A confiança do consumidor caiu 0,5 ponto em setembro, para 84,2 pontos, segundo a FGV. É a quinta queda mensal seguida e o menor nível desde novembro de 2022. O dado mais preocupante está nas expectativas: a intenção de comprar bens duráveis despencou para 72,3 pontos, mais de dez pontos abaixo de maio.
O Índice de Confiança do Consumidor da FGV caiu 0,5 ponto em setembro de 2026, para 84,2 pontos, quinta queda seguida e menor nível desde novembro de 2022. O Índice de Expectativas recuou a 85,2 pontos, o menor desde maio de 2022, enquanto a avaliação do presente subiu levemente. A intenção de comprar bens duráveis caiu 2,4 pontos, para 72,3.
Principais pontos
- O índice de confiança do consumidor caiu de 84,7 para 84,2 pontos em setembro.
- Desde abril, quando estava em 89,1 pontos, a queda acumulada é de 4,9 pontos.
- O Índice de Expectativas caiu 0,9 ponto, para 85,2, menor nível desde maio de 2022.
- A intenção de compra de bens duráveis recuou 2,4 pontos, para 72,3.
- Consumidores de menor renda melhoraram as expectativas, possivelmente pelo reajuste de benefícios sociais.
O que mudou de agosto para setembro
A queda de setembro foi pequena perto do tombo de agosto, quando o índice perdeu 3,6 pontos e caiu a 84,7, como registrado em confiança do consumidor cai a 84,7. Mas ela confirma a tendência: são cinco meses seguidos no vermelho, e o índice renovou a mínima desde novembro de 2022, quando marcou 83,5.
A pesquisa foi feita entre 1º e 21 de setembro. Na média móvel de três meses, que suaviza oscilações mensais, o índice cedeu 1,5 ponto, para 85,7. Todos os números estão na série com ajuste sazonal.
A série desde abril
A tabela mostra o desenho do ano. A confiança subiu até abril, quando atingiu o maior nível desde dezembro de 2025, e desde então só caiu. As três primeiras quedas foram pequenas, de décimos. O degrau veio em agosto, e setembro não devolveu nada.
| Mês (2026) | Índice de Confiança do Consumidor | Variação no mês |
|---|---|---|
| Março | 88,1 | — |
| Abril | 89,1 | +1,0 |
| Maio | 88,8 | −0,3 |
| Junho | 88,7 | −0,1 |
| Julho | 88,3 | −0,4 |
| Agosto | 84,7 | −3,6 |
| Setembro | 84,2 | −0,5 |
Presente estável, futuro pior
O índice combina duas partes. A Sondagem do Consumidor pergunta como a família está agora (Índice de Situação Atual) e como espera estar nos próximos meses (Índice de Expectativas). Em setembro, as duas andaram em direções opostas.
A avaliação do presente subiu 0,2 ponto, para 84,0, com leve melhora na situação financeira atual da família (74,4) e na economia local (94,0). Já as expectativas caíram 0,9 ponto, para 85,2, o menor nível desde maio de 2022. É uma combinação ruim para o varejo: o consumidor não sente piora hoje, mas espera piora adiante e age por antecipação.
| Componente | Setembro | Variação |
|---|---|---|
| Índice de Situação Atual | 84,0 | +0,2 |
| Índice de Expectativas | 85,2 | −0,9 |
| Situação financeira futura da família | 83,9 | +1,0 |
| Situação econômica local futura | 102,0 | −1,3 |
| Compras previstas de bens duráveis | 72,3 | −2,4 |
O item que mais importa: bens duráveis
A intenção de comprar geladeira, móveis, eletrônicos e carro foi o componente que mais caiu: 2,4 pontos, para 72,3. Em maio, estava em 83,0; em junho, em 80,0. São mais de dez pontos em quatro meses.
Duráveis são a primeira compra adiada quando o orçamento aperta, porque dependem de crediário e podem esperar. Com juros altos e famílias endividadas, a parcela pesa mais que o preço. A FGV aponta exatamente isso: condições financeiras apertadas, endividamento e inadimplência elevados. Quem precisa renegociar tem saída legal, explicada em superendividamento.
O alívio que veio da baixa renda
O resultado só não foi pior por causa dos consumidores de menor renda. Segundo Rodolpho Tobler, economista da FGV Ibre, houve recuperação da confiança nessa faixa, sobretudo na expectativa sobre a situação financeira futura. Esse item subiu 1,0 ponto, para 83,9, na contramão do índice.
A FGV associa a melhora, possivelmente, ao reajuste de benefícios sociais, como o do Bolsa Família, que subiu 15,04%. Tobler, porém, avalia que o movimento recente torna difícil imaginar recuperação da confiança nos próximos meses.
O que isso significa para você
O dado conversa com o Relatório de Política Monetária publicado no mesmo dia, em que o Banco Central cortou a projeção de crescimento do consumo das famílias em 2026 de 2,1% para 1,2%. O consumo já havia caído 0,4% no segundo trimestre, e a sondagem sugere que o terceiro não será muito diferente.
Para quem investe, varejistas de bens duráveis e empresas dependentes de crediário são as mais expostas a esse humor. Para o orçamento doméstico, a lição é a mesma que o consumidor médio já está aplicando: adiar compra parcelada enquanto o juro estiver alto. O que não se sabe é se a queda de juros em curso chegará ao crédito a tempo de mudar esse quadro antes do fim do ano.
Conteúdo informativo, sem recomendação de investimento. Dados da Sondagem do Consumidor da FGV Ibre, com ajuste sazonal, divulgados em 24 de setembro de 2026.
Perguntas frequentes
Qual foi a confiança do consumidor em setembro de 2026?
O Índice de Confiança do Consumidor da FGV caiu 0,5 ponto em setembro de 2026, para 84,2 pontos, o menor nível desde novembro de 2022 e a quinta queda mensal seguida.
Por que a confiança do consumidor está caindo?
A FGV aponta condições financeiras apertadas, com endividamento e inadimplência elevados e juros altos. As expectativas para os próximos meses caíram ao menor nível desde maio de 2022.
O que é o Índice de Confiança do Consumidor?
É um indicador mensal da FGV que combina a avaliação das famílias sobre a situação atual e suas expectativas para os próximos meses. Funciona como sinal antecedente do consumo.
A intenção de compra de bens duráveis caiu?
Sim. O indicador de compras previstas de bens duráveis recuou 2,4 pontos em setembro, para 72,3 pontos. Em maio, estava em 83,0 pontos.
Quantas quedas seguidas a confiança do consumidor acumula?
São cinco quedas mensais seguidas, de maio a setembro de 2026. O índice saiu de 89,1 pontos em abril para 84,2 pontos em setembro.



