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Economia

Juros do cartão a 54% ao ano: por que sobem com a Selic caindo

A taxa do rotativo não obedece ao Copom, e o motivo é a inadimplência. Duas normas limitam o estrago — e pouca gente usa.

Juros do cartão a 54% ao ano: por que sobem com a Selic caindo
Foto: Kampus Production / Pexels

O rotativo do cartão cobrava 54,02% ao ano em junho de 2026 — e subiu em relação a maio, apesar dos cortes da Selic. São 3,66% ao mês: uma dívida de R$ 2.000 esquecida por doze meses vira R$ 3.080. O parcelado do mesmo cartão cobra menos da metade disso, e a migração é um direito seu.

Resumo rápido

A taxa média do rotativo do cartão de crédito para pessoa física chegou a 54,02% ao ano em junho de 2026, equivalentes a 3,66% ao mês, segundo o Banco Central. O parcelado do cartão cobrava 23,80% ao ano, ou 1,80% ao mês, menos da metade. Por norma, o saldo não pode permanecer no rotativo por mais de um mês, e os encargos não podem exceder o valor original da dívida.

Principais pontos
  • O rotativo do cartão cobrava 54,02% ao ano em junho, contra 53,88% em maio, mesmo com a Selic em queda.
  • Convertida ao mês, a taxa é de 3,66%: R$ 2.000 viram R$ 3.080 em doze meses.
  • O parcelado do cartão cobrava 23,80% ao ano, ou 1,80% ao mês, menos da metade do rotativo.
  • Por lei, os juros e encargos do cartão não podem exceder o valor original da dívida.
  • O crédito pessoal não consignado ficou ainda mais caro, a 57,33% ao ano, alta de 2 pontos em um mês.

A taxa que não obedece ao Copom

Desde março de 2026, o Copom cortou a Selic quatro vezes, de 15,00% para 14,00% ao ano. No mesmo período, o rotativo do cartão de crédito para pessoa física subiu: passou de 53,88% ao ano em maio para 54,02% em junho, conforme as séries do Banco Central. O crédito pessoal não consignado subiu mais ainda, de 55,33% para 57,33%.

A razão é que a taxa do rotativo tem pouco a ver com o custo de captação e muito a ver com risco de crédito. Quem entra no rotativo é, por definição, quem não conseguiu pagar a fatura — e a inadimplência dessa carteira é altíssima. O preço embute a expectativa de calote, não o custo do dinheiro. Por isso a Selic pode cair pela metade sem que o rotativo se mova.

Quanto 3,66% ao mês realmente custa

Percentuais mensais enganam porque a intuição os soma, quando eles se multiplicam. Uma dívida de R$ 2.000 no rotativo à taxa média cresce assim: R$ 2.073 no primeiro mês, R$ 2.482 em seis meses, R$ 3.080 em doze.

Ao ano, os R$ 1.080 de juros equivalem a mais da metade da dívida original. Nenhum investimento acessível ao varejo rende isso — o que significa que quitar dívida de cartão é matematicamente o melhor “investimento” disponível a quem tem saldo no rotativo, comparação feita em quitar dívidas ou investir.

Modalidade Ao ano Ao mês R$ 2.000 em 12 meses
Parcelado do cartão 23,80% 1,80% R$ 2.476
Cheque especial 26,44% 1,97% R$ 2.529
Rotativo do cartão 54,02% 3,66% R$ 3.080
Crédito pessoal não consignado 57,33% 3,85% R$ 3.147

A regra que limita o estrago

Duas normas protegem o consumidor, e pouca gente sabe usá-las. A primeira, em vigor desde 2017, determina que o saldo não pode ficar no rotativo por mais de um mês. Passado esse prazo, o banco é obrigado a oferecer o parcelamento da dívida em condições melhores que as do rotativo.

A segunda, mais recente, estabelece que a soma de juros e encargos não pode exceder o valor original da dívida. Uma dívida de R$ 2.000 não pode se transformar em mais de R$ 4.000, por mais tempo que passe. É um alívio real, mas note o que ele significa: o teto legal permite que a dívida dobre. Não é proteção suficiente para ser tratada como rede de segurança.

