A Mills Locação, Serviços e Logística (MILS3) registrou lucro líquido de R$ 130,9 milhões no terceiro trimestre de 2026, crescimento de 94,5% sobre o mesmo período de 2025. O resultado recebeu ajuda de créditos tributários de períodos anteriores, reconhecidos no trimestre. A receita líquida avançou 2,1%, para R$ 492,9 milhões.
Última cotação de MILS3 na B3: R$ 16,23 (+2,40% no dia) em 05/11/2026 (fonte: Brapi).
Resumo rápido
O lucro da Mills quase dobrou na comparação anual, mas a expansão da operação foi mais moderada. Créditos tributários e a redução da despesa financeira líquida contribuíram para o resultado. A companhia também diminuiu os investimentos frente ao terceiro trimestre de 2025 e encerrou setembro com dívida líquida menor.
Principais pontos
- O lucro líquido cresceu 94,5% sobre o terceiro trimestre de 2025 e 23,1% frente ao segundo trimestre de 2026.
- A receita líquida chegou a R$ 492,9 milhões, com expansão anual de 2,1% e trimestral de 4,4%.
- O EBITDA ajustado, resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização, sem itens considerados não recorrentes, somou R$ 256,1 milhões, alta anual de 0,6%.
- Os itens não recorrentes tiveram efeito líquido positivo de R$ 51,9 milhões no trimestre.
- Os investimentos totalizaram R$ 100,5 milhões, redução de 61,5% na comparação anual.
- A dívida líquida, que desconta caixa e aplicações da dívida bruta, terminou setembro em R$ 1.056,0 milhões, queda anual de 17,7%.
Créditos tributários ajudam a explicar o salto do lucro
A Mills reconheceu R$ 54,3 milhões em créditos tributários referentes a períodos anteriores. Chamados de créditos extemporâneos, eles entram nas contas depois que a companhia identifica e valida o direito de recuperá-los. Esse reconhecimento melhora o resultado contábil, mas não significa que o dinheiro tenha entrado no caixa naquele momento.
Também houve reversão de uma contingência de R$ 5,0 milhões ligada à unidade de Pesados. Isso significa que a empresa retirou uma provisão, um valor antes reservado contabilmente para uma possível obrigação. Considerando esses e outros fatores, os itens não recorrentes tiveram efeito líquido positivo de R$ 51,9 milhões, contra efeito negativo de R$ 28,8 milhões um ano antes.
O resultado financeiro também contribuiu. A diferença entre receitas e despesas financeiras foi negativa em R$ 29,8 milhões, ante despesa líquida de R$ 54,2 milhões no terceiro trimestre de 2025. Segundo a Mills, a melhora refletiu principalmente o maior saldo médio de caixa e efeitos dos créditos reconhecidos.
A margem líquida, parcela da receita que se transforma em lucro, chegou a 26,6%. No acumulado dos nove meses de 2026, o lucro atingiu R$ 434,3 milhões, avanço de 95,1% sobre o mesmo intervalo de 2025.
Sem os efeitos pontuais, o avanço foi de 0,6%
O EBITDA calculado conforme a metodologia da CVM somou R$ 308,0 milhões, alta de 36,5%. Depois de retirar os efeitos classificados pela Mills como não recorrentes, o EBITDA ajustado ficou em R$ 256,1 milhões. O crescimento foi de 0,6% sobre um ano antes, com queda de 4,8% frente ao segundo trimestre.
A distância entre esses indicadores mostra por que o salto do lucro não equivale a uma expansão de mesma intensidade da operação. O indicador ajustado procura separar o desempenho dos negócios dos acontecimentos pontuais. Trata-se de uma medida não contábil e não auditada, conforme informa a companhia.
A margem EBITDA ajustada, proporção desse resultado sobre a receita, ficou em 52,0%, abaixo das comparações anual e trimestral. Nos nove meses, porém, o EBITDA ajustado cresceu 10,4%, para R$ 760,1 milhões. A administração atribuiu o avanço acumulado ao aumento da receita e ao controle de custos e despesas.
Rental cresce, enquanto Formas e Escoramentos recua
A unidade Rental, que reúne equipamentos Leves, Pesados e Intralogística — usados na movimentação interna de materiais —, faturou R$ 407,7 milhões líquidos, crescimento anual de 3,3%. Segundo a empresa, Pesados e Intralogística puxaram o desempenho, acompanhados pela retomada de crescimento da receita em Leves.
A frota da unidade chegou a aproximadamente 17 mil equipamentos, aumento de 5,8%. O EBITDA ajustado alcançou R$ 200,6 milhões, alta de 5,3%. A Mills relatou melhor diluição das despesas recorrentes e menores perdas esperadas com valores a receber, parcialmente compensadas pelo maior consumo de peças e pela alta de determinados insumos.
