O Itaú Unibanco reportou lucro líquido recorrente de R$ 12,4 bilhões no segundo trimestre de 2026, alta de 7,8% em um ano, com retorno sobre o patrimônio de 24,3%. É o décimo primeiro trimestre consecutivo de crescimento, e o número ficou praticamente em linha com o consenso de mercado, que apontava R$ 12,5 bilhões.
O Itaú Unibanco divulgou em 4 de agosto de 2026 lucro líquido recorrente de R$ 12,4 bilhões no segundo trimestre, alta de 7,8% em 12 meses, com ROE anualizado de 24,3% — um ponto percentual acima do mesmo período de 2025. No primeiro semestre, o lucro somou R$ 24,68 bilhões, avanço de 9,1%. A carteira de crédito ampliada chegou a R$ 1,5 trilhão.
Principais pontos
- Lucro líquido recorrente de R$ 12,4 bilhões no 2T26, alta de 7,8% em 12 meses.
- ROE anualizado de 24,3%, um ponto percentual acima do 2T25.
- Consenso de mercado apontava R$ 12,5 bilhões: resultado praticamente em linha.
- No primeiro semestre de 2026, o lucro acumulado é de R$ 24,68 bilhões, alta de 9,1%.
- A carteira de crédito ampliada alcançou R$ 1,5 trilhão no fim de junho.
O número que resume o resultado não é o lucro
Doze bilhões e quatrocentos milhões impressiona, mas isolado não diz nada sobre qualidade. O banco é grande, então lucro grande é esperado. O indicador que responde se ele é bom é o retorno sobre o patrimônio líquido: quanto o banco gera de lucro sobre o capital dos acionistas.
Nesse quesito o Itaú entregou 24,3% anualizados. Para dimensionar: é quase 25% de retorno sobre capital próprio num país onde o título público paga 14% ao ano sem risco. Poucos bancos no mundo operam nesse patamar de forma sustentada.
O detalhe que a manchete esconde
O ROE subiu 1 ponto percentual contra o segundo trimestre de 2025 — leitura positiva. Mas, contra o trimestre imediatamente anterior, houve leve recuo: o primeiro trimestre de 2026 fechou com ROE de 24,8%.
Não é deterioração, é sazonalidade. O primeiro trimestre costuma ser mais forte em receita de serviços e mais leve em provisões. Ainda assim, vale registrar: quem lê só a comparação anual vê melhora contínua, quem lê a trimestral vê estabilidade em patamar alto. As duas são verdade.
| Indicador | 2T26 | Referência |
|---|---|---|
| Lucro líquido recorrente | R$ 12,4 bilhões | +7,8% em 12 meses |
| Consenso de mercado | R$ 12,5 bilhões | Resultado em linha |
| ROE anualizado | 24,3% | +1 p.p. vs 2T25 |
| Lucro do 1º semestre | R$ 24,68 bilhões | +9,1% em 12 meses |
| Carteira de crédito ampliada | R$ 1,5 trilhão | Posição de junho |
| Trimestres seguidos de alta | 11 | — |
Por que crescer 7,8% aqui é difícil
Um banco com carteira de R$ 1,5 trilhão enfrenta o problema da própria escala. Para o lucro subir 7,8%, é preciso originar crédito novo em volume enorme, e cada real emprestado a mais tende a vir de um cliente marginalmente pior que o anterior — porque os melhores já foram atendidos.
É aí que mora o risco de um resultado assim: crescer emprestando para quem não paga produz lucro hoje e prejuízo em quatro trimestres. O banco informou inadimplência sob controle, o que sustenta a qualidade do número. Quem quiser conferir por conta própria deve olhar a linha de provisões junto do lucro — o roteiro está em como ler o balanço de um banco.
O ponto de atenção que apareceu
Analistas destacaram as tarifas como o item a acompanhar. Receita de serviços e comissões — conta corrente, cartões, seguros, gestão de recursos — é a parte do resultado que não depende de emprestar dinheiro e, por isso, é a mais valorizada pelo mercado: cresce sem consumir capital nem criar risco de crédito.
Quando essa linha desacelera, o banco fica mais dependente da margem financeira, que é sensível a juros e a inadimplência. Não é problema no trimestre, é um sinal de composição do resultado que merece ser seguido nos próximos.
O que isso significa para o acionista
ROE alto e sustentado é o que justifica um banco negociar acima do valor patrimonial. Enquanto o Itaú entregar retorno perto de 24% com inadimplência controlada, o mercado tende a pagar prêmio pela ação — e é essa a diferença entre ele e concorrentes que reportaram queda de lucro no mesmo período, como o Santander, com recuo de 17,6%.
A distribuição também vem junto: o banco definiu pagamento de proventos em juros sobre capital próprio para 28 de agosto. Atenção a uma mudança de 2026 que reduz o líquido — a alíquota do JCP subiu para 17,5%. Os detalhes estão em JCP do Itaú: R$ 7,84 bilhões em 28 de agosto e em o imposto sobre JCP subiu para 17,5%.
O contexto de juros pesa nos próximos trimestres
O Copom decide a Selic nesta quarta-feira (5), com expectativa de corte de 14,25% para 14,00% ao ano. Para banco, juro em queda tem dois efeitos opostos: reduz a receita da tesouraria e a margem em algumas operações, mas melhora a capacidade de pagamento do cliente e tende a liberar provisões.
O saldo costuma ser positivo no médio prazo, com defasagem de trimestres. É por isso que os comentários da gestão sobre crescimento esperado da carteira mexem mais na ação do que o lucro do trimestre. Acompanhe a taxa em Selic hoje.
O que observar no restante da temporada
O Bradesco divulga nesta quarta-feira (5) e é a comparação mais direta: mesmo porte, mesmo cenário de juros, carteira com composição diferente. Na quinta (6) vêm Petrobras e B3.
Para o setor bancário, a pergunta do trimestre é se o crescimento vem de carteira com garantia — consignado e imobiliário — ou de crédito sem garantia, mais rentável e mais arriscado. Compare os indicadores no comparador de ativos e veja a lista completa em calendário de balanços do 2T26.
Conteúdo informativo, sem recomendação de investimento. Dados referentes ao resultado do segundo trimestre de 2026 divulgado pela companhia em 4 de agosto de 2026.
Perguntas frequentes
Qual foi o lucro do Itaú no 2T26?
O lucro líquido recorrente foi de R$ 12,4 bilhões, alta de 7,8% em relação ao mesmo trimestre de 2025. No primeiro semestre de 2026, o acumulado chegou a R$ 24,68 bilhões, avanço de 9,1%.
Qual o ROE do Itaú?
O retorno sobre o patrimônio líquido anualizado ficou em 24,3% no segundo trimestre de 2026, um ponto percentual acima do mesmo período de 2025. No primeiro trimestre de 2026 havia sido 24,8%.
O resultado veio acima ou abaixo do esperado?
Praticamente em linha. O consenso de analistas apontava lucro de R$ 12,5 bilhões, e o banco entregou R$ 12,4 bilhões — diferença de menos de 1%.
Qual o tamanho da carteira de crédito do Itaú?
A carteira de crédito ampliada alcançou R$ 1,5 trilhão no fim de junho de 2026. É esse volume que torna difícil crescer o lucro em ritmo alto sem assumir mais risco.
Quando o Itaú paga os proventos anunciados?
O pagamento de juros sobre capital próprio está definido para 28 de agosto de 2026. A alíquota de imposto retido sobre JCP passou de 15% para 17,5% em 2026, o que reduz o valor líquido recebido.