O caminho de saída, na ordem certa

O primeiro passo é sair do rotativo hoje, não no mês que vem. Ligue para o banco e peça o parcelamento da fatura — pela norma, ele precisa oferecer condições melhores. Sair de 3,66% para 1,80% ao mês corta o custo pela metade sem que você pague nada de entrada.

O segundo é buscar linhas mais baratas para quitar a dívida cara. Crédito com garantia — consignado, empréstimo com garantia de imóvel ou de veículo — costuma cobrar bem menos, e a troca faz sentido matemático. O que não funciona é usar crédito pessoal não consignado, hoje a 57,33% ao ano: é mais caro que o próprio rotativo. Vale conhecer as opções em empréstimo com garantia de imóvel e em como sair do cheque especial e do rotativo.

Pagar o mínimo é a pior escolha

O pagamento mínimo existe para evitar a inadimplência formal, não para resolver a dívida. Ao pagar 15% da fatura, você joga 85% dela para o rotativo, onde ela passa a render 3,66% ao mês contra você — e a fatura seguinte vem maior, com as novas compras somadas ao saldo antigo.

É assim que se forma a bola de neve: a pessoa nunca deixou de pagar, sempre pagou “o que dava”, e a dívida triplicou. Quando o mínimo é a única alternativa possível no mês, a decisão correta é imediatamente pedir o parcelamento e parar de usar o cartão até zerar o saldo.

Como usar o cartão sem cair no rotativo

O cartão não é o problema; o rotativo é. Usado à vista e pago integralmente, o cartão oferece de 30 a 40 dias de prazo sem juros, o que é, na prática, um empréstimo gratuito — além de proteções de compra e programas de pontos.

Três hábitos evitam o rotativo: manter o limite próximo do que você realmente pode pagar, conferir a fatura parcial antes do fim do ciclo em vez de esperar o fechamento, e nunca usar o cartão para cobrir falta de caixa recorrente, que é sintoma de orçamento desequilibrado, não de falta de crédito. As estratégias estão em como usar o cartão a seu favor, e a organização do orçamento, em método 50-30-20.

Conteúdo informativo e educacional, sem recomendação de contratação de crédito. Taxas médias conforme séries do Banco Central referentes a junho de 2026; as condições efetivas variam por instituição, produto e perfil de crédito do cliente.

Perguntas frequentes


Qual a taxa de juros do rotativo do cartão em 2026?

A taxa média para pessoa física foi de 54,02% ao ano em junho de 2026, equivalentes a 3,66% ao mês, segundo o Banco Central. Em maio, estava em 53,88%.


Por que os juros do cartão não caem com a Selic?

Porque o preço do rotativo reflete principalmente o risco de inadimplência dessa carteira, não o custo de captação dos bancos. Quem entra no rotativo é quem não conseguiu pagar a fatura, e a taxa embute essa expectativa de calote.


Existe limite para os juros do cartão de crédito?

Sim. A soma de juros e encargos não pode exceder o valor original da dívida, o que na prática impede que ela mais que dobre. Além disso, o saldo não pode permanecer no rotativo por mais de um mês.


Como sair do rotativo do cartão?

Solicitando o parcelamento da fatura ao banco, que por norma deve oferecer condições melhores que o rotativo. A taxa média do parcelado é de 23,80% ao ano, contra 54,02% do rotativo.


Vale a pena pegar empréstimo para pagar o cartão?

Depende da linha. Crédito com garantia costuma ser bem mais barato e a troca compensa. Já o crédito pessoal não consignado, a 57,33% ao ano em junho, é mais caro que o próprio rotativo e piora a situação.


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RD

Redação Arena do Dinheiro

A Redação da Arena do Dinheiro reúne jornalistas e especialistas em finanças, investimentos e economia, responsáveis pela produção e revisão do conteúdo do portal.

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As informações desta matéria têm caráter informativo e educacional e não constituem recomendação ou oferta de investimento. Rentabilidade passada não é garantia de resultados futuros. Investimentos envolvem riscos.


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