Em Formas e Escoramentos, estruturas utilizadas em obras, a receita caiu 3,4%, para R$ 85,2 milhões. A comparação foi afetada por indenizações pontuais recebidas no terceiro trimestre de 2025. O EBITDA ajustado recuou 13,5%, para R$ 55,5 milhões, principalmente por despesas recorrentes maiores e um efeito menos favorável das perdas esperadas com recebíveis.
No conjunto da companhia, contratos de longo prazo representaram 56% da receita de locação. Contratos mais duradouros dão maior visibilidade às receitas futuras, embora não eliminem as pressões competitivas. A Mills relatou entrada de concorrentes e maior disponibilidade de equipamentos para aluguel no país.
Investimento menor muda a leitura da geração de caixa
Os investimentos em bens duráveis, também chamados de CapEx, somaram R$ 100,5 milhões. Aproximadamente 89% foram destinados a ativos para locação. A queda anual de 61,5% refletiu adiamentos na mobilização de novos contratos, o cronograma de chegada de equipamentos importados e uma base de comparação que incluía a aquisição da Next Rental.
Segundo a Mills, a postergação está ligada ao calendário de execução e, até o momento, não altera seu plano de alocação de capital. Na comparação com o segundo trimestre de 2026, os investimentos aumentaram 13,5%.
O caixa gerado pelas atividades operacionais foi de R$ 158,6 milhões, queda anual de 9,4%. Já o fluxo operacional ajustado, que modifica o tratamento de juros, compras de equipamentos e outros pagamentos, chegou a R$ 235,5 milhões, redução de 39,8%.
Essa queda mais intensa envolve a própria metodologia: em 2025, o volume maior de compras de equipamentos gerou ajustes maiores. Por sua vez, o fluxo de caixa livre ajustado, que considera os desembolsos com ativos de locação e atividades de investimento, ficou positivo em R$ 105,3 milhões, ante consumo de R$ 92,4 milhões um ano antes.
Dívida menor e consentimento para a mudança de controle
A Mills encerrou setembro com dívida bruta de R$ 1.763,5 milhões e caixa e aplicações de R$ 707,5 milhões. A alavancagem, relação entre dívida líquida e EBITDA ajustado acumulado nos últimos doze meses, ficou em 1,1 vez, contra 1,5 vez um ano antes.
O prazo médio da dívida era de 3,3 anos. Aproximadamente 95% do montante tinha amortizações previstas para prazos superiores a doze meses, segundo o relatório.
Após o encerramento do trimestre, em 14 e 15 de outubro, titulares de debêntures, títulos de dívida da empresa, aprovaram um consentimento prévio para a mudança de controle. A autorização evita que essa mudança, uma vez concluída, caracterize vencimento antecipado das respectivas emissões. Sua eficácia depende da conclusão da operação.
O que muda para o acionista
O resultado reúne movimentos diferentes: lucro impulsionado por efeitos pontuais, receita em crescimento moderado e menor desembolso com investimentos na comparação anual. Os créditos tributários aumentaram o EBITDA, mas não tiveram efeito correspondente no caixa do trimestre. Assim, lucro contábil e geração de dinheiro não contam exatamente a mesma história.
A administração informou que entra no último trimestre com foco em maior utilização dos equipamentos, receitas recorrentes e geração de caixa. A apresentação dos resultados está marcada para 5 de novembro de 2026, às 14h, no horário de Brasília.
Perguntas frequentes
Quanto a Mills lucrou no terceiro trimestre?
A Mills teve lucro líquido de R$ 130,9 milhões no terceiro trimestre de 2026. O valor ficou 94,5% acima do registrado um ano antes e 23,1% acima do segundo trimestre de 2026.
Por que o lucro cresceu mais que a receita?
O resultado foi beneficiado por créditos tributários de períodos anteriores e pela melhora do resultado financeiro, enquanto a receita avançou 2,1%. Os itens classificados como não recorrentes tiveram contribuição líquida positiva de R$ 51,9 milhões.
Os créditos tributários já viraram dinheiro no caixa?
O reconhecimento desses créditos não teve efeito correspondente no caixa do trimestre, segundo a Mills. Eles representam direitos tributários identificados e validados pela companhia, cujo registro contábil pode ocorrer antes do efeito financeiro.
A dívida da Mills aumentou ou diminuiu?
A dívida líquida diminuiu para R$ 1.056,0 milhões, redução de 17,7% sobre um ano antes e de 5,3% frente ao trimestre anterior. A relação entre dívida líquida e EBITDA ajustado dos últimos doze meses terminou setembro em 1,1 vez.
Quando é a apresentação dos resultados?
A apresentação está prevista para 5 de novembro de 2026, às 14h, no horário de Brasília. O relatório informa que a transmissão será online.
Ativos citados nesta matéria
Cotações ao vivo, com atraso. Clique para ver a ficha completa. Não é recomendação de investimento.



