7,84 bilhões em JCP marcado para 28 de agosto de 2026.
- Uma das parcelas: R$ 0,34888 bruto por ação, com posição acionária de 19 de março.
- A outra parcela: R$ 0,361888 bruto por ação, com posição acionária de 18 de junho.
- O valor líquido de R$ 0,287826 confirma retenção de 17,5%, e não mais de 15%.
- Junto do balanço do 2T26, o banco anunciou R$ 3,85 bilhões adicionais em JCP.
Duas coisas diferentes que estão sendo confundidas
Vale separar, porque a imprensa noticiou dois números e eles não são a mesma coisa. O primeiro é o pagamento de 28 de agosto, de R$ 7,84 bilhões: dinheiro referente a parcelas já anunciadas antes, que agora ganharam data de crédito.
O segundo é o anúncio novo, de R$ 3,85 bilhões, feito junto do resultado do segundo trimestre. Esse é provento declarado agora, com data de pagamento a ser definida. Somar os dois como se fosse um pagamento único de R$ 11,7 bilhões seria erro de leitura.
As parcelas que caem em 28 de agosto
| Parcela | Valor bruto por ação | Posição acionária |
|---|---|---|
| Anunciada em fevereiro | R$ 0,34888 | 19 de março de 2026 |
| Anunciada em maio | R$ 0,361888 | 18 de junho de 2026 |
A “posição acionária” é o equivalente à data-com: quem tinha a ação naquele dia tem direito à parcela. Como as duas datas já passaram, comprar ITUB4 agora não dá direito a esses valores — o pagamento de agosto pertence a quem estava posicionado em março e em junho.
A conta do imposto, com o número real
O comunicado do banco traz bruto e líquido, o que permite verificar a alíquota sem depender de interpretação. Na parcela de fevereiro: valor bruto de R$ 0,34888 e valor líquido de R$ 0,287826 por ação.
Divida o líquido pelo bruto: 0,287826 ÷ 0,34888 = 0,825. Sobram 82,5%, ou seja, foram retidos 17,5%. Sob a regra antiga, de 15%, o líquido teria sido R$ 0,296548. A diferença de R$ 0,0087 por ação parece minúscula, mas quem tem 10 mil ações deixa de receber R$ 87.
| Ações em carteira | Bruto (parcela de fevereiro) | Líquido com 17,5% | Diferença vs regra antiga |
|---|---|---|---|
| 100 | R$ 34,89 | R$ 28,78 | −R$ 0,87 |
| 1.000 | R$ 348,88 | R$ 287,83 | −R$ 8,72 |
| 10.000 | R$ 3.488,80 | R$ 2.878,26 | −R$ 87,22 |
Por que o Itaú distribui tanto em JCP
Porque o formato reduz o imposto que o banco paga. Juros sobre capital próprio entram como despesa financeira dedutível na base do IRPJ e da CSLL — a empresa economiza ao remunerar por JCP em vez de dividendo. Em troca, o Fisco cobra do investidor na ponta.
Para bancos, que têm patrimônio líquido enorme, o limite legal do JCP é alto e o benefício fiscal é grande. É por isso que instituições financeiras distribuem preferencialmente nesse formato, enquanto companhias de outros setores misturam mais. A diferença entre os dois está em dividendos e JCP.
O que mudou para quem recebe em 2026
A Lei Complementar 224/2025, publicada em 26 de dezembro de 2025, elevou a retenção de 15% para 17,5% sobre valores pagos a partir de 1º de janeiro de 2026. Não houve mudança em dividendos, que seguem isentos para pessoa física.
O efeito prático é que o JCP perdeu atratividade relativa. Um provento de R$ 1,00 em dividendo entrega R$ 1,00; o mesmo R$ 1,00 em JCP entrega R$ 0,825. Ao comparar duas ações pelo retorno em proventos, é preciso ajustar pela composição — o detalhe está em o imposto sobre JCP subiu para 17,5%.
Como declarar
O imposto é retido na fonte, então não há DARF a emitir nem complemento a pagar na declaração. O JCP entra na ficha de rendimentos sujeitos à tributação exclusiva na fonte, com o valor líquido, conforme o informe de rendimentos do banco ou da corretora.
Dividendos, quando houver, vão em ficha separada — rendimentos isentos e não tributáveis. O erro de lançar JCP como isento é frequente e gera divergência automática com o que a fonte pagadora informou à Receita. O roteiro está em como declarar JCP e dividendos.
O balanço que sustenta a distribuição
O anúncio veio junto de um trimestre forte: lucro líquido recorrente de R$ 12,4 bilhões, alta de 7,8% em 12 meses, com retorno sobre patrimônio de 24,3% e carteira de crédito ampliada de R$ 1,5 trilhão.
Distribuição alta com ROE alto é combinação sustentável — o banco devolve capital sem comprometer a capacidade de crescer. Os números completos estão em Itaú lucra R$ 12,4 bilhões com ROE de 24,3%.
O que observar adiante
A data de pagamento dos R$ 3,85 bilhões anunciados agora, que ainda será definida, e a posição acionária exigida — é ela que determina até quando é preciso ter a ação. Bancos costumam anunciar JCP trimestralmente, então o calendário se repete.
Vale acompanhar também a discussão sobre tributação de dividendos: se dividendos passarem a ser tributados, a desvantagem atual do JCP desaparece e a escolha entre formatos deixa de importar para o investidor. Acompanhe pagamentos na agenda de dividendos e compare ativos em comparar.
Conteúdo informativo, sem recomendação de investimento nem orientação tributária individual. Valores e datas conforme comunicados da companhia; a data de pagamento do JCP anunciado com o resultado do 2T26 ainda será definida.
Perguntas frequentes
Quando o Itaú paga o JCP?
O pagamento de R$ 7,84 bilhões está marcado para 28 de agosto de 2026, referente a parcelas anunciadas em fevereiro e maio. O JCP de R$ 3,85 bilhões anunciado com o balanço do 2T26 terá data definida depois.
Comprando ITUB4 agora eu recebo esse pagamento de agosto?
Não. As posições acionárias exigidas eram 19 de março e 18 de junho de 2026, ambas já passadas. Quem compra agora só tem direito a proventos futuros.
Quanto de imposto é retido do JCP do Itaú?
17,5%, conforme a regra vigente desde 1º de janeiro de 2026. O próprio comunicado confirma: R$ 0,34888 bruto por ação viram R$ 0,287826 líquidos, o que equivale a 82,5% do valor.
Preciso pagar imposto extra na declaração?
Não. A retenção é na fonte e definitiva. Na declaração anual, o JCP entra em rendimentos sujeitos à tributação exclusiva na fonte, com o valor líquido recebido.
Por que bancos distribuem em JCP e não em dividendo?
Porque o JCP é dedutível da base de IRPJ e CSLL, reduzindo o imposto que a empresa paga. Bancos têm patrimônio líquido grande, o que amplia o limite legal e o benefício fiscal desse formato.
Ativos citados nesta matéria
Cotações ao vivo, com atraso. Clique para ver a ficha completa. Não é recomendação de investimento.